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Rumo ao Alasca, casal de São Paulo vende tudo e vive na estrada com seu cão Chopp

Trio, a bordo de sua caminhonete, está conhecendo a região Oeste do Paraná; eles contaram um pouco da história, por trás da expedição “Um Chopp Pelo Mundo”

Aline
Aline Cristina / Repórter
Rumo ao Alasca, casal de São Paulo vende tudo e vive na estrada com seu cão Chopp

17 de setembro de 2021 - 09:09 - Atualizado em 17 de setembro de 2021 - 09:53

A não adaptação em viver na capital São Paulo e desencadear de um quadro de ansiedade mudaram a rotina de um casal, que vendeu tudo para “viver na estrada” junto com seu cão Chopp, um Golden Retriever. Essa é a história da expedição “Um Chopp Pelo Mundo.”

Thalia Cordeiro Pinheiro é formada em Turismo, especialista em relações internacionais e Vinicius Ferreira Borges Estrela, é formado em direito, atuante na carreira de gestão de contratos, no ramo de refinarias. 

Os dois se conheceram em Maranhão, cidade de Natal de Thalita  no ano de 2006, de lá para cá construíram uma história e aumentaram a família com a chegada de Chopp.

“Eu e Vinicius temos união estável e estamos juntos há 12 anos. Nos conhecemos em São Luís, capital do Maranhão, minha cidade natal, no qual Vini foi em 2006 a trabalho.”

De lá, começamos a morar juntos e nos mudamos para São Paulo quando eu fui transferida para o trabalho. Chopp entrou em nossas vidas no meio de São Paulo – atualmente, ele tem 05 anos de idade e está conosco desde os 2 meses de vida.”

Mesmo tendo uma vida financeiramente estável, algo faltava e a ideia de “pegar a estrada”, foi surgindo aos poucos, conforme a rotina do casal na capital paulista ficava cada vez mais insatisfeita.

“Morávamos em São Paulo, eu (Thalia) trabalhava full time e tinha pouco tempo para fazer outras coisas, principalmente aquelas que gostava. Vinicius não se adaptou muito bem à vida em São Paulo e começou a adoecer, desenvolvendo um quadro de ansiedade. Nosso escape e nossa motivação para fazer coisas diferentes sempre foi o Chopp, que nasceu em São Paulo e entrou em nossas vida por lá. Assim, pouco a pouco, chegamos à conclusão de que não estávamos felizes com aquela vida. Tínhamos uma vida financeira confortável, mas não tínhamos tempo e disposição para usufruir. Então, nos espelhamos em outros viajantes que já fizeram este tipo de viagem.”

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

Para realizar a expedição “Um Chopp Pelo Mundo” o casal abriu mão de todos os seus bens, inclusive, o apartamento em que moravam. A vida deles foi descompactada para caber dentro de uma caminhonete, veículo que se tornou o lar do trio.

“Fazemos este rolê em uma caminhonete. E dentro dela temos: nossas roupas, uma mini cozinha, mantimentos, nosso equipamento de camping, roupas de cama e banho e alguns materiais de camping. Quando estamos em camping, temos tudo que precisamos para nos alimentar e dormir, mas a maior parte do tempo alugamos uma estadia nos AIRBNB (que é uma plataforma de aluguel de quartos, apartamentos diretamente pelos donos). Assim, nosso custo de hospedagem se torna menor e temos chance de negociação. Ao começar a jornada, nós separamos uma quantia em dinheiro para nos mantermos, portanto, temos um orçamento mensal e nossos custos precisam se encaixar dentro do mesmo.”

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

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Atualmente Vinícius Thalia e Chopp, não tem residência fixa, na verdade ela está sob quatro rodas, rodas essas que já passaram por várias cidades e alguns países. A última estadia da expedição está sendo onde há terra vermelha, no Oeste do Paraná. O trio está conhecendo uma das sete maravilhas do mundo, as Cataratas do Iguaçu e todos os atrativos que a cidade da Fronteira tem a oferecer.

“ Conhecemos algumas cidades do Paraná, incluindo Guarapuava, Jaguariaíva, Curitiba e Ponta Grossa. Nossas favoritas são aquelas que a natureza é muito presente. Esta é sempre nossa preferência, principalmente por causa do Chopp, que requer que a gente gaste muita energia dele, pois ele é muito grande. Ademais, também fazemos questão de acampar de vez em quando, então é sempre melhor acampar em locais com bastante natureza. Gostamos muito do estado do Paraná, por nos oferecer muita coisa que usamos no dia a dia, além da organização do estado – nosso único desagrado foi o preço dos pedágios.”

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

E falando em Chopp, o cão que é de porte grande, além de ter muita energia para gastar, também tem uma história por trás do seu nome, claro, relacionado a uma coisa, que o casal gosta e que traz novas histórias em cada parada.

“ Chopp foi batizado assim porque beber cerveja sempre foi algo que gostamos de fazer – até hoje. É nossa bebida alcoólica preferida e, de nossas experiências, sempre vem acompanhada de boas risadas, amigos e uma gelada rs. Amamos sair para conhecer outras cervejas – seja em cervejarias mesmo, ou sentados em “casa” apenas batendo papo”.

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

De subidas e descidas, retas e curvas, o casal percorreu 12.400 quilômetros de estradas. Foram 33 cidades dentro do Brasil e cidades do Paraguai.

“Já estivemos com  o Chopp na Argentina e Uruguai, mas isso em 2018. Foi como uma viagem teste. Além das pequenas cidades, estivemos em Punta de Leste, Montevidéu, Buenos Aires. Até chegarmos no ALASKA, nossa estimativa é de rodarmos um total de 60.000km, contando com a volta.”

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

O destino é certo, mas por onde vão passar, quanto tempo vão ficar e como irão se hospedar é incerto. Thalia conta que no começo havia um planejamento, mas durante o percurso perceberam que o inesperado é melhor que o planejado.

“Algo que já notamos é que quando você não se torna refém do seu planejamento, muita coisa acontece e o mundo acaba te surpreendendo! Então, a priori seria 2 anos, mas estamos abertos ao universo.Nossa jornada tem a ver com viver mais simples, mudar  nossas perspectivas e ampliar nossos leques de vivências.”

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

Thalia trabalhava na ONG internacional chamada Plan International, com todo processo e departamento de captação de recursos para a ONG. Tinha uma rotina “comum” e trabalhava de 9h às 18h, mas sempre chegava em casa muito mais tarde. Vinicius trabalhou numa refinaria e tinha uma rotina ainda mais puxada pois era PJ (Pessoa Jurídica), então estava ainda mais disponível para a refinaria. O casal planeja ficar na estrada por dois anos, com a média de um mês em cada país. Mesmo com ponto de chegada, já definido, o casal não pretende voltar mais à rotina de trabalho que tinha antes.

(Foto: arquivo pessoa)

“Uma das poucas certezas que temos é de que não queremos mais ter essa rotina quando voltarmos”.

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

A  pandemia atrasou um pouco os planos do casal, assim como o diagnóstico positivo de Covid, no fim do ano passado, mas diante do cenário vivido por eles acompanhado de Chopp, uma bela mensagem de aprendizado e evolução foi descoberta “quebrar o que é dito como normal”.

“A pandemia veio para reforçar aquilo que já acreditávamos – queremos quebrar o que é dito como “normal”. Queremos desmistificar estas mensagens que ouvimos a vida inteira, desde que nascemos – que precisamos ser alguém na vida criando uma carreira, tendo dinheiro e consumindo coisas. E tudo isso, sendo apenas duas pessoas comuns, muitos provavelmente igual você e muita gente que vai ler esta matéria. Não queremos nos tornar gurus de ninguém, tampouco insinuar o que é certo ou errado – mas sim, demonstrar que há lições de vida e outras formas de viver em diferentes contextos. Uma vida simples, nem sempre feliz (pois também temos nossos altos e baixos nesse estilo de vida), mas com certeza mais satisfatória para nós.”

Thalia Cordeiro Pinheiro – turismóloga

Para acompanhar a jornada desse trio um site foi criado. Além disso, uma página do Instagram é abastecida com cada estadia diferente.