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Futebol e política, cada vez mais juntos em uma América do Sul caótica

Redação RIC Mais
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Futebol e política, cada vez mais juntos em uma América do Sul caótica

25 de dezembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 25 de dezembro de 2019 - 00:00

Foto: Martin BERNETTI / AFP

O futebol, de longe o esporte mais popular da América do Sul, sempre esteve na mira da política na região, mas nunca antes como um influente instrumento de apoio às manifestações sociais que se espalharam pelo continente nos últimos meses.

Com a Venezuela em crise persistente, o Equador em dificuldades com protestos indígenas ou o Peru lidando com escândalos que envolvem sua classe política, o Chile exibia uma sociedade calma e uma economia estável…. até o dia 18 de outubro, quando uma manifestação de estudantes contra o aumento nas tarifas do metrô de Santiago se tornou o maior tumulto social no país em três décadas, deixando 24 mortos.

A crise obrigou a suspensão do futebol chileno por mais de um mês. A incerteza sobre a continuidade dos torneios profissionais acabou em 29 de novembro, quando a Associação Nacional de Futebol Profissional (ANFP) decidiu cancelar definitivamente o campeonato da primeira divisão e coroar a Universidad Católica como campeã, com várias rodadas ainda a disputar.

A decisão foi tomada após um grupo de torcedores organizados do Colo Colo -clube mais popular do país- invadir a partida entre o Unión La Caldera e o Iquique, uma nova rejeição popular a uma das muitas tentativas de reiniciar o torneio.

Universidad Católica foi declarada campeã no Chile seis rodadas antes do fim – Foto: Divulgação

“Lamentavelmente tivemos que encerrar nossas competições, porque as condições de segurança não estavam garantidas”, declarou Sebastian Moreno, presidente da ANFP.

Os torcedores do Colo Colo e de outras equipes chilenas deixaram suas diferenças de lado e se somaram às maciças manifestações sociais na praça Itália de Santiago, epicentro dos protestos, onde as bandeiras das equipes rivais podiam ser avistadas lado a lado.

“O futebol é um fenômeno social que tende a projetar e a denunciar as problemáticas sociais”, explicou à AFP Rodrigo Figueroa, acadêmico do departamento de Sociologia e coordenador do Núcleo Esporte e Sociedade da Universidade do Chile.

Jogadores chilenos famosos como Alexis Sánchez, da Inter de Milão, ou Arturo Vidal, do Barcelona, apoiaram nas redes sociais as manifestações no Chile, “dando um sinal claro de que estavam de acordo com o discurso social” projetado pelo futebol, completou Figueroa.

Mas o golpe mais duro contra o futebol chileno foi dado pela Conmebol, que transferiu de Santiago para Lima a primeira final única da Copa Libertadores devido ao receio com as dimensões dos protestos, apesar da insistência do governo chileno para manter a partida em seu solo. A primeira final em jogo único desde a criação da competição continental, em 1960, acabou vencida pelo Flamengo, que superou o River Plate (2-1) na capital peruana.

Foto: Pedro Ugarte / AFP)

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