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Cantor Cauby Peixoto morre aos 85 anos de idade

Redação RIC Mais
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16 de maio de 2016 - 00:00 - Atualizado em 16 de maio de 2016 - 00:00

O artista estava internado em um hospital de São Paulo. (Foto: Cauby Peixoto Fã Clube/Facebook)

A carreira do cantor teve início em programas de calouros. Ele foi o primeiro cantor brasileiro a gravar rock

O cantor Cauby Peixoto morreu, às 23h50min de domingo (15), aos 85 anos de idade, em São Paulo. Cauby estava internado no hospital Sancta Maggiori, zona sul de São Paulo, desde o último dia 9, devido a uma pneuminia.

Cauby Peixoto era remanescente de uma era de ouro da canção brasileira. Era muito imitado, mas incomparável. Tinha saúde frágil, condição que foi se agravando nos últimos tempos: em 1997, já tinha sido internado com dores fortes, atribuídas a uma hérnia de disco; em 2000, ganhou 6 pontes de safena.

Vida e carreira

Caubi Peixoto Barros nasceu em Niterói (RJ), em 10 de fevereiro de 1931, em uma família de músicos de qualidade: filho do violonista Cadete, sobrinho do famoso Nonô (Romualdo Peixoto), grande pianista que popularizou o samba no instrumento, além de ser primo do notável cantor e compositor Ciro Monteiro. Seus irmãos também se destacaram na área artística: Moacyr Peixoto como pianista, Arakén Peixoto como trompetista e Andyara como cantora.

Sua carreira teve início em programas de calouros. Era tão prodigioso que acabou se tornando o primeiro cantor brasileiro a gravar rock, a faixa Rock’n’Roll em Copacabana, em 1957. Na mesma década, logo após gravar seu primeiro disco, trocou o Rio por São Paulo para ser o crooner das boates Oásis e Arpége.

De volta ao Rio, entrou para o elenco da Rádio Nacional. Segundo lembrou Patricia Palumbo, no livro Bastidores, biografia escrita por Rodrigo Faour, conta-se que Cauby estava tão determinado a ser pop star que teria trocado todos os dentes por uma prótese para parecer mais atraente à juventude, mesmo que sua voz soasse como a de um homem mais experiente.

Nos anos 50, Cauby logo se destacaria pela voz poderosa que dava brilho a standards da música americana. A identificação de Cauby com Sinatra, Bing Crosby e outros intérpretes do “american songbook”, o repertório dos standards americanos, o levaria a tentar a sorte nos EUA a partir de 1955.

Lá, com o pseudônimo de Ron Coby, se apresentou em nightclubs e chegou a gravar com o maestro Percy Faith. Participou do filme Jamboree, nos EUA, cantando Toreador. Insistiu na conquista da América naquela década, chegando a fazer temporadas de mais de um ano, e chegou a ser chamado pela imprensa de “Elvis Presley brasileiro”, mas o sonho de uma carreira internacional não se concretizou.

Em compensação, no Brasil, emplacava sucesso após sucesso, participava de filmes, cantava na noite, nos principais programas de rádio e televisão, aderia (à sua maneira) aos estilos que iam surgindo e formava a extraordinária bagagem que o transformou, com quase 70 anos de carreira, em um dos artistas de maior longevidade na música popular.

Sempre teve admirável versatilidade: fez duetos com Chico Buarque, Dona Ivone Lara, Luiz Carlos da Vila, Martinho da Vila, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e até Carlinhos Brown.

Sobreviveu à bossa nova, à Jovem Guarda e outros gêneros que vieram, e até se adaptou a eles, mas sempre mantendo-se como um monolito artístico, um santuário musical. Em 2009, gravou um disco só com sucessos de Roberto Carlos, de quem foi grande amigo – havia então 16 anos que Roberto não autorizava um artista a gravar um disco só com músicas suas.

Na última década, seus fãs acostumaram-se a encontrá-lo em locais mitológicos da noite, como o Bar Brahma, em São Paulo. De vez em quando, surgia para abrilhantar uma festa de cidadãos de bom gosto.

Fosse rico ou humilde, sofisticado ou inculto, o público dele sempre exigia ao menos três sucessos em seus shows: Conceição, Bastidores (um presente de Chico Buarque) e New York, New York. Ele nunca se fazia de rogado. “Às vezes, encerro o show, deixo Conceição e Bastidores, a minha preferida, para o fim, mas a plateia exige minha volta para cantar New York, New York. Não tem jeito.”

A história e a vida de Cauby foram retratadas há dois anos no documentário Cauby – Começaria Tudo Outra Vez, do diretor Nelson Hoineff, filme no qual o cantor fala de tudo, até de seu nunca assumido homossexualismo.

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