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Em áudio, presidente do Santos explica provável saída de Soteldo: “Temos que pagar as contas”

Gazeta
Gazeta Esportiva

18 de outubro de 2020 - 22:25 - Atualizado em 18 de outubro de 2020 - 22:45

O presidente do Santos, Orlando Rollo, explicou a provável venda de Yeferson Soteldo ao Hilal, da Arábia Saudita, em áudio enviado a associados do Peixe.

Na gravação neste domingo para a Associação Terceira Via Santista de Guarulhos, Rollo explicou que precisa pensar como “gestor” e não como “torcedor”. O presidente relatou a dificuldade financeira do Peixe para aceitar menos do que Soteldo poderia valer – 7 milhões de dólares (R$ 39,5 mi).

Como a Gazeta Esportiva antecipou, o pagamento seria feito em três partes: 5 milhões à vista, 1 milhão em 15 de julho de 2021 e 1 milhão em 15 de outubro de 2021.

O Al Hilal ainda aceitou ceder 30% sobre a mais valia. Ou seja, o Peixe receberia uma parte do excedente de uma venda futura do venezuelano. Se a oferta aceita pelos árabes for de 8 milhões de dólares, por exemplo, o Alvinegro ganharia 30% de 1 milhão de dólares (300 mil dólares) – a diferença do que topou vender.

A proposta do Al Hilal foi encaminhada ao Conselho Fiscal na última quinta-feira. E o órgão deu parecer positivo à venda. Os conselheiros se reunirão para aprovar ou não a negociação em reunião virtual na próxima quarta. Se a maioria dos santistas disser “não”, a transação pode ser desfeita.

Há também detalhes pendentes entre Soteldo e Al Hilal. Os árabes sugeriram 2 milhões de dólares (R$ 11 mi) por ano, quase R$ 1 milhão por mês. Há ainda uma comissão de 2 milhões de dólares (R$ 11,3 mi). A pessoas próximas, o venezuelano mostrou receio em ir para a Arábia Saudita.

“Aos amigos da Associação Terceira Via Santista de Guarulhos, amigos associados torcedores do Peixe. Vou tentar ser breve sobre essa situação do Soteldo, que é muito incômoda. A maioria me conhece há muitos anos. O Orlando Rollo torcedor quer que o Soteldo fique, é peça fundamental no nosso time e sou fã como jogador, joga muito. Mas Rollo gestor tem que pagar as contas, gerir o clube com seriedade e trazer credibilidade no mercado. Temos que pagar as contas. O ex-presidente afastado, que me recuso a citar o nome, antecipou todas as receitas do ano. Não temos nenhum recebível substancial até o fim do ano. Não temos dinheiro no caixa para pagar salário de novembro e dezembro. Ou negociamos Soteldo por 7 milhões de dólares ou daqui a dois meses, no máximo, sem pagar salários e imagens, ele sai de graça. Ele e outros jogadores. Vamos perder todo mundo de graça. Não acho que é um valor justo, não, mas é a proposta que tem. Essa é a pior janela. Só está aberta para o mundo árabe. É a proposta que temos. E não é muito diferente do Atlético-MG, quando ofereceram 12 milhões de dólares. A taxa cambial naquela época valia 50 milhões de reais. Hoje 40 milhões de reais. Houve desvalorização em período de um ano também. Não tem grande diferença. Ou a gente vende agora ou não temos como pagar salários mês que vem”, disse Orlando Rollo.

“Conversei com o professor Cuca, que fazia questão do Soteldo, mas ele entendeu. Mostrei as contas e ele concordou na hora. Ou vende ou não pagamos salários. A gente espera com esse valor pagar Huachipato e Atlético Nacional. Temos que pagar dívidas, temos que sair da questão da Fifa. Temos que tirar o Santos da proibição de registrar jogadores. Eu vou tranquilizar vocês: estou vendo opções para ele ficar até fevereiro. Nada está descartado, estamos correndo para outros caminhos. Mas a situação de hoje é a venda. Ou vendemos ou não pagamos as contas. Não vou mentir para torcedor. Tenho que ser realista. Ou vendemos Soteldo ou perderemos ele e outros atletas. Deixaram Santos em situação de penúria. Temos que pensar com a cabeça e com o cérebro, e não com o coração. Tenho que ser gestor e não torcedor neste momento”, completou.

Imbróglio com o Huachipato

O Santos tem 100% dos direitos econômicos de Soteldo, mas não pagou um real sequer por eles ao Huachipato do Chile. O caso está na Fifa e no TAS (Tribunal Arbitral do Esporte).

O Peixe prometeu adquirir 50% dos direitos em 2019 por 3 milhões de dólares. Quando o Atlético-MG fez proposta neste ano, o Alvinegro se comprometeu a pagar os 50% atrasados mais os demais 50% por 6 milhões de dólares. O total, com juros e correção, está em quase 12 milhões de dólares (R$ 67,7 mi).

A Fifa, porém, só deu causa ao Huachipato na primeira dívida, de 3 milhões de dólares do ano passado. O valor desse débito, com multa e juros, está em quase R$ 20 milhões. O Santos busca acordo com o clube chileno. Não houve avanço após um primeiro contato oficial entre as diretorias por meio de videoconferência.

Se pagar R$ 20 milhões ao Huachipato e R$ 5 milhões ao Atlético Nacional, da Colômbia, por Felipe Aguilar, o Santos acabaria com as duas pendências atuais na Fifa e estaria liberado novamente para inscrever jogadores.

O Huachipato, em contrapartida, está otimista por vitória nos próximos dias no TAS para forçar o Santos a pagar toda a dívida.