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Grosjean detalha momentos em meio às chamas no Bahrein: “Senti que ia morrer”

Gazeta
Gazeta Esportiva

4 de dezembro de 2020 - 14:17 - Atualizado em 4 de dezembro de 2020 - 14:45

Em seu impressionante acidente no GP do Bahrein, Romain Grosjean conseguiu escapar praticamente ileso. O carro do francês atravessou o guard-rail, foi partido ao meio e iniciou um incêndio. No entanto, embora tenha ficado 29 segundos em meio às chamas, o piloto saiu andando e sofreu apenas queimaduras leves nas mãos e tornozelos.

Após se recuperar, Grosjean deu mais detalhes nesta sexta-feira sobre o que pensou durante o período em que ficou rodeado pelo fogo e o que fez para tentar sair.

“Para mim pareceu mais de 1 minuto. Quando o carro parou, abri os olhos e soltei meu cinto de segurança. Meu primeiro pensamento foi esperar alguém para me ajudar. Eu não estava estressado e não sabia na hora que havia fogo, mas olhei para a esquerda e vi fogo. Tentei subir pela direita, mas não funcionou. Voltei pela esquerda, não funcionou. Sentei-me novamente e pensei em Niki Lauda, ​​seu acidente, e pensei ‘não pode ser assim a minha última corrida, de jeito nenhum’”, declarou.

Diante das dificuldades para sair do carro, o francês começou a achar que não iria conseguir sair de lá. Entretanto, pensou em sua família e criou forças para deixar o veículo.

“Tentei sair de novo, mas estava preso. Então voltei pro banco e chegou o momento mais difícil, quando meu corpo relaxou. Fiquei em paz comigo mesmo e senti que ia morrer. Comecei a me perguntar: ‘Vai queimar o meu sapato, o pé ou a mão? Vai ser doloroso? Como vai começar?’. Mas pensei em meus filhos e disse ‘não, eles não podem perder o pai hoje’”, relembrou Grosjean.

“Decidi virar meu capacete para o lado esquerdo e depois tentar torcer meu ombro. Percebi que meu pé estava preso no carro, então puxei o máximo que pude e meu pé saiu da sapatilha. Fiz de novo e meus ombros doeram. E eu sabia que ia pular. Eu estava com as duas mãos no fogo. Minhas luvas são vermelhas normalmente, mas vi que a esquerda estava mudando de cor e começando a derreter até ficar totalmente preta. E eu senti dor, mas também sinto o alívio por estar fora do carro”, acrescentou.

Depois de sair de sua Haas, o piloto foi removido das chamas pelo médico Ian Roberts e o piloto do carro médico Alan van der Merwe. Em seguida, percebeu que sua pele estava derretendo e tirou as luvas.

“Pulei até a barreira e então senti Ian me puxando pelo macacão, então soube que não estava mais sozinho. Retirei minhas luvas porque também vi que minha pele estava criando bolhas e derretendo, e grudaria na luva. Entramos no carro médico e nos sentamos, e eles colocaram uma compressa fria em minhas mãos”, afirmou o francês.

“Ian me explicou que a ambulância estava chegando e que eles viriam com a maca. Mas eu neguei e disse ‘vamos caminhando’, e ele respondeu, “ok, vamos ajudá-lo’. Acho que não foi a decisão mais perfeita do ponto de vista clínico, mas eles entenderam que, para mim, era fundamental que houvesse imagens minhas caminhando. Mesmo tendo saído do incêndio, eu precisava enviar outra mensagem forte de que estava bem”, completou.

Após ser retirado do incêndio em segurança, Grosjean foi hospitalizado e recebeu alta na última quarta. Ele agradeceu aos médicos que o ajudaram, reencontrou sua família e voltou ao circuito de Sakhir, local do acidente. Porém, não terá condições de correr neste fim de semana e será substituído pelo brasileiro Pietro Fittipaldi.

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