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As dez músicas mais importantes da carreira solo de Michael Jackson

Confira as dez músicas de Michael Jackson mais importantes em sua carreira solo. Entre elas: Thriller, Billie Jean, Bad e Beat It

Abonico
Abonico Smith / Jornalista e professor especializado em arte, cultura e entretenimento
As dez músicas mais importantes da carreira solo de Michael Jackson
Michael Jackson foi um dos mais importantes estrelas da música pop. (Foto: Reprodução)

26 de junho de 2019 - 00:00 - Atualizado em 26 de junho de 2019 - 00:00

Há exatos dez anos, Michael Jackson morreu, no dia 25 de junho, por overdose acidental de medicamentos. A notícia inesperada e trágica pegou de surpresa a legião de fãs do artista pelo mundo. Para ressaltar a importância suprema do astro, aqui vai uma lista das dez gravações mais importantes de toda a carreira solo daquele que se transformou em sinônimo de mito de toda a História da música pop. Por uma questão de ajustes, foram deixadas de fora registros com a participação vocal de outros artistas ou mesmo do seu tempo como um dos integrantes do Jackson 5. Aqui o que conta é tão somente Michael Jackson vivo e seu talento sem igual.

Michael Jackson músicas: 

10) “Got To Be There” (1971)

Michael Jackson ainda nem havia entrado na adolescência quando se transformou no astro principal à frente do quinteto Jackson 5, formado ao lado de seus irmãos mais velhos. O sucesso foi tanto entre 1969 e 1970, com hits como “I Want You Back”, “ABC” e “I’ll Be There”, que a gravadora Motown logo preparou uma carreira paralela para o garoto fora do grupo. Gravado entre os meses de junho e julho de 1971, o single“Got To Be There” inaugurava a trajetória solo do pequeno artista que encantava a todos com extremo carisma, habilidade inata para dança e um gogó de ouro, atingindo ainda aqueles agudos pré-puberdade. A canção inédita, uma balada soul, tornou-se o primeiro disco de MJ a chegar às lojas, antecipando o álbum homônimo de estreia, que ainda trazia releituras de grandes sucessos pop da época como “Love Is Here And Now You’re Gone” (Supremes), “Ain’t No Sunshine” (Bill Withers) e “You’ve Got a Friend” (Carole King/James Taylor), mais o megahit radiofônico “Rockin’ Robin”.

9) “Rock With You” (1979)

Quando Karen Carpenter declinou gravar esta canção em seu disco solo, ela acabou oferecida pelo autor Rod Temperton a Quincy Jones, que acabou gravando-a com MJ para o álbum Off The Wall. Esta é uma típica canção pop disco, com arranjo redondinho, seção de cordas e aquele refrão para comandar o passinho no meio do salão. Prestes a completar 20 anos de idade, Michael Jackson apostou com segurança nesta faixa, que se tornou um dos pilares da transição feita entre o fim do período com o grupo com os irmãos e a carreira solo definitiva. No clássico videoclipe, Michael Jackson, de roupa toda brilhante, dança e canta sozinho e iluminado apenas por feixes verdes de raio laser. Mais simples, básico e direto que isso, impossível. Como a própria música.

8) Michael Jackson “Bad” (1987)

Michael Jackson já havia dominado o topo das paradas mundiais com várias faixas do álbum Thriller quando, no meio da década de 1980, todos começaram a se perguntar se ele continuaria com todo o pique para sustentar a carreira em números estratosféricos ainda antes de alcançar os trinta anos de idade. E ele conseguiu. Com o álbum Bad, gravado por longos dois anos e meio (entre janeiro de 1985 e julho de 1987), MJ emplacou mais sete faixas no Top 100 da Billboard (a parada norte-americana de vendas e execuções em mídia), sendo cinco singles no número um em sequência. O segundo deles, da faixa-título, foi lançado junto com o álbum, na passagem de agosto para setembro. O vídeo de 18 minutos, inspirado livremente no clássico musical West Side Storye que mostra o astro pop enfrentando uma gangue juvenil apenas dançando em uma estação de metrô, foi dirigido por ninguém menos do que Martin Scorsese. Nos primeiros doze meses nas lojas, Bad (o álbum) ficou por muitos anos atrás apenas do próprio Thriller em vendagens mundiais.

7) “Ben” (1972)

Uma das faixas mais tocadas nas rádios de 1972 foi gravada por Michael Jackson para os créditos finais de um filme que, no Brasil, ganhou o título de Ben, O Rato Assassino. A trama de terror e suspense retrata a insólita amizade entre um solitário garoto (interpretado por Lee Montgomery, que inclusive chega a cantar a mesma música no decorrer da história) e um camundongo que, na verdade, é o líder de um bando de roedores que vem provocando a morte de muitas pessoas. Escrita pelo astro teendos anos 1960 Danny Osmond, do grupo Osmonds, a canção foi parar na voz de Michael Jackson (então com 12 anos de idade) porque Danny estava em turnê e sem tempo para gravá-la para o longa-metragem. A letra é de uma ternura só, ainda mais açucarada pela voz doce e aguda de MJ. Executada diretamente do disco, encanta em segundos. Deve ter sido isso, aliás, o que garantiu o estouro imediato da canção e a levou para o Globo de Ouro (vitória) e ao Oscar (apenas indicação) de canção original no ano seguinte.

6)  “Wanna Be Startin’ Somethin” (1983)

Escrita por Michael Jackson para ser gravada originalmente pela irmã LaToya, a música acabou registrada por ele, em parceria com o maestro e produtor Quincy Jones, para o álbum Thriller. Esta faixa prossegue os rumos disco do disco anterior, Off The Wall. Mas como já estava estabelecida a década de 1980, com seus sons e batidas sintetizadas e não mais muito orgânicos como havia sido a disco music, a música acaba ficando entre um funk mais acelerado (122 bpm) e o electro (com uma bateria eletrônica matadora). Entre as referências incluídas na letra e no arranjo estão “Soul Makossa” (do saxofonista camaronês Manu Dibango) e “One Nation Under a Groove” (do grupo Funkadelic).

5) Michael Jackson “Beat It” (1983)

Espécie de escapismo rock’n’roll do álbum Thriller projetado pelo produtor Quincy Jones, a faixa traz um estupendo solo de guitarra de Eddie Van Halen (então em alta no mercado fonográfico norte-americano com o hard rockde seu Van Halen) e uma inacreditável atmosfera uptempo (138 bpm, velocidade bem no limite para uma faixa emplacar nas pistas de dança). Terceiro single a ser extraído de Thriller, “Beat It” ganhou um clipe baseado na cultura de rua da juventude norte-americana daquela época, então há alguns anos em voga nos cinemas. Também foi o primeiro de uma série em que MJ apostava em coreografias com vários bailarinos acompanhando Michael Jackson. Em 1984, a faixa levou dois prêmios Grammy (performance pop masculina e gravação do ano).

4) “Don’t Stop ‘Til You Get Enough” (1979)

Se “Rock With You” consagrou o álbum Off The Wall nas paradas radiofônicas, o single anterior também tem seus méritos ao abrir as portas e escancarar o caminho. A inspiração para letra (de alto teor sexual, que deixou rubra a mãe de Michael Jackson e a melodia matadora veio em questão de segundos na cabeça de Michael, que ainda morava com os pais e irmãos em Los Angeles na época. Toda cantada em falsete, a faixa começa com uma linha de contrabaixo explosiva, que prepara para até explosão do arranjo com direito a muita percussão, metais e cordas. Quando esta explosão ocorre é impossível ficar parado até hoje, quatro décadas após o lançamento da música. O clipe foi o primeiro de uma série de curtas em que Michael Jackson apenas canta e dança na frente de uma câmera – desta vez vestindo smoking preto e gravata borboleta. A diferença deste para o de “Rock With You” são as cores avermelhadas ao fundo, as multiplicações do astro na tela e as referencias ao brilho das pistas de dança. Por muito tempo a introdução desta música serviu de música de abertura e vinhetas do hoje extinto programa Video Show, da Rede Globo.

3) “Black Or White” (1991)

Primeiro single do álbum Dangerous, “Black Or White” é o grande ícone da fase megalômana de Michael Jackson. Já havia Neverland, já havia toda uma pele mais clara, já havia sinais de cirurgias plásticas no rosto, já havia toda sorte de excentricidades pessoais, já havia todo um mito em torno de uma figura cada vez mais afastada da realidade e do contato com a realidade do mundo. Entretanto, ainda havia um popstar certeiro, seguro do que queria fazer e principalmente do que queria dizer ao mundo. Por isso, o recado do refrão é certeiro: viva a igualdade entre as pessoas, não importa se é preto ou branco, certo ou errado. O videoclipe de mais de onze minutos de duração trazia Michael Jackson viajando e dançando por várias referências turísticas mundiais e ainda apresentava no mundo do videoclipe um efeito de computação gráfica que deu o que falar na época: o morph, que permitia o rosto de uma pessoa se transformar naturalmente em outro ou, então, MJ virar uma pantera negra.

2) Michael Jackson “Thriller” (1983)

Outro sucesso massivo de Michael Jackson ‘Thriller’ composto pelo produtor e arranjador Rod Temperton. Na verdade a canção incorpora o formato de um conto de terror, com direito a spoken word (trecho com narração sobre um fundo musical) a cargo do veterano ator dos filmes de horror Vincent Price. Escrito e dirigido por John Landis (chamado após o cantor adorar o resultado de seu filme Um Lobisomem Americano em Londres, de 1981) o videoclipe estreou de modo triunfal na MTV norte-americana. Na verdade não era bem um clipe, mas um curta-metragem de 14 minutos que rendeu uma venda estratosférica de fitas VHS na época e também impulsionou uma versão reduzida da canção para as rádios. A transformação de Michael Jackson em zumbi após um inocente passeio com a namorada virou um dos grandes acontecimentos da cultura pop do século 20, a ponto de até hoje pessoas se mobilizarem em todo o mundo para reproduzir a coreografia. O álbum Thriller é, até hoje, o disco físico mais vendido de todos os tempos, já tendo ultrapassado a marca de 66 milhões de exemplares.

1) Michael Jackson “Billie Jean” (1983)

Thriller” pode ter significado a chegada do sucesso massivo para Michael Jackson, mas com certeza sua carreira não teria seguido por este caminho se um pouco antes do megahit não tivesse existido Billie Jean”, uma poderosa mistura derhythm & blues, disco, pop e funk calcada numa dobradinha de baixo e bateria que arrasta qualquer um à dança de imediato. A letra fala sobre um relacionamento que não deu certo e agora esbarra em arrependimentos e acusações de infidelidade. Assim como “Thriller”, o videoclipe de “Billie Jean” é bastante cinematográfico, com direito a história de suspense com paparazzi e Michael Jackson cantando Billie Jean, dançando e desfilando por uma calçada que ilumina a cada toque de seus pés no chão. A direção foi assinada pelo britânico Steve Barron, um dos grandes nomes da produção audiovisual nos primeiros anos da MTV (e responsável por clipes icônicos como “Take On Me”, do trio a-ha, e “Money For Nothing”, do Dire Straits). O principal mérito deste vídeo foi ter aberto as portas da emissora musical de TV aos artistas negros norte-americanos em 1983. Até então praticamente restrita a distribuição por assinatura a grandes cidades do interior dos EUA, a MTV temia rejeição do seu público majoritariamente branco, masculino e conservador se começasse a exibir algo além do rock. Até que a gravadora de Michael Jackson ameaçou retirar da programação todos os clipes de seus outros artistas se a direção da Music Television não cedesse. A MTV voltou atrás em sua decisão de boicotar “Billie Jean” e tudo o que aconteceu depois disso virou um dos capítulos importantes para a História: o trabalho de imagem de um artista da música tornou-se tão importante quanto a sua sonoridade para a construção de sua carreira.