Cinema

Filme ‘Pequeno Segredo’ vai representar o Brasil na disputa do Oscar 2017

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

12 de setembro de 2016 - 00:00 - Atualizado em 12 de setembro de 2016 - 00:00

Estreia do filme catarinense está prevista para o dia 22 de setembro

Envolvido em uma séries de polêmicas por protestar contra o impeachment de Dilma, Aquarius era o favorito para a disputa

O filme “Pequeno Segredo”, de David Schurmann, foi indicado para representar o Brasil na disputa do Oscar 2017. Cada país seleciona uma produção para uma pré-lista que concorrerá na categoria “filme estrangeiro” – semifinalistas serão conhecidos em dezembro, e os cinco indicados finais são anunciados no dia 24 de janeiro. A cerimônia de premiação do Oscar ocorre no dia 26 de fevereiro de 2017. O anúncio foi feito pela comissão especial indicada pelo Ministério da Cultura (MinC) que analisou os 16 filmes inscritos.

Composta por nove profissionais de diferentes setores da cadeia produtiva do audiovisual, a comissão especial contou, neste ano, com Adriana Scorzelli Rattes, Bruno Barreto, Carla Camurati, George Torquato Firmeza, Luiz Alberto Rodrigues, Marcos Petrucelli, Paulo de Tarso Basto Menelau, Silvia Maria Sachs Rabello e Sylvia Regina Bahiense Naves.

Polêmica

“Aquarius”, que era o favorito para a indicação e apontado por todos os críticos, foi considerado o quinto melhor no Festival de Cannes e foi exibido logo depois da votação da admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Na ocasião, ao subir o tapete vermelho, a equipe liderada pelo diretor Kleber Mendonça Filho segurava cartazes com frases como “Um golpe de Estado ocorreu no Brasil”, “Brasil vive um golpe de Estado”, “O mundo não pode aceitar um governo ilegítimo” e “54.501.118 de votos queimados!”.

No festival, Kleber Mendonça estava acompanhado das atrizes brasileiras Maeve Jinkings, Sônia Braga e Barbara Colen, além da produtora Emilie Lesclaux e convidados. O protesto foi destaque na página do festival na internet e na imprensa mundial.

Começou ali, também, por parte do governo, uma série de trapalhadas na área da cultura. O presidente, que ainda era interino, ameaçou extinguir o Ministério da Cultura, e voltou atrás. Interveio na Cinemateca Brasileira, e voltou atrás. A todas essas, no quadro de polarização que dividia a sociedade brasileira, as redes sociais demonstraram apoio e repúdio ao que o diretor Mendonça Filho definiu como “um gesto”, não propriamente um protesto, de sua equipe (e dele próprio). Mais tarde, estourou como uma bomba a impropriedade do filme até 18 anos – que depois, também, foi revista pelo governo.

Diretores importantes, como Gabriel Mascaro, de “Boi Neon”, e Anna Muylaert, de “Mãe Só Há Uma”, anunciaram que estavam retirando seus filmes da disputa em solidariedade, ou respeito, ao filme de Kleber Mendonça Filho, reconhecendo sua superioridade.

Toda essa exposição transformou “Aquarius” numa espécie de manifesto. Em Gramado, a exibição foi precedida de gritos de “Fora, Temer”, que prosseguiram durante todo o festival. Efetivado o impeachment de Dilma Rousseff e empossado o presidente, o filme, já estreado – em 89 salas, no dia 1.º de setembro -, seguiu no centro do furacão. 

No primeiro fim de semana, faturou mais de 50 mil espectadores e com a média de 600 espectadores por sala se converteu na segunda maior bilheteria brasileira do ano, atrás somente de “Os Dez Mandamentos”, sobre o qual pesa a suspeita de fraude – os ingressos massivamente vendidos, as salas teoricamente lotadas chocavam-se com as imagens dos cinemas vazios, ou quase.

Para a segunda semana, e com o circuito aumentado para 110 salas – o público da primeira semana ficou em 95 mil espectadores -, “Aquarius” não apenas teve casas lotadas como passou a ser aplaudido em cena aberta e no final das sessões, quando o grito de guerra de “Fora, Temer” colou definitivamente ao filme.

Aquarius, que ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Sydney, é protagonizado por Sônia Braga. Ela interpreta uma jornalista aposentada e moradora do Aquarius, último prédio de modelo antigo da orla de Boa Viagem, no Recife, que enfrenta investidas de uma construtora que pretende demolir o imóvel.

Neste domingo, 11, o filme estreou na mostra “Contemporary World” do Festival de Toronto. Nos Estados Unidos, estreia em 14 de outubro, com direito a abertura solene dia 13 no “Angelika Film Center”, de Nova York.