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Como ajudar um filhote de passarinho que caiu do ninho?

Nem sempre o melhor para o filhote que caiu do ninho é ser removido; o mais indicado é que ele permaneça com os pais para aprender com eles a como sobreviver

Como ajudar um filhote de passarinho que caiu do ninho?
Foto: Divulgação

22 de outubro de 2020 - 16:05 - Atualizado em 22 de outubro de 2020 - 16:05

Nesta época do ano, com a entrada da primavera, a maior parte das espécies de aves está na estação reprodutiva e é muito comum alguns filhotes antecipadamente saírem ou até mesmo caírem dos ninhos. Por boa vontade, muitas pessoas, quando encontram o filhote de passarinho no chão, imediatamente removem o animal do local, porém na maioria dos casos essa não é a melhor ação. Tentativas bem-intencionadas como essa geralmente impedem que esse “órfão” sobreviva ou viva em seu ambiente natural com outros de sua espécie.

Poucas coisas comovem tanto os amantes da natureza quanto encontrar um filhote de passarinho caído ao chão. Pequenos, indefesos e aparentemente abandonados, esses filhotes parecem clamar por ajuda. Entretanto, nessa hora é preciso analisar friamente a situação.

Segundo Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves, muitas vezes o filhote é apenas um jovem aventureiro que está dando os primeiros voos para fora do ninho e está no chão porque ainda está aprendendo a voar.

“Primeiro, verifique se a ave é um filhote frágil ou um animal já jovem recém-emplumado, que provavelmente pulou do ninho na primeira tentativa de buscar a independência. Nesse caso, não o leve para longe do local onde o encontrou, pois é ali que os pais irão procurá-lo”, explica Paloma.

Só em 2020, o Parque das Aves recebeu 115 animais resgatados. Desses, quase 15% foram passarinhos que caíram dos ninhos. E desses, muitos não estavam necessariamente feridos ou em perigo, e tinham uma grande chance de seguir vivendo com o cuidado dos pais. Paloma reforça que para os animais a criação parental, ou seja, aquela dada pelos próprios pais, é sempre a melhor em diversos sentidos, especificamente comportamentais.

“Um filhote vai naturalmente saber como se alimentar e se defender de predadores se observar seus pais executando essas tarefas. Caso contrário, há chances de passar fome e/ou se tornar uma presa fácil para outros animais. Na infância, esses animais têm o que chamamos de ‘período sensível’, no qual estão propensos a responder a estímulos externos que irão moldar seu comportamento ao longo da vida. É nesse momento que eles identificam seus pais como a fonte de alimento, e identificam as características físicas da espécie como parceiros sexuais para se acasalarem no futuro. Então, se por acaso um filhote de passarinho acaba não recebendo um detalhado treinamento, que atenda a cada um desses critérios, as chances de sobrevivência e o seu retorno ao habitat natural se tornam praticamente impossíveis. Por mais que a gente se esforce, dedique tempo integral aos cuidados, e crie uma série de inovações para garantir o melhor tratamento em termos sanitários e de conforto ambiental a cada animal que chega até nós, nunca conseguimos substituir o papel dos pais na sua totalidade”.

Em caso de chuva ou ventania, muitas vezes o animal também cai acidentalmente. Se os pais estiverem por perto, é sempre melhor que o filhote de passarinho seja recolocado no ninho ou em locais abrigados para que eles possam seguir com os cuidados.

Quando é necessário fazer o resgate

Algumas vezes a ave precisa realmente de ajuda, embora isso seja menos comum. Primeiro verifique se o animal está ferido: com sangramento, tremor e/ou asas caídas. Depois, retire-o do chão para não ser atacado por predadores. Quando há animais de estimação no entorno de onde o filhote foi encontrado, por exemplo, o ideal é prendê-los enquanto o resgate ao filhote é feito.

“Ano passado recebemos nove filhotes de caturrita que caíram juntas de um ninho em meio a uma grande tempestade. Nesse caso, o morador fez certo em resgatar as aves, que poderiam ter morrido com a baixa temperatura, mas é preciso sempre analisar com cuidado a situação, pois na maioria das vezes há chances de manter o animal seguro no local”, diz Paloma.

Caso fique em dúvida, é melhor não manusear a ave e solicitar ajuda profissional da Polícia Ambiental ou do órgão ambiental da região para efetuar o resgate. Estes são os locais autorizados a realizar este tipo de auxílio e encaminhar o animal para instituições nas quais ele possa receber o tratamento adequado.

“Aqui no Parque das Aves, recebemos muitos filhotinhos que caíram do ninho. Quem resgata esses bichinhos tem a melhor das intenções, mas nem sempre o melhor para a ave é que ela seja retirada do local. Por mais indefesos (e fofinhos) que eles possam parecer, temos que fazer um esforço grande de pensar racionalmente qual o melhor destino para aquele animal. Na dúvida, lembre-se que sua decisão vai definir o futuro daquele animal”, reforça Paloma.

Saiba o que fazer

  • Se você encontrar uma ave no chão, procure pelo ninho nas proximidades e tente devolvê-lo a este local ou a um outro local seguro de predadores nas imediações. Toque-o com delicadeza, pois são animais muito frágeis;
  • Observe se os pais voltaram ao ninho. Caso eles voltem, a ave está a salvo e o seu dever foi cumprido;
  • Verifique se o animal não está apenas explorando a região. É normal que esses filhotes mais velhos passem um tempo no chão quando estão aprendendo a voar. Nesse caso, apenas observe a distância para contribuir com sua segurança. Temos certeza que será muito divertido fazer isso. Você aprenderá muito sobre o comportamento das aves;
  • Não leve o filhote para longe nem o solte longe do local onde o encontrou, pois é ali que os pais irão procurá-lo;
  • Afaste potenciais predadores, como cães e gatos;
  • Verifique se o animal está fisicamente ferido, com sangramentos, por exemplo. Nesse caso o ideal é ligar para a Polícia Ambiental ou o órgão ambiental da região para que eles efetuem o resgate e encaminhem o animal para onde ele possa receber o tratamento adequado;
  • Enquanto estiver tomando conta dele, não o alimente e não o manuseie sem necessidade. Quando uma ave está em choque, ela pode se debater e se machucar ainda mais.

OBS: Muito cuidado ao tocar o animal. Filhotes de aves de rapina, como gaviões, águias, falcões, entre outros, possuem garras e bicos pontudos que podem machucar você.

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