Energia

Paraná articula cadeia produtiva de hidrogênio verde, o combustível do futuro

Darci Piana se reuniu com especialistas da área para elaboração de projeto que prevê uma rede para liderar uma cadeia produtiva de hidrogênio verde com a participação dos setores público e privado. Especialistas apontam este tipo de combustível como essencial em um mundo neutro em carbono

Paraná articula cadeia produtiva de hidrogênio verde, o combustível do futuro
Foto: Camila Tonett/Vice-governadoria

11 de janeiro de 2022 - 16:08 - Atualizado em 11 de janeiro de 2022 - 16:11

O vice- governador do Paraná Darci Piana (PSD) está ajudando na articulação de uma rede para estabelecer uma cadeia de produção do hidrogênio verde, chamado de combustível do futuro. Elemento mais abundante no universo, o gás pode ser usado para mover motores. O Brasil está atrasado nessa discussão e perde espaço para o Chile, que está se tornando uma potência nesta área. A ideia é transformar o Paraná na principal cadeia produtiva de hidrogênio verde no país, estabelecendo uma rede com a participação do poder público e do setor produtivo.

Os primeiros passos foram dados hoje, 11, quando Piana recebeu a diretoria do Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), pioneiro na produção do insumo de forma experimental. O vice-governador sugeriu a inclusão da Copel e da Fundação Araucária na articulação do projeto, que também deve contar com a participação de entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

“É muito importante articular esse diálogo com os órgãos governamentais e com as entidades do setor produtivo para que a construção dessa rede seja feita de forma integrada”, afirmou o vice-governador. “O Paraná tem muito a ganhar com a criação de uma cadeia produtiva de hidrogênio, que demanda bastante tecnologia e mão de obra capacitada, além de reduzir os custos para o agronegócio”.

O diretor-superintendente do Parque Tecnológico de Itaipu, Eduardo Garrido, disse que o apoio institucional é fundamental para tornar o projeto realidade. “O PTI tem experiência na área de hidrogênio, somos muito procurados por empresas e parceiros que querem desenvolver essa área”, explicou. “Por isso, criamos uma proposta para montar uma rede de hidrogênio verde, ideia que já estamos discutindo com a Fiep e, agora, com o Governo do Estado”.

O hidrogênio verde é feito a partir da eletrólise. A energia inicial para a produção dele precisa vir de fontes renováveis, como hidrelétricas, para que o combustível se encaixe nesta categoria. Desta forma, a produção acontece sem a emissão de carbono. Muitos enxergam nesse tipo de combustível o caminho para a neutralidade em carbono.

Potencial

Já há quem aponte o hidrogênio verde como uma possível commodity, e o Brasil, como um possível exportador dela. Além do potencial de produção de hidrogênio utilizando energia renovável – o que determina que o elemento seja mais sustentável, por isso ser chamado de hidrogênio verde – o mercado brasileiro tem também grande capacidade de aplicação do insumo, que pode ser utilizado em refinarias, para reduzir a emissão de carbono nos combustíveis fósseis, na agroindústria, em siderúrgicas e, principalmente, na produção de fertilizantes.

Dentro desse cenário, o Paraná tem grande potencial para liderar a cadeia produtiva, que pode levar em torno de dez anos para se consolidar. O pioneirismo da produção experimental do PTI é um dos fatores, mas o Estado também conta com uma rede forte de instituições de ciência e tecnologia, mão de obra qualificada e se destaca na produção de energia renovável.

Outra vantagem do Paraná é contar com um mercado interno promissor, com a possibilidade de se tornar autossuficiente na produção de fertilizantes caso domine a cadeia do hidrogênio verde. Atualmente, grande parte do adubo utilizado na agricultura é importado de países como Rússia, China, Canadá, Bielorrússia e Catar.

Segundo Rodrigo Régis, diretor de Negócios e Inovação do PTI, o Brasil já conta com algumas plantas para a produção de hidrogênio, mas elas são financiadas por instituições internacionais e visam a comercialização para o Exterior. “O objetivo da rede é acelerar o desenvolvimento da cadeia industrial do hidrogênio, estimulando o mercado interno”, afirmou.

“Estamos diante de um mercado similar ao que tivemos com a energia eólica nos anos 2000. É o início de um mercado que está sendo desenvolvido e que precisa de incentivos e políticas que estimulem o seu desenvolvimento”, destacou. “Então se o Estado for mais rápido nesse processo vai conseguir desenvolver a cadeia industrial. Por isso precisamos construir essa estratégia para implementar no Paraná”.

*Com informações da Agência Estadual de Notícias (AEN)