Cultura

Músico curitibano descobre, aos 32 anos, que Paulo Leminski é seu pai

A descoberta só aconteceu depois que uma biografia do poeta curitibano foi publicada

Aline
Aline Taveira / Produtora com informações de Paulo Sampaio, do Uol
Músico curitibano descobre, aos 32 anos, que Paulo Leminski é seu pai
(Foto: Arquivo pessoal)

10 de junho de 2021 - 12:59 - Atualizado em 10 de junho de 2021 - 12:59

Luciano, conhecido como Lucky, que é músico e, atualmente, tem 53 anos, descobriu, aos 32, que o consagrado poeta Paulo Leminski é seu verdadeiro pai. Registrado como Luciano da Costa, só descobriu sua verdadeira identidade com o print de uma certidão de nascimento impresso em “O bandido que sabia latim” (ed.Record), biografia do poeta curitibano Paulo Leminski Filho, que revela que o escritor registrou-o como seu filho, chamando-o de Paulo Leminski Neto.

Lucky, que nasceu em Curitiba em 1968, conta que sua mãe e seu padrasto o registraram de novo, desta vez como Luciano da Costa, quando decidiram matriculá-lo na escola. Apesar disso, os motivos que levaram o casal a perpetrar a falsidade ideológica nunca foram esclarecidos:

 “Durante 8 anos, eles me chamaram de Kiko ou ‘menino’, e me privaram do convívio com outras crianças”, lembra o músico, em entrevista ao Uol

Crescido no Rio de Janeiro, Lucky contou que ainda sente dificuldade de superar a desconsideração dos envolvidos. Toninho Vaz, o autor da biografia de Paulo Leminski que deu origem à descoberta de Lucky, contou que a paternidade dele sempre foi um assunto “nebuloso”.

“A verdade é que o pai, a mulher dele, a mãe e o padrasto viveram uma farsa que convinha a todos.”, afirmou

Em 2003, graças à confusão deflagrada pela leitura da biografia, Lucky entrou em depressão e ingeriu 60 comprimidos de Diazepam (tranquilizante) com cerveja: 

“Eu não queria me matar, queria só sair daquela situação, sumir.”

Nevair “Neiva” Maria de Souza, mãe de Lucky é a única mulher que se casou no papel com o poeta, em 1965. O casal habitava uma espécie de comuna hippie frequentada por adeptos do “amor livre“.

Procurados por telefone e WhatsApp, Neiva e Ivan, o padrasto do cantor, nunca responderam à reportagem da Uol. Lucky diz que “com certeza, minha mãe não vai querer falar desse assunto com jornalistas”.

 “Ela é uma narcisista perversa, mitômana, que teria sustentado até o fim o teatro que criou com meu padrasto, não fosse a revelação da biografia. Quando o Toninho os entrevistou e os avisou que me procuraria, ambos me disseram para não dar ouvidos a  ele, alegando que era um ‘jornalista marrom’”, afirmou Lucky

Morando em Curitiba há cerca de seis meses, Lucky tenta recomeçar sua história a partir do lugar onde nasceu e foi registrado. 

“Além do choque da descoberta de que eu era outra pessoa, com outro nome e outra origem, ainda precisei enfrentar a chantagem da minha mãe. Eu me sentia obrigado a protegê-los do crime de falsidade ideológica. Por muito tempo, tentei me convencer de que afinal eu era só aquela pessoa que tinha existido até ali, e fui empurrando com a barriga, mas cheguei no meu limite.”

No momento, Lucky está desempregado, “vivendo de favor“, e diz que sofre bullying de pessoas que não acreditam que ele é filho de Paulo Leminski. 

“Pode colocar aí: tenho horror a hippies. Sou heavy metal!”, finaliza

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