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Vão

Essa história não foi escrita por nós […]

Vão

7 de maio de 2020 - 00:00 - Atualizado em 5 de junho de 2020 - 11:28

De tão mágico, parecia ser eterno. Nossos olhos brilhavam e ardiam.

Você e eu flutuávamos naquela leveza divina de saciedade pura.

Os prédios, as ruas, os transeuntes, tudo era pano de fundo para nós.

Aquele momento foi emoldurado em um quadro cravejado de diamantes.

“Meu amor, o que é que a gente faz agora?”, você perguntou voltando à terra.

Era hora de ir embora e de interromper o sonho de algumas horas.

“Meu amor, eu não sei de mais nada, só sei que te amo”, eu respondi.

O táxi chegou. Você voltou para tua casa, para a vida de antes. Fui ao aeroporto.

As nuvens coloridas no céu daquele fim de tarde não me fizeram sonhar.

Meu corpo e alma doíam como se estivessem em carne viva.

Nossa conexão foi interrompida e parou nesse vão obscuro do tempo.

 

Tentei sumir e fugir de ti, de mim, da vida e do amor durante anos.

O tempo é vilão e castiga sem dó. A vida é açoite instigante e fustiga os sonhos.

Na viagem de volta, deixei tudo de mim para trás, mas te carreguei comigo.

Tua pergunta ecoa pelos meus devaneios: “Meu amor, o que é que a gente faz agora?”.

Nada fiz, exceto remoer o que ficou naquele vão do tempo, naquela esfera indefinida.

O calor da lembrança me faz suar frio e sentir tudo de novo.

Tua chegada iluminou minha manhã pôs vida em meus olhos.

Aquele sorriso de menina travessa me fez ver estrelas ao meio-dia.

No amor que fizemos, o mais puro compartilhar de almas afoitas.

Tua pele na minha era a prova de que as ilusões se dissiparam, sobrando só a verdade.

Concretização de um sonho que só pode ser sonhado a dois…

 

Os tempos são outros e até meu espírito está recluso por exigências do mundo.

Não sei nada sobre certo ou errado, tampouco, sobre o amanhã. Mas sei do amor.

Quando me vejo sem rumo, eu sei qual direção tomar e vou ao teu encontro.

Percorro tua cidade em uma viagem insólita pela minha mente ativa.

O brilho da lua nas águas das sete lagoas me fazem dançar como um bobo.

Há vertigem quando deixo meu corpo inerte sobre a cama e me torno supersônico.

Como um pássaro noturno, eu voo com rapidez até você e te convido a um passeio.

Por muitas e muitas vezes eu te vi dormindo absorta, sorrindo. Queria teus sonhos.

Virou-se para o lado, certa vez e eu senti o calor da tua respiração. Lábios entreabertos.

É outro tempo, eu bem sei, mas o amor permanece latente e me percorre.

Faz parte dos meus pensamentos e das ações que pratico em teu nome.

 

Enquanto meu coração pulsar, eu te buscarei, mesmo que seja em vão.

Ainda preciso unir este vão no tempo que fez tudo romper, se modificar.

A lua nas águas faz mágicas para entreter tuas noites.

Gosto de te arrancar sorrisos. Sinto falta das tuas pirraças.

Vou entender um pouco mais de partículas e de como unir o tempo.

Neste hiato que ficou, há a necessidade do amor que a tudo preenche.

Eu vou te procurar e talvez te abduzir em uma regressão, em um voo surreal.

Pode ser agora, amanhã, depois, em outra vida, mas haverá desfecho do enredo.

Essa história não foi escrita por nós, pois somos apenas agentes, condutores.

O tempo nos trouxe até aqui e nos conduzirá para muito além. Confio e espero.

Talvez tomemos outras formas, outros corpos, mas seremos nós neste amor único…

 

Jossan Karsten

 

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