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Centroavante brilha na Ásia após treinar como lateral no Santos: “Diretoria escolhe quem mais a beneficia”

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Centroavante brilha na Ásia após treinar como lateral no Santos: “Diretoria escolhe quem mais a beneficia”

27 de fevereiro de 2021 - 10:00 - Atualizado em 27 de fevereiro de 2021 - 10:15

Léo Souza foi anunciado nesta semana pelo Shandong Luneng, um dos maiores times da China, para um contrato de cinco anos sob o valor de 2 milhões de dólares (R$ 11,2 mi). E o reconhecimento na Ásia não ocorreu no Brasil.

O centroavante passou por Santos e Corinthians sem se firmar. No Japão, foi artilheiro pelo Urawa Reds, Albirex Niigata e Gainare Tottori e agora será companheiro de Moisés e Roger Guedes na China.

Léo tem 23 anos e manteve boa média de gols no Japão. No Gainare Tottori, foi artilheiro da terceira divisão do Japão com 23 gols em 31 jogos. No ano seguinte, foi o maior goleador da segunda divisão, com 28 gols em 38 partidas pelo Albirex Niigata. Ele se tornou o único na história da liga a ser quem mais fez gols por dois anos seguidos.

Em 2020, no Urawa Redes, já na primeira divisão, fez 13 gols em 29 jogos. Ele percorreu as três divisões antes de reforçar o Shandong na China. Ao todo, fez 65 gols em 99 partidas no Japão.

No Brasil, Léo Souza chamou a atenção na base do Santos e do Corinthians, mas não teve chances como profissional. Entre 2016 e 2017 no Peixe, fez 30 gols em 33 jogos pelo sub-20. Ainda em 2016, foi artilheiro da Copa RS e vice-artilheiro do Paulista da categoria.

No Corinthians, foi campeão Paulista Sub-17, em 2013, e Sub-20, em 2015. No Parque São Jorge, Léo também se destacou pelos gols, ao ser artilheiro de competições como a Copa do Brasil Sub-17, em 2014, a Copa BH Sub-17, em 2012, e a Copa Nike Sub-15, em 2012. Além de Peixe e Timão, atuou pelo Red Bull Brasil, em 2011, Ituano, em 2015 e 2016, e pelo Rio Verde-GO, em 2017.

A maior frustração no Brasil ocorreu no Santos, quando a alta média de gols não foi suficiente e ele chegou a treinar como lateral-direito sob o comando do técnico Dorival Júnior nas quatro participações em atividades entre os profissionais.

Na visão de Léo Souza, as decisões partirem de dirigentes e não de pessoas técnicas atrapalharam o desenvolvimento de jovens jogadores.

“Isso acontece porque no Brasil todos nós sabemos que apenas o bom futebol apresentado e também os bons números não adiantam. A diretoria hoje é quem escolhe. E escolhe por quem mais a beneficia de outras maneiras”, disse o atacante, em entrevista à Gazeta Esportiva, antes de admitir erros no Corinthians. No Parque São Jorge, teve problema de relacionamento com a comissão técnica e exagerou na vida noturna.

“No Corinthians, por erros meus. Tenho total consciência sobre isso depois de quase 10 anos. No Santos, foi a gestão do clube, que escolheu subir jogadores do sub-15 e os que não eram relacionados para os jogos no sub-20. Eu não conseguia entender. Tive uma das maiores médias de gols no Santos na categoria sub-20, que vivia um momento ruim e com poucos jogadores promissores. Fui forçado a ir para uma outra equipe, pois não me queriam nem no time B! Eles subiram os jogadores para o profissional antes da Copinha e eu, que era o destaque da equipe, fiquei. Me disseram que depois da Copinha eu iria para o profissional. Não foi o que aconteceu…”, completou.

Léo Souza, agora no Shandong Luneng (Foto: Divulgação)

Após superar a frustração no Brasil, Léo Souza não pretende retornar. A única vontade é jogar no Japão outra vez no futuro.

“Meu objetivo é ficar um bom tempo na China e depois poder voltar ao Japão. É um pais que eu amo e quero voltar para terminar o que comecei por lá”, afirmou.

Agente de Léo, Mauricio Chiodin vê recorrência do Santos em perder jovens com potencial.

“O Léo mostra a história de um jogador que acreditou no potencial e buscou seu espaço longe do Brasil. À época no Santos, era o artilheiro da categoria, com uma média de gols surpreendente. O fato de ser colocado para treinar até como lateral no profissional foi fora de qualquer normalidade. Que bom que ele soube provar isso rapidamente, em três temporadas no Japão. Isso não aconteceu só com ele na categoria. A gente vê exemplos como o Claudinho, hoje no Red Bull Bragantino, e do Igor Vinícius, no São Paulo. Os jogadores tiveram que buscar seus espaços em outros lugares e apresentarem seus potenciais”, avaliou.

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