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Advogada de Robinho diz: “Sou mãe, não estaria ao lado dele sem ter certeza da inocência”

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Advogada de Robinho diz: “Sou mãe, não estaria ao lado dele sem ter certeza da inocência”

12 de outubro de 2020 - 14:55 - Atualizado em 12 de outubro de 2020 - 15:30

Marisa Alija, advogada de Robinho, esteve no programa “Mesa Redonda”, da TV Gazeta, no último domingo, para repercutir o retorno ao Santos e as críticas de parte da torcida e imprensa.

Robinho é acusado de violência sexual em grupo e foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão. Ele recorre e ainda há outro “nível” para a sua defesa na Justiça Italiana. O crime teria ocorrido em 22 de janeiro de 2013. A sentença de 2017 relata que a vítima é albanesa e foi agredida pelo atacante e outros cinco homens.

“Imprensa se manifesta, na maioria das vezes, sem saber o que de fato acontece e precedentes jurídicos. Me causa um pouquinho de surpresa alguns colegas depois do vídeo publicado (no Instagram) vindo a mim dizer que não sabiam da condenação só em primeira instância e sem ordem de prisão. Falei com sinceridade. Pessoas precisam estudar, principalmente quando não dominam uma informação. Porque são formadoras de opinião. Uma vida pode acabar por notícias mentirosas”, disse Marisa Alija.

“Tenho escutado muita coisa da própria imprensa, principalmente pela ala feminista, que acha que eu devo me manifestar de forma favorável a uma mulher, independentemente de ela estar certa ou errada. Como profissional, tenho que atuar de acordo com a lei. A ala jornalística tem que atuar com imparcialidade, como aprendeu na faculdade. Precisam saber o que acontece para se manifestar, com isenção. Fica difícil até explicar porque pessoas não querem entender, estão na fase da lacração. E eu, como mulher estabelecida na área, com carreira formada, não estaria ao lado dele sem ter certeza da inocência dele. Conheço o processo de perto. Sou mãe, não defenderia alguém com envolvimento direto ou indireto em um crime desse”, completou a advogada.

O Mesa Redonda também ouviu o jurista Walter Maierovitch sobre a situação.

“O primeiro ponto é uma conquista civilizatória, da humanidade. Não estou aqui para falar da vida do Robinho ou se Santos deveria contratá-lo ou não, só questão jurídica. Estou falando do princípio da presunção da inocência. Esse princípio está presente na constituição italiana de 1948 e na brasileira, que copiou a italiana na particular. Todos são presumidamente inocentes até que a culpa seja afirmada e confirmada por uma sentença que não caiba mais recurso, um trânsito em julgado. Trazendo esse princípio ao caso Robinho: ele é presumidamente inocente e não podemos antecipar a culpa. Se participou… A Justiça Italiana ainda não decidiu definitivamente”, disse Walter Maierovitch.

“O 1º grau, na Itália é um colegiado, um tribunal com participação popular. Concluiu pela procedência da ação em relação ao Robinho e outros. Robinho recorreu ao Tribunal de Apelação. E qual a regra? Foi admitido a recorrer em liberdade. Mais do que isso, não existe no momento uma ordem de prisão contra ele. E levando o dado adiante: no Brasil, jamais, por força da nossa constituição, se ele for condenado definitivamente, jamais ocorrerá sua extradição do território brasileiro para a Itália. Constituição brasileira não permite a extradição de nacionais natos, completou.

O jurista ainda fez um paralelo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Abomino o crime de estupro, um crime hediondo. Não entro no mérito se cometeu, coautor ou responsável. Apenas dou encaminhamento jurídico. Se a gente quiser fazer um paralelo, podemos falar do ex-presidente Lula. Impôs-se uma prisão antecipatória por julgamento em segundo grau e STF pegou princípio da presunção de inocência para dizer que não. Que não pode prender alguém sem motivo só pelo fato de ter sido condenado”, concluiu.

Robinho foi contratado pelo Santos até fevereiro de 2021, com possibilidade de renovação para 2022. Ele tem 36 anos.

(Foto: Divulgação/Santos)