Cinema

‘Lamento’: Curitiba é cenário de longa-metragem com dramas reais

O longa estreia nas salas de cinema no dia 26 de agosto e traz o mundo dramático dos cinemas às ruas de Curitiba com a história de Elder (Marco Ricca), um homem de meia idade que enfrenta diversos problemas, entre eles, o uso abusivo de drogas

Caroline
Caroline Maltaca / Estagiária com supervisão de Rodrigo Sigmura
‘Lamento’: Curitiba é cenário de longa-metragem com dramas reais
Lamento’: um convite para vivenciar problemas do cinema nas ruas de Curitiba (Foto: Divulgação/Nick Maftum)

19 de agosto de 2021 - 17:29 - Atualizado em 19 de agosto de 2021 - 17:29

Um porta retrato, um quarto de hotel, uma prostituta: Elder (Marco Ricca) não vive seus melhores dias. Apesar de se parecer com a típica pessoa cuja a vida foi fácil, hoje, aos 50 anos, o homem se vê em meio a uma crise, tanto em seu casamento com Rosa (Verônica Rodrigues), quanto em seus negócios, no Hotel Orleans – uma herança que se torna uma grande desilusão devido às dívidas acumuladas.

Diante de seus vícios, a única maneira que Elder encontra para lidar com seus problemas é sempre de cabeça baixa: seja porque em toda cena ele está enchendo o seu copo com álcool, seja porque há sempre um pacote de cocaína em seu bolso. Independente da questão, devido ao seu desequilíbrio emocional, ele coloca tudo em risco ao enfrentar seus fantasmas que reaparecem com a chegada de um hóspede problemático, acompanhado de uma prostituta misteriosa (Thaila Ayala).

Estreia nos longas

Fazendo juz ao nome, ‘Lamento’ conta com cenas frias, diálogos mornos, e uma montagem desconfortável e melancólica. Sendo o primeiro longa da dupla experiente em curtas, Diego Lopes e Claudio Bitencourt, dá para dizer que a narrativa de uma hora e 40 minutos é pensada nos mínimos detalhes.

“Acho que a palavra do filme é intensidade, né? Tudo é muito mais intenso e de uma maneira desproporcional. Todo o núcleo de pessoas envolvidas, responsabilidades envolvidas, muito mais cuidado com o que a gente tem para entregar. Então é um processo muito gostoso, mas muito intenso. Obviamente eu e o Diego temos uma sinergia muito boa, acredito que é por isso que a gente trabalha tanto tempo juntos, mas mesmo assim, estávamos brigando em um sentido bom para chegar no melhor”,

conta Claudio Bitencourt.

Além dos quadros tortos pendurados por todas as paredes do Hotel, – que se torna praticamente um personagem na trama – e o enquadramento da câmera em momentos de tensão, leva o público a mergulhar no tormento vivido pelo personagem principal, que se mostra sempre muito calado, entre períodos de alucinação e abstinência.

A trilha sonora é de tirar o fôlego e não porque é algo que comove, mas porque embala um problema profundo, tão profundo que pode tirar o ar de quem o acompanha. Aliás, entre inúmeras perspectivas que o público pode ter sobre o filme, algo confirmado pelos próprios diretores que esperam que seu público saia se questionando sobre tudo que foi apresentado na história, há uma que possa interligá-las com um todo:

Quando o personagem de Diegho Kozievitch se hospeda no hotel de Elder com a prostituta Letícia e causa diversos problemas no local, é possível perceber que o estabelecimento não é apenas invadido pelos problemas vividos pelo jovem mas, sim, pelos próprios problemas do empresário falido. É como se Elder se deparasse com seus fantasmas e com as consequências de suas atitudes ao olhar o próximo – assim como o público irá passar a se questionar sobre diversos temas olhando para Elder, que invadirá as salas de cinema no dia 26 de agosto.

Um Elder entre nós

O cenário curitibano se faz pouco presente em produções que contam com um elenco de peso como Marco Ricca, Thaila Ayala e Ilva Niño, principalmente quando o assunto é sobre filmes que se distanciam da comédia. Em “Lamento”, apesar de não ser o foco principal, há uma grande representatividade do dia a dia do curitibano.

Seja estampado no petit-pavé ou de forma passageira nos tubos de ônibus, o filme foi completamente gravado na capita paranaense. É possível notar logo nas primeiras cenas a importância da representatividade quando um biarticulado faz uma participação especial de forma discreta.

De acordo com os diretores, a ideia não era ambientalizar o local, já que o problema de Elder pode ser vivido em diversas cidades. Porém, independente da intenção, a distância mantida pelos diretores do filme entre o roteiro e os pontos turísticos da capital paranaense foi enriquecedora para a experiência do público. Com esse afastamento, a produção permitiu que uma trama, a qual foi indicada como Melhor Filme Estrangeiro no Festival de Burbank, levasse a Curitiba de verdade a outras pessoas através de suas ruas desconhecidas, e não de seus monumentos e parques já bem populares.

“Eu, particularmente, estou muito feliz com o resultado que a gente alcançou, diante de todos os elementos que tínhamos em mãos. Então, agora que o filme está pronto, o que a gente quer é que ele seja visto pelo máximo de pessoas possível”,

finalizou Diego Lopes.