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Jacutinga é um dos destaques na trilha do Parque das Aves

Turistas podem conhecer de perto a ave dispersora de sementes que desapareceu em determinadas áreas no Brasil

Jacutinga é um dos destaques na trilha do Parque das Aves
Foto: divulgação Parque das Aves

4 de dezembro de 2020 - 15:04 - Atualizado em 4 de dezembro de 2020 - 15:04

O visitante do Parque das Aves tem a oportunidade de conhecer a jacutinga (Aburria jacutinga), uma importante ave nativa da Mata Atlântica que está praticamente extinta em diversos locais da sua área de ocorrência original. No total, são 21 indivíduos que compõem o plantel do atrativo.

A jacutinga é uma excelente dispersora de sementes, com registros que indicam o consumo de 41 diferentes frutos da Mata Atlântica, colaborando com a manutenção da floresta. No entanto, a degradação do habitat, na busca por um dos seus principais alimentos: o palmito-juçara, e a caça predatória praticamente exterminaram as suas populações em parte de sua área de distribuição. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a ave foi um dos animais mais caçados em toda a Mata Atlântica, havendo relatos de abates de até 50 mil aves em uma única temporada.

Estima-se que existam hoje menos de 2.500 jacutingas na natureza, com tendência a diminuir ainda mais. Segundo a diretora técnica do Parque das Aves, Paloma Bosso, o objetivo do Parque das Aves de trazer para perto dos turistas essa ave em perigo de extinção é trabalhar a educação ambiental e a conscientização da importância de proteger o bioma Mata Atlântica e as espécies que nele vivem.

“O Parque das Aves abriga atualmente mais de duas dezenas de indivíduos de jacutingas. Desse total, oito estão pareados, formando quatro casais que estão contribuindo com o nascimento de filhotes que podem ser encaminhados para projetos de reintrodução sempre que forem considerados aptos para essa situação”, diz.

A veterinária acrescenta ainda que espécies e subespécies ameaçadas podem ser salvas da extinção por meio de estratégias de conservação, incluindo a conscientização das pessoas e da comunidade que interage com elas.

“Seria impossível atuarmos sozinhos em ações educativas. Se a comunidade não estiver envolvida, abraçando esta causa de salvar espécies junto conosco, os esforços serão em vão. É fundamental sermos um só time em prol da natureza!”


Proporcionar ao turista a oportunidade de conhecer a jardineira da Mata Atlântica pode reverter esse quadro de quase desaparecimento da espécie.

“A principal causa do declínio da população de jacutingas é a drástica redução da Mata Atlântica e a forte pressão de caça. Hoje a ave está regionalmente extinta em algumas regiões do país, principalmente na parte norte de sua distribuição original, sendo praticamente inexistente fora de áreas de proteção natural e com populações remanescentes ameaçadas, pois são de tamanhos reduzidos e com tendência a declínio. A sociedade tem que conhecer as ameaças desse patrimônio nacional para nos ajudar a reduzi-los, somando esforços de maneira coletiva”.

Como o Parque das Aves salva as espécies

Desde 2017, o Parque das Aves se consolidou como um Centro de Conservação de Aves da Mata Atlântica e mantém uma área denominada “Como Salvamos Espécies”, que traz diversas informações sobre como evitar o desaparecimento de espécies, entre elas a jacutinga.

O visitante tem a oportunidade única de conhecer bem de perto outras aves, como o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), ave extinta na natureza desde a década de 1970, além de aprender mais sobre as razões que levaram à extinção e o que elas podem fazer para que outros animais não cheguem nessa situação.

“Mais de 70% da população brasileira vive na região da Mata Atlântica e depende dos benefícios que ela fornece, direta ou indiretamente, para sobreviver. Mesmo assim, poucos sabem que ela é uma das florestas tropicais mais ameaçadas do mundo. O que tentamos é chamar a atenção da população para as questões mais emergenciais”.