Educação

Pesquisadora paranaense cria sorvete de tilápia para ajudar em quimioterapia da filha

A receita segue em fase de desenvolvimento e caso passe pelos testes, poderá ajudar milhares de pacientes que enfrentam a quimioterapia

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da AEN
Pesquisadora paranaense cria sorvete de tilápia para ajudar em quimioterapia da filha
Pesquisadora paranaense cria sorvete de tilápia para ajudar em quimioterapia da filha (Foto: Divulgação/Unioeste)

20 de dezembro de 2021 - 17:53 - Atualizado em 20 de dezembro de 2021 - 17:53

Pensando em ajudar a filha que passava por um câncer gestacional, a pesquisadora paranaense Ana Maria da Silva, criou um sorvete feito à base de tilápia. A sobremesa surgiu como uma opção para diminuir os efeitos colaterais bem comuns em pacientes que enfrentam a quimioterapia, como úlceras e feridas na boca, alterações no paladar, enjoos e vômitos.

Ana Maria, que é doutoranda em Desenvolvimento Rural Sustentável no Campus de Marechal Cândido Rondon da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), usou a biotecnologia para transformar a carne da tilápia, uma espécie de peixe, em líquido. Nessa consistência, foi possível inserir o peixe no sorvete e deixar a receita mais proteica.

“A minha filha teve câncer gestacional com quatro meses de gravidez, ela não conseguia comer. Então eu tive a ideia de fazer o sorvete pensando no sofrimento que era comer por causa das feridas na boca. O sorvete acalma as feridas e, desta maneira, ela consegue ingerir proteína”,

explica Ana Maria.

Segundo Ana Maria, basicamente, o produto é feito a partir de uma base de sorvete com hidrolisado da carne mecanicamente separada (CMS), que é resultado de um processo de aproveitamento da carne não retirada pela indústria responsável em filetar a tilápia.

Em estudo

O sorvete com hidrolisado de tilápia está em fase de desenvolvimento e a pesquisa tem como objetivo avaliar a qualidade nutricional e a segurança alimentar do produto. De acordo com o Estado, a receita foi desenvolvida no Laboratório de Tecnologia e Processamento do Pescado e no Laboratório de Química de Alimentos do GEMAq (Grupo de Pesquisas em Manejo na Aquicultura), do curso de Engenharia de Pesca, na Unioeste no campus de Toledo, no oeste do estado.

Trajetória de Ana Maria

Este é apenas um dos resultados dos 13 anos de pesquisa de Ana Maria. A pesquisadora começou seus trabalhos ainda na graduação, em 2008, quando se viu envolvida no programa de inserção do pescado na alimentação escolar no município de Marechal Cândido Rondon, transformando a tilápia do pequeno produtor em CMS e, a partir disto, elaborando produtos saudáveis para as crianças das escolas municipais.

A acadêmica fez o seu mestrado no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), da Marinha do Brasil, trabalhando com o desenvolvimento de produtos à base de pescados marinhos com a comunidade de pescadores artesanais do município de Arraial do Cabo (RJ).

É a partir dos produtores que as pesquisas são desenvolvidas, como no caso da CMS e do filé de tilápia enlatado.

“Tivemos a ideia de uma construção coletiva, junto aos produtores e a agroindústria do oeste paranaense. Quando se desenvolve um produto, é necessário avaliar a obtenção da matéria-prima, e esses produtos foram pensados para um maior aproveitamento das tilápias”,

comentou Ana Maria.

3° International Fish Congress

Em novembro deste ano, Ana Maria expôs a pesquisa com o sorvete e os produtos à base de tilápia no 3° International Fish Congress & Fish Expo, que aconteceu em Foz do Iguaçu e contou com a presença da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina.

Para Ana, depois de vários anos de pesquisas, ver os produtos recebendo reconhecimento é motivo de orgulho.

“Cada parabéns me emociona porque cada produto foi feito com o coração”,

afirma.
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