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Podcast: O treinamento funcional por valências físicas

Angelo Binder conversa com treinador Diogo da Silva, da Equipiazza, sobre o treinamento por valências. Você sabe o que é?

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Angelo Binder Conteúdo Comando News
Podcast: O treinamento funcional por valências físicas
Letícia Saltori na Maratona de Porto Alegre de 2019 Foto: Marcos Paulo Espírito Santo

6 de agosto de 2020 - 08:18 - Atualizado em 6 de agosto de 2020 - 08:24

Neste episódio, Angelo Binder conversa com treinador Diogo da Silva, da Equipiazza, sobre o treinamento por valências. Você sabe o que é? Sabe quais são elas? Então ouça o podcast.

Ouça “O treinamento funcional por valências físicas” no Spreaker.

A Equipiazza criou um desafio chamado We Are One com reflexo da pandemia, registro de uma fase em que nossas atitudes refletem de maneira positiva ou negativa na vida de outras pessoas, agora SOMOS UM! O Desafio é de 8 semanas, em que  cada semana foi trabalhado uma valência física nos CHALLENGES, em horários específicos. 

Valências físicas, também chamadas de qualidades físicas, capacidades motoras, capacidades físicas entre outras denominações, são aptidões potenciais físicas de uma pessoa, definindo os pressupostos dos movimentos desde os mais simples aos mais complexos. Conceituadas como todo atributo físico treinável num organismo humano. Em outras palavras, são todas as qualidades físicas motoras passíveis de treinamento, comumente classificadas em diversos tipos: força, resistência, velocidade, agilidade, coordenação, flexibilidade-mobilidade e equilíbrio.

As valências físicas em detalhes: 

A atleta internacional Letícia Saltori é uma das técnicas responsáveis pelos treinamentos da Equipiazza. Ela preparou para o Corra Mais,  um material explicando cada uma delas e suas funções. 

As valências físicas são determinadas geneticamente. Todos os seres humanos nascem aptos a desenvolver estas capacidades (por isso aptidões em potencial), algumas com maior potencial que outras para os limites desse desenvolvimento. Portanto, todos nascem com uma capacidade de gerar força, resistência, por exemplo. Mas as habilidades motoras são movimentos aprendidos que dependem do treinamento.

Resistência Geral: É um dos componentes básicos do rendimento desportivo, podemos definir como a capacidade que permite: Resistir psíquica e fisicamente à instalação da fadiga, diminuindo assim o risco de lesões, já que muitas estão associadas à fadiga, recuperar rapidamente dos efeitos do treino ou competição, realizar esforços de intensidade diversa, sob fadiga, suportar o ritmo da atividade até ao final, mantendo um nível de execução técnica elevado durante todo o exercício. 

Resistência Aeróbia: É a capacidade do indivíduo em sustentar um exercício que proporcione um ajuste cardio respiratório e hemodinâmico global ao esforço, realizado com intensidade e duração aproximadamente longas,em que a energia necessária para realização desse exercício provém, principalmente, do metabolismo oxidativo – o sistema oxidativo impõe considerável demanda sobre a capacidade do organismo de liberar oxigênio aos músculos ativos. 

Resistência Anaeróbia: A qualidade física que permite um atleta a sustentar o maior tempo possível uma atividade física numa situação de débito de oxigênio. É a capacidade de realizar um trabalho de intensidade máxima ou submáxima com insuficiente quantidade de oxigênio, durante um período de tempo inferior a três minutos.

Resistência Muscular Local (RML): É a qualidade física que permite o atleta realizar no maior tempo possível a repetição de um determinado movimento com a mesma eficiência. Sendo a capacidade do músculo em trabalhar contra uma resistência moderada durante longos períodos de tempo. Ela propicia uma adaptação anatômica primária nas estruturas musculares, visando o trabalho de força que virá posteriormente. 

Força: É a capacidade de exercer tensão contra uma resistência. Pode ser dividida em:

Força Máxima: A força máxima (Fmáx.) é a maior tensão que pode ser executada, voluntariamente, pelos músculos numa determinada posição, ou seja, é o valor mais elevado de força que o sistema neuromuscular de um indivíduo consegue desenvolver com uma contração máxima. É uma capacidade que serve de base ao desenvolvimento das outras formas de manifestação de força, sendo calculada, através da quantidade máxima de peso/força numa repetição única (1 repetição máxima – 1 RM).

Força Dinâmica: É o tipo de qualidade na qual a força muscular se diferencia da resistência produzindo movimento, ou seja, é a força em movimento. Na maioria dos casos de treinamento esta qualidade física é desenvolvida nas fases de preparação física geral. Pode ser chamada também como força isotônica. A força dinâmica pode dividir-se em dois subtipos: Força absoluta, que é o valor máximo de força que uma pessoa pode desenvolver num determinado movimento; Força relativa, que é o quociente entre força absoluta e o peso corporal da pessoa. Contrações dinâmicas são aquelas em que o comprimento dos músculos varia, onde os movimentos articulares são visíveis e são definidas como isocinéticas, concêntricas e excêntricas.

Força Estática: Ocorre quando a força muscular se iguala à resistência não havendo movimento. É a força que explica o fato que ocorre a produção de calor, mas não ocorrendo o movimento, é também conhecida como força isométrica. Se a resistência não apresenta mudança articular, a contração dos músculos é estática também classificada como isométrica. A força estática não está evidente em muitos desportos e sim em situações especiais das disputas onde ocorrem oposições para os gestos específicos da modalidade.

Força Explosiva: É a capacidade que o atleta tem de exercer o máximo de energia num ato explosivo. Pode ser chamado também de potência muscular. A força explosiva deve ser considerada em treinamento desportivo como força de velocidade, exigindo assim que os movimentos de força sejam feitos com o máximo de velocidade. Aconselha-se à força explosiva, um trabalho precedente de coordenação de domínio do corpo, sendo que, após o mesmo, empregar pequenas cargas com uso de medicinebol, sacos de areia, pesos leves, entre outros, pela necessidade de não perder-se velocidade de movimentos, além do uso de pequenas cargas possibilitar um maior número de repetições de exercícios.

Velocidade: É uma capacidade inata de executar movimentos cíclicos na mais alta velocidade individual possível. Depende das conexões neurológicas e da quantidade de fibras de contração rápida presentes na musculatura. Estas qualidades são determinadas geneticamente. Todos podem melhorar significativamente a sua velocidade, porém, somente o indivíduo bem dotado nesse sentido conseguirá obter resultados superiores. É, por exemplo, de vital importância nos atacantes de qualquer desporto.

Velocidade de Reação: Rapidez com a qual uma pessoa é capaz de responder a um estímulo (visual, auditivo ou tátil). Tempo requerido para ser iniciada a resposta a um estímulo recebido. A Reação a estímulos pode ser de dois tipos: Reação Simples e Reação Complexa. No futebol, a velocidade raramente se apresenta na sua forma pura, mas sim associada à força rápida, à resistência e às capacidades coordenativas. 

Velocidade de Resistência: Resulta da combinação da velocidade e da resistência e podemos defini-la como capacidade de realizar ações frequentes e repetidas, durante a atividade, à máxima velocidade. Objetivando o aumento da capacidade para produzir energia através do sistema anaeróbio de forma rápida e contínua e acelerando a recuperação após a realização de exercícios de elevada intensidade.

Velocidade de Deslocamento: É a forma de manifestação da velocidade que permite percorrer o máximo espaço na unidade de tempo ou a capacidade máxima de uma pessoa deslocar-se de um ponto a outro. Depende em grande parte do dinamismo dos processos nervosos atuantes no sistema motor e que tem como variáveis principais as fibras de contração rápida. Pode-se considerar a velocidade de movimentos dependendo de três fatores: amplitude de movimentos, força dos grupos musculares como fatores coadjuvantes, eficiência do sistema neuromotor como fator básico. 

Flexibilidade: É uma qualidade física evidenciada pela amplitude dos movimentos das diferentes partes do corpo num determinado sentido e que depende tanto da mobilidade articular como da elasticidade muscular. É a capacidade de realizar movimentos em certas articulações com amplitude de movimento apropriada. Os exercícios exigem um músculo estirado ou em extensão, que deve ser máxima, desde sua origem até o seu ponto de inserção. A musculação pode limitar a flexibilidade, mas, se combinado com o trabalho de força, esse prejuízo pode ser evitado, já que sabe-se que não existe impedimentos para a coexistência entre flexibilidade e hipertrofia muscular nas mesmas zonas corporais. O calor auxilia muito o trabalho de flexibilidade. O treinamento da flexibilidade deve ter sessões frequentes, sempre seguido de um aquecimento. Quando for constatado o aparecimento de dores, deve-se interromper as sessões para que não ocorra qualquer tipo de lesão mais séria. O bom desenvolvimento da flexibilidade facilita o aperfeiçoamento da técnica do desporto em treinamento, dá condições de melhora na agilidade, força e velocidade, auxilia como fator preventivo contra lesões e contusões, entre outros, e provoca um aumento na capacidade mecânica dos músculos e articulações, ocorrendo assim, um aproveitamento econômico de energia durante o esforço.

Flexibilidade Estática: Ocorre quando se mantém uma determinada posição durante um certo tempo. Está relacionada com a amplitude do movimento sem ênfase na velocidade (flexão do tronco à frente, de forma lenta, tocando no chão com a ponta dos dedos). 

Flexibilidade Dinâmica: Quando há uma mobilização, normalmente brusca dos segmentos corporais e com retorno quase imediato à posição inicial. Relaciona-se com a capacidade para conseguir uma determinada amplitude de movimento a uma certa velocidade. 

Coordenação (destreza) Motora: São capacidades que permitem coordenar os gestos motores mais complexos, utilizar racionalmente as habilidades motoras adquiridas e adaptá-las rapidamente às novas situações, permitindo executar movimentos de forma coordenada, eficaz e precisa, tanto em situações previsíveis como imprevisíveis. As capacidades coordenativas dizem respeito aos processos de organização, controle e regulação do movimento, ajudando no domínio de situações que exigem uma resposta rápida (reação motora) e racional, constituem a base de uma boa capacidade de aprendizagem, permitem identificar a posição do próprio corpo, ou parte dele, numa relação espaço-temporal, possibilitando uma economia de energia, já que, mais depressa e eficazmente poderão ser aprendidos movimentos novos ou difíceis, aumentando o equilíbrio mesmo em situações complexas, possibilitando a execução de gestos motores ou técnicos de acordo com ritmos predeterminados.

Agilidade: Habilidade que se tem para mover o corpo no espaço. Habilidade do corpo inteiro, ou de um segmento, em realizar um movimento, mudando a direção, rápida e precisamente. Requer uma combinação de várias qualidades físicas e embora dependa da carga hereditária, pode ser bastante melhorada com o treinamento.

Equilíbrio: É a qualidade física conseguida por uma combinação de ações musculares com o propósito de assumir e sustentar o corpo sobre uma base, contra a lei da gravidade.

Equilíbrio Estático: É o equilíbrio conseguido numa determinada posição, e não deve ser treinado em separado nas sessões de preparação física devendo fazer parte dos treinos dos gestos técnicos específicos do desporto visado;

Equilíbrio Dinâmico: É o equilíbrio conseguido em movimento e que depende do dinamismo dos processos nervosos, e seu desenvolvimento é obtido pela aplicação de exercícios técnicos do desporto em treinamento, podendo ser trabalhado juntamente com os fundamentos técnicos da modalidade; 

Equilíbrio Recuperado: É quando ocorre o deslocamento do corpo, acompanhado de uma fase aérea seguida da recuperação, ou seja, perde-se momentaneamente o contato da base de apoio do solo ou do aparelho. É uma valência física característica do final dos saltos em distância e triplo (atletismo), saídas da barra fixa, trave de equilíbrio, ginástica artística, etc.