Bastidores

Corinthians se desvincula de vídeo em que Marcelinho entrega camisa do clube ao presidente Bolsonaro

Gazeta
Gazeta Esportiva

29 de julho de 2020 - 15:25 - Atualizado em 29 de julho de 2020 - 16:15

Um vídeo de Marcelinho Carioca ao lado do presidente Jair Bolsonaro, ambos trajados com a camisa do Corinthians, foi divulgado nas redes sociais na tarde desta quarta-feira e, rapidamente, gerou polêmica. O assunto, inclusive, entrou nos trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter.

A Gazeta Esportiva procurou dirigentes do clube e a posição é de que o Corinthians não tem qualquer relação com o ato promovido por um dos maiores ídolos da instituição.

À reportagem, foi destacado que Marcelinho sequer tem vínculo contratual com o Timão e que ninguém, dentro do clube, foi avisado da intenção de entregar uma camisa ao líder do poder executivo.

Marcelinho Carioca tem, sim, vínculo profissional com o Banco BMG, principal patrocinador corintiano. É por isso que o ex-atleta tem participado de ações de marketing que contemplam a parceria.

Ainda assim, a ideia de presentear Bolsonaro com uma camisa do Corinthians foi do próprio Marcelinho, e não do banco.

Após a publicação desta matéria, tanto o clube como o banco se manifestaram por meio de notas oficiais que confirmaram a apuração da reportagem (leia, abaixo).

O que rolou

O vídeo em questão foi gravado no Palácio do Planalto, em Brasília.

“Nação corinthiana, está aqui, o nosso presidente, Jair Messias Bolsonaro, com a camisa do Coringão. Isso é democracia. Isso é defender a MP (Medida Provisória) do futebol, isso é valorizar o futebol feminino, #respeitaasminas. Você vê? Isso que é lindo! É palmeirense, mas ele quer que todos os clubes tenham a liberdade de fazer os seus jogos, poder trazer os craques do futebol de volta para o nosso país e abrilhantar o futebol. Presidente, que honra o senhor me receber aqui”, disse o ex-jogador, empolgado.

“Honra toda minha, Marcelinho. Obrigado ai”, respondeu Bolsonaro, aos risos.

Críticas

Além do atual presidente da república admitir ser torcedor do Palmeiras, arquirrival do Corinthians, o clube alvinegro e grande parte de seus torcedores se orgulham do movimento intitulado como “Democracia Corinthiana”, liderado por Sócrates em meio a ditadura militar, regime tantas vezes elogiado por Jair Bolsonaro.

Dentro deste cenário de incompatibilidade política, Marcelinho Carioca se tornou alvo de muitas críticas nas redes sociais. Nem mesmo a idolatria que o Pé de Anjo detém foi capaz de amenizar os ânimos de torcedores do Corinthians.

Mundo político

Entre 2010 e 2018, Marcelinho Carioca buscou um cargo público. Foi candidato a deputado federal em 2010 e candidato a vereador de São Paulo em 2012, ambos pelo PSB. Em 2014, se lançou a deputado estadual pelo PT, justamente o partido de maiores divergências com Jair Bolsonaro. Já e 2016, pelo PRB, buscou novamente ser vereador, desta vez pelo PRB.

Sem sucesso nas tentativas, Marcelinho Carioca abandonou a política, se formou jornalista e passou a se dedicar como comentarista esportivo.

Nota oficial do clube

Após a divulgação desta matéria, o Corinthians também se posicionou por meio de uma nota oficial:

O Sport Club Corinthians Paulista torna público que não teve qualquer participação na iniciativa do ex-jogador Marcelinho Carioca, em Brasília. A entrega da camiseta nesta quarta, na Presidência da República, foi uma ação única e exclusiva do ex-atleta.

Cabe ressaltar que a nova camisa do clube, com o logotipo do patrocinador BMG em preto e branco, já havia sido amplamente divulgado em evento na Arena Corinthians em 11/7.

Por fim, o Corinthians se mantém fiel às suas tradições, respeitando todas as correntes políticas e coerente com suas origens de clube de todos os brasileiros.

Nota oficial do BMG

Mais tarde, o Banco BMG também fez questão de se manifestar de maneira oficial e, assim como o Corinthians, se colocou alheio ao ato de Marcelinho Carioca. Leia, abaixo, a nota enviada à Gazeta Esportiva:

O Banco BMG esclarece que o encontro particular entre o ex-atleta Marcelinho Carioca e o presidente Jair Bolsonaro não tem qualquer relação com a instituição.

A camisa oferecida pelo ex-jogador ao presidente não foi cedida pelo Banco, que também não possui ligação com qualquer tema abordado durante a reunião.

A instituição informa, também, que o vínculo com o ex-jogador foi formalizado tão somente para a participação dele em campanhas pontuais realizadas pelo Banco.

Cabe ressaltar que a campanha #BMGEmPretoEBranco continua e a camisa apresentada no vídeo também não possui nenhum vínculo com a ação.