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Rival do Palmeiras, Bolívar tem escolinha oficial em São Paulo como fonte para a base

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Gazeta Esportiva
Rival do Palmeiras, Bolívar tem escolinha oficial em São Paulo como fonte para a base

30 de setembro de 2020 - 09:00 - Atualizado em 30 de setembro de 2020 - 09:15

Sediado em La Paz, o tradicional Club Bolívar tem a possibilidade de abastecer suas categorias de base com atletas brasileiros. O time mais popular da Bolívia, adversário do Palmeiras na Copa Libertadores, possui uma escolinha oficial em São Paulo, cidade com numera colônia do país vizinho.

Os bolivianos constituem o maior grupo de estrangeiros na capital paulista, à frente dos portugueses. Em 2019, eram mais de 75 mil pessoas – o número tende a ser significativamente maior, já que muitos não figuram nas estatísticas oficiais. O projeto “Bolívar-Brasil”, não por acaso, fica no Canindé, um dos redutos dos imigrantes.

Criada em janeiro de 2017, a escolinha chegou a contar com 300 alunos. Atualmente, após seis meses de paralisação por conta da pandemia de covid-19, há cerca de 65 jovens em treinamento, a maioria bolivianos ou filhos de imigrantes com o sonho de iniciar trajetória no Bolívar.

Zagueiro Joel Ajno frequentou escolinha em São Paulo e foi incorporado pelo Bolívar (Foto: Divulgação)

A maioria dos bolivianos imigra em busca de empregos e melhores condições de vida – não raro, trabalham em situações análogas à escravidão. A escolinha do Bolívar, clube batizado como tributo ao libertador Simon Bolívar, além de formar atletas, também funciona como espaço de integração e combate ao preconceito para os jovens.

“Dos seis aos 11 anos, o lado principal não é o alto rendimento, mas sim a interação, a convivência em grupo. Todos treinam juntos, independentemente da nacionalidade. Muitas vezes, os pais saem para trabalhar de madrugada e as crianças ficam em casa o dia inteiro”, descreveu Artur Costa, dono da licença B do curso de treinadores da CBF, dedicada aos profissionais da base.

Costa jogou profissionalmente e, durante os quase três anos em que atuou na Bolívia, estabeleceu laços com o Bolívar, embora não tenha defendido o clube. Na última terça, conversou com a Gazeta Esportiva enquanto esperava pelo desembarque da delegação no Aeroporto de Guarulhos e bateu fotos ao lado dos atacantes Arce e Riquelme.

“A gente representa o Bolívar no Brasil e é inevitável não torcer pelo clube. Tenho amizade com atletas e diretores. Então, acabamos nos envolvendo não apenas no lado profissional, mas também como torcedores”, contou o coordenador da escolinha, pronto para torcer pelo time boliviano contra o Palmeiras.