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Júlia Rezende e seu humor cheio de graça

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

31 de dezembro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 31 de dezembro de 2019 - 00:00

Aos 33 anos – nasceu no Rio, em 1986 -, Júlia Rezende já é uma diretora de prestígio consolidado. E não adiante dizer que é filha de diretor com produtora, Sérgio Rezende e Marisa Leão, irmã de montadora, Maria Rezende. O DNA pode estar no sangue, o brilho é próprio, não tem nada a ver com nepotismo. Uma dose dupla, no Canal FX, neste último dia do ano, vai permitir uma pequena diversão sobre a obra em processo da talentosa Júlia. Às 18h15, passa Ponte Aérea. Será seguido, às 20h10, por Meu Passado me Condena 2.

São filmes que Júlia fez com todo o empenho, e honestidade. Como mãe das ‘crianças’ – e ela também é mãe de um menino -, não tem preferência. Já o jornalista, tem. Ponte Aérea é melhor, um belo exemplo de comédia romântica brasileira, e isso não tem nada a ver com alguma possível falta de qualidade de Meu Passado Me Condena 2. Como o título indica, é o segundo de uma franquia que Júlia iniciou em 2013, com Fábio Porchat e Miá Mello. Ponte Aérea ficou imprensado entre os dois. Apesar do capricho, do elenco (Caio Blat e Letícia Colin), dos diálogos, da direção, faturou míseros 30 mil espectadores. Meu Passado 2 ultrapassou 2 milhões, ou seja, faturou quase 100 vezes mais espectadores. Nada explica a discrepância, ou quem sabe?, tudo.

Ponte Aérea foi escrito pela própria Júlia com J.G. Sayão. Uma publicitária e um artista plástico conhecem-se na ponte aérea. A chuva desvia o voo da rota Rio/São Paulo, vão parar em Belo Horizonte. Passam a noite juntos, desencontram-se no dia seguinte. Ele, carioca, a localiza na agência, em São Paulo. Iniciam um romance mais que improvável. Moram em cidades diversas, têm estilos de vida diferentes. Nada os aproxima, e no entanto os sentimentos afloram, apaixonam-se.

Talvez, buscando um motivo para o escasso interesse do público dos cinemas por Ponte Aérea, o filme passa uma ideia mais acentuada de sofisticação. As diferenças rendem uma cena ótima – a da pizza de calabresa -, mas também são impregnadas de referências a Sabrina (o filme), a Fellini (por meio de um gato) e até à turma da Mônica. Talvez tudo isso pareça meio classe média alta demais, e ainda tem o jargão publicitário, que, afinal, é o meio dela.

Meu Passado 2, com roteiro de Tati Bernardi, também se fundamenta na diferença entre o casal. Três anos de vida em comum estressaram Fábio e Miá e eles viajam a Portugal para tentar salvar o casamento, embora a justificativa seja consolar o avô dela, que ficou viúvo. Como no primeiro filme, outro casal se interpõe na viagem, formado pelo cara que praticava bullyng em Fábio na escola (Ricardo Pereira) e agora está com a ex-namorada dele (Mafalda Rodiles). É injusto dizer que Fábio e Miá são menos sofisticados, mas o humor, para o público, ficou mais direto. Não tem escatologia nem piada de ‘português’. Tem promessa e se passa num lugarejo minúsculo. Quer saber? São ótimos, e o público tem a chance de (re)descobrir Ponte Aérea.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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