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Corinthians desiste de revolução filosófica após menos de um ano

Gazeta
Gazeta Esportiva

14 de outubro de 2020 - 08:00 - Atualizado em 14 de outubro de 2020 - 08:30

O Corinthians começou a temporada de 2020 com a proposta de fazer uma grande mudança de filosofia de jogo sob a batuta do técnico Tiago Nunes. No entanto, pouco mais de dez meses depois da apresentação do treinador, o Timão agora segue o caminho inverso com Vagner Mancini.

A equipe alvinegra adotou um estilo característico a partir de 2008, com mais atenção a parte defensiva, quando Mano Menezes foi contratado para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. Desde então, o clube do Parque São Jorge passou a encher ainda mais a sala de troféus.

Com Mano, o Corinthians conseguiu o acesso à Série A, o Paulistão de 2009 e a Copa do Brasil do mesmo ano. Tite então apareceu para trazer dois Brasileiros, um Paulista, a inédita Copa Libertadores, um Mundial de Clubes e uma Recopa Sul-Americana. Fabio Carille fechou o período vitorioso com um Nacional e o Tri-Estadual.

Apesar das mudanças de elenco, técnico e diretoria neste período, todas as campanhas vencedoras tiveram algo em comum: o padrão tático, com apenas algumas variações naturais.

Contudo, com a temporada ruim de 2018 (13º lugar no Brasileirão) e o desempenho abaixo do esperado em 2019, o Timão decidiu mudar. Carille foi dispensado para dar lugar a Tiago Nunes, técnico sensação do Athletico-PR,  e que assumiria em 2020 com o intuito de tornar a equipe mais ofensiva e mais participativa com a bola.

“Estamos confiantes que o Tiago já vai fazer um grande trabalho. Sabemos que existe um tempo para que o trabalho apareça e o Corinthians tem paciência com isso. Esperamos um futebol um pouco mais vistoso, um pouco mais agressivo, com mais intensidade. Já vemos essa mudança de postura, estamos bem confiantes, mas é lógico que tem que ter o resultado”, declarou o ex-diretor de futebol do clube, Duílio Monteiro Alves, em janeiro.

E os resultados realmente foram determinantes. Com a eliminação na fase preliminar da Libertadores, a campanha ruim no Campeonato Paulista (apesar do vice-campeonato) e o início difícil no Brasileiro, Tiago Nunes foi demitido com pouco mais de nove meses de trabalho.

Após Dyego Coelho comandar interinamente o Timão por sete rodadas, o substituto escolhido foi Vagner Mancini, que pretende buscar o resgate do que o Alvinegro mostrou na última década.

“No momento inicial, tenho de dizer que o Corinthians vai voltar a ser o Corinthians, com a marca Corinthians, não adianta querer mudar uma cultura, uma maneira de jogar. Obviamente que todo mundo tem o direito de tentar, mas no momento, onde a situação mostra pra gente que é importante estar focado e buscar nas suas raízes a tua maior força”, disse o novo treinador durante a coletiva de apresentação.

Com novo técnico, mas provavelmente uma velha filosofia, o Corinthians volta a campo nesta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), quando encara o Athletico-PR, na Arena da Baixada, em Curitiba. O Timão atualmente ocupa a 17ª colocação, a primeira da zona do rebaixamento, com 15 pontos.

“O que fica de lição é que em clubes como Corinthians, como em outros grandes, você primeiro tem que pensar no resultado, entregar uma razão pública sobre o trabalho, para depois pensar nas relações internas, construções. Não é uma crítica ao Corinthians, e sim ao futebol brasileiro”, afirmou Tiago Nunes em entrevista à Espn Brasil, no dia 6 de outubro