Mauro Picini

Itaipu inicia operação para garantir navegabilidade da safra paraguaia

Medida tem duração prevista de 11 dias. Não haverá desperdício de matéria-prima, já que a água liberada será turbinada (usada para gerar energia) e não escoada pelo vertedouro

Redação RIC Mais
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Itaipu inicia operação para garantir navegabilidade da safra paraguaia
Imagem de arquivo da usina de Itaipu. Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

25 de maio de 2021 - 10:52 - Atualizado em 25 de maio de 2021 - 10:52

A usina de Itaipu iniciou, nesta sexta-feira (21), uma operação de 11 dias para garantir a navegabilidade do Rio Paraná a jusante da barragem (abaixo) e, por consequência, o escoamento da safra paraguaia de grãos, por meio de hidrovia. O Rio Paraná enfrenta uma das piores estiagens da história.

A medida, que atende ao pedido feito pelo governo do Paraguai, foi negociada pelas chancelarias do país vizinho e do Brasil. O transporte fluvial é responsável por aproximadamente 80% do comércio exterior do Paraguai.

A operação é coordenada pela Itaipu, Operador Nacional do Sistema (ONS) e Administración Nacional de Electricidad (Ande, estatal paraguaia). A vazão do Rio Paraná será regulada a montante (acima) da barragem e também com a contribuição do Rio Iguaçu, abaixo das Cataratas do Iguaçu. Portanto, não haverá desperdício de matéria-prima, já que a água liberada será turbinada e não escoada pelo vertedouro.

A liberação progressiva de água permitirá a elevação do nível do rio em quantidade suficiente para que os comboios de barcaças paraguaias, carregadas de grãos, possam atravessar a eclusa da usina binacional Yacyretá, a 480 km de distância.

Com isso, os produtos agrícolas paraguaios poderão ser colocados nos mercados internacionais a partir desta sexta-feira, até 31 de maio.

São mais de125 mil toneladas de soja e derivados parados há 50 dias.

“A janela (período de tempo) de água permitirá contar com a altura de um metro no hidrômetro de Ituzaingó (município argentino abaixo de Yacyretá), durante os dias 27 e 28 deste mês, suficiente para que os comboios carregados possam atravessar de maneira segura os pontos críticos identificados no Rio Paraná”

informou por meio de nota a chancelaria paraguaia.

É o segundo ano consecutivo que a navegabilidade do Rio Paraná é gravemente afetada por uma baixa histórica na vazão, em consequência dos efeitos do fenômeno La Niña.

Em 2020, a regularização da vazão do rio, abaixo de Itaipu, ocorreu por duas vezes. Todas as operações foram executadas mediante ajustes da operação do sistema regulador, por meio de mecanismos de cooperação e coordenação dos governos dos três países, particularmente de Itaipu e Yacyretá.

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