Cinema & Filmes

Robert Downey Jr revive o famoso veterinário que conversa com os animais

Após viver o bilionário Tony Stark no último filme dos Vingadores, ator se junta a amigos bichos para salvar a Rainha Victoria

Abonico
Abonico Smith / Jornalista e professor especializado em arte, cultura e entretenimento Texto original de Janaina Monteiro, do Mondo Bacana
Robert Downey Jr revive o famoso veterinário que conversa com os animais
John Dolittle (Robert Downey Jr) em cena de Dolittle (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

21 de fevereiro de 2020 - 00:00 - Atualizado em 21 de fevereiro de 2020 - 00:00

Cotação: ★★½

A vida e carreira de Robert Downey Jr, um dos atores mais queridos e respeitados de Hollywood, é dividida entre antes e depois do filme Na Companhia do Medo, de 2003. Downey já estava pra lá do fundo do poço, devido a diversas prisões por consumo de todo o tipo de droga (vício incentivado pelo pai diretor de cinema!), quando foi convidado para atuar com Halle Berry. Durante as gravações, ele conheceu a pessoa que o salvaria da desgraça, a sua verdadeira heroína: a produtora Susan Levin. Outro divisor de águas na carreira de Downey foi, obviamente, o convite para estrelar O Homem de Ferro, numa época em que a Marvel havia pedido falência. O diretor Jon Favreau apostou na semelhança entre Downey e o personagem Tony Stark. No fim das contas, como que ressurgindo das cinzas, o ator é hoje um dos mais bem pagos de Hollywood. Depois de se despedir nas telas do herói bilionário no último filme dos Vingadores, Downey decidiu se aventurar na área infantojuvenil ao interpretar o médico-veterinário inglês John Dolittle, que desenvolveu a habilidade incomum de se conectar com animais ao ponto de conversar com os bichos.

A personagem é baseada numa série de livros do britânico Hugh Lofting (que criou o personagem para dar notícias aos filhos das trincheiras da Primeira Guerra Mundial) e ganhou algumasadaptações para o cinema. A primeira em 1967, em O Fabuloso Dr. Dolittle, com Rex Harrison no papel do veterinário. A comédia musical fez bastante sucesso na época. Foi indicada ao Oscar de melhor filme e premiada nas categorias efeitos especiais e canção. Quase trinta anos depois, Eddie Murphy, um dos melhores comediantes de todos os tempos, incorporou a personagem nos primeiros dois filmes da franquia Dolittle. Nestas comédias, evidentemente escrachadas, Eddie contracenava e conversava com animais de pelo e osso, seja trocando uma ideia com um ratinho por telefone ou fazendo cirurgia em cães.

Agora vem o reboot Dolittle. A mais nova empreitada de Downey foi rodada com orçamento de 175 milhões de dólares, superior a todas as adaptações anteriores. Também pudera, já que o filme se trata de uma superprodução repleta de efeitos visuais extraordinários e uma técnica impecável, muito por conta do elenco de animais. As dublagens são feitas por um time de peso de Hollywood na versão original: Rami Malek (Freddie Mercury de Bohemian Rhapsody) faz uma voz aguda para um gorila medroso; Emma Thompson, que dispensa apresentações, é a arara Poly, um tipo de secretária de Dolittle;  Ralph Fiennes (O paciente inglês) dá vida à um tigre; Mario Cotillard faz a raposa; e Selena Gomez empresta sua voz a uma girafa maluca. Também estão no elenco live action atores consagrados como o espanhol Antonio Bandeiras, o britânico Jim Boradbent e o divertidíssimo ator galês Michael Sheen. Todos – animais e humanos – interpretam seus papéis com convicção. O problema está justamente em Downey, que atua com seu jeitão caricato e se esforça para imitar o sotaque de Gales. No final, parece um misto de seu personagem nos filmes recentes de Sherlock Holmes com o Jack Sparrow de Johnny Depp, em Piratas do Caribe.

A impressão é a de que o filme se trata de um projeto pessoal de Downey, que, além de protagonista, assina a produção executiva ao lado da mulher Susan (Downey chegou a contar numa entrevista que mora numa antigo abrigo para cães e cavalos em Malibu e vive rodeado de animais!). Stephen Gaghan (que ganhou Oscar de roteiro adaptado por Traffic em 2001) está à frente do roteiro e da direção, mas claramente a história se firma sobretudo por conta dos efeitos especiais.

O roteiro, meio sem pé nem cabeça, tem um ponto positivo que busca proximidade com a história do livro A Viagem do Dr. Dolittle, de 1922. Por isso, a aventura se passa na Inglaterra vitoriana. Assim como num livro, a introdução em voice-over dá um resumo rápido de quem é o médico, seu apego aos animais e como ficou depressivo e se enclausurou em seu zoológico particular (aos moldes da Neverland de Michael Jackson) depois de perder o amor de sua vida, a mulher Lily, em um naufrágio. De repente, Dolittle é chamado às pressas para salvar nada menos que a jovem Rainha Victoria em pessoa (Jessie Buckley), envenenada aos poucos pelos seus súditos. Na companhia de um ajudante mirim e seus pacientes/amigos (mamíferos, aves, insetos), Downey parte para uma viagem rumo à ilha onde está o antídoto para salvar a rainha.

Apesar dos defeitos, se enxergamos o filme com os olhos de uma criança, Dolittle certamente é uma aventura fantástica. Principalmente porque carrega mensagens importantíssimas como respeito à natureza e amor ao próximo – e que às vezes é mais fácil se relacionar com bichos do que com humanos.

Dolittle (EUA/China/Reino Unido, 2020). Direção: Stephen Gaghan. Roteiro: Stephen Gaghan, Dan Gregor, Doug Mand, Chris McKay, Thomas Shepherd. Com Robert Downey Jr, ANtonio Banderas, Michael Sheen, Jim Broadbent, Jessica Buckley. Dublagem: Emma Thompson, Rami Malek, Octavia Spencer, Ralph Fiennes, Marion Cotillard, Selena Gomez, Tom Holland, Kumail Nanjiani. Universal Pictures. 101 minutos. Estreia nos cinemas brasileiros: 20 de fevereiro.

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