9 de agosto de 2020 - 21:42

Atualizado em 10 de agosto de 2020 - 10:16

Misericórdia aos que estão no desalento

Por José Nascimento

Misericórdia aos que estão no desalento

Ouvi este termo recente: DESALENTADO. Já conhecia? Eu não, da forma que foi apresentado, pelo IBGE, que dá mais peso para minha conversa. Também fui no dicionário buscar tradução.

A definição chega a ser cruel e eu traduziria como o cara que ” chegou no fundo do poço”. Sujeito que está sem novas ideias, sem saída, sem esperança. Um Jó do século XXXI, onde até o Divino esta indo na direção contrária, quando tudo que ele quer é ir ao seu encontro. Até nisso…

Mas voltemos ao presente e, ao que mais me preocupou, e tem me inquietado por aqui, nesta rede que dizemos ser de Network, amizade, empatia e propósito (web e LinkedIn e outras redes sociais).

Aqui criticamos e batemos no cara do currículo mal feito, que a pessoa precisa de motivação, que não passou numa entrevista, que escreveu que busca recolocação… Estamos, eu também, cheios de regras e tops e 10 dicas pra tudo. Tempos onde tudo se resolve num tutorial do You Tube. E saímos batendo em todo e todos.

Esquecemos de calçar o sapato do outro, com todas as suas características mas, voltando ao DESALENTO, eis que na semana passada o IBGE informou que estes amigos e irmãos sentaram na beira do caminho. Cansaram. Parararam. Desistiram de ir em busca de emprego.

Não sei o que fazer. Mas o número me espantou. Num universo de 12,9 milhões de desempregados, um contingente de 4,3 milhões de pessoas, por assim dizer, hoje não levantou ainda da cama ou não vai sair de casa buscar trabalho. Nome disso: DESALENTO.

Escrevo aqui para dizer que tenho olhado de perto e com atenção como tratamos quem está em desalento: não estendemos a mão. Damos pancada. Talvez não seria este o post ideal para abrir e semana. Mas não dá para deixar passar em branco. Eu ainda volto ao tema. A se volto.

Último e único pedido: trate bem e cuide de alguém que está em DESALENTO está semana. Na sexta conheci, na frente da minha casa – Cleber, 50 anos, ex coletor de resíduos em Santos. Um em desalento. Nem sempre podemos resolver a vida deles e alguém a nossa, mas podemos ouvir e conversar. Por uma semana de ajuda aos desalentados. Cuide de um deles. Nem que seja semeando apenas uma palavra.

Publicado originalmente no https://topdegestao.com.br/