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“Dor em beleza”: escultor argentino transforma lixo da pandemia em arte

Reuters
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“Dor em beleza”: escultor argentino transforma lixo da pandemia em arte
Artista argentino Marcelo Toledo abre uma caixa de seringas que serão parte da exposição "Museu do Depois", em seu estúdio em Buenos Aires, Argentina

26 de março de 2021 - 13:17 - Atualizado em 26 de março de 2021 - 13:21

BUENOS AIRES(Reuters) – Marcelo Toledo costuma criar esculturas e joias com metal. Agora, o artista argentino trabalha com um novo material: máscaras e seringas descartadas, da pandemia, que serão utilizadas para criar uma exposição que explora o doloroso impacto do vírus.

Toledo, que já fez joias para o musical “Evita” na Broadway e peças únicas para Barack Obama e Madonna, foi um dos primeiros na Argentina a contrair a Covid-19, há um ano, que o deixou internado por oito dias com pneumonia.

A experiência deixou uma marca em sua vida e desencadeou uma enxurrada de obras de arte, começando com a máscara de 14 metros com a bandeira argentina que o artista colocou sobre o icônico Obelisco de Buenos Aires para aumentar a conscientização sobre a doação de órgãos durante a pandemia.

Para sua nova exposição, o “Museu do Depois”, Toledo está coletando resíduos reciclados da pandemia enviados por hospitais, laboratórios e pessoas aleatórias. Isso inclui vacinas antigas, materiais médicos e recortes de jornais sobre a pandemia.

“Estou animado para poder transformar a dor em beleza e essa exposição é apenas isso, capturar tudo o que está acontecendo conosco como sociedade”, disse Toledo, 45, à Reuters em seu estúdio no bairro de San Telmo, em Buenos Aires.

As obras, que estarão expostas a partir de setembro em um espaço público no centro de Buenos Aires, serão todas feitas com “materiais descartáveis ​​ou lixo que as pessoas mandam”, muitos deles lacrados em sacos a vácuo.

“É a primeira vez que faço uma exposição em que não tenho de comprar nenhum dos materiais”, disse. “Tudo será lacrado ou colocado em cápsulas porque nunca devemos esquecer isso. Então, a ideia é que tudo possa ser preservado ao longo do tempo”.

A exposição contará com um verdadeiro navio que simbolicamente atravessa uma “tempestade” e ilhas de reciclagem para sensibilizar sobre a importância dos cuidados com o meio ambiente.

“A exposição contará a história desse navio que saiu à vela e ficou encalhado após uma tempestade, o que é uma grande metáfora para tudo o que está acontecendo conosco. Essa pandemia é uma grande tempestade global”, disse Toledo.

Assim como a máscara gigante, que foi replicada em países como Estados Unidos e Japão, o artista sonha em reproduzir a nova mostra em outras cidades do mundo.

“A ideia deste ‘Museu do Depois’ é procurar elementos de todo o mundo, e também poder replicá-los em outros locais e até mesmo conseguir um museu físico para deixar a obra para a posteridade”, disse.

(Reportagem de Lucila Sigal)

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