Economia

Vale prevê propostas vinculantes por ativos de carvão em novembro, diz CFO

Reuters
Reuters
Vale prevê propostas vinculantes por ativos de carvão em novembro, diz CFO
Carvão

29 de outubro de 2021 - 12:50 - Atualizado em 29 de outubro de 2021 - 12:55

Por Marta Nogueira e Gabriel Araujo

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) – A mineradora Vale deverá receber em novembro ofertas vinculantes pela sua mina de carvão Moatize, em Moçambique, enquanto busca eliminar esse mineral de seu portfólio em meio a iniciativas para reduzir emissões.

A venda do negócio de carvão deve ser realizada antes mesmo de ele ter atingido suas metas de produção, afirmou nesta sexta-feira o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Luciano Siani.

Os ativos de carvão foram alvo de uma baixa contábil de quase 2 bilhões de dólares no terceiro trimestre, o que contribuiu com um lucro líquido menor para o período.

Siani reconheceu que Moatize não performou ainda nos patamares de produção que a empresa vinha prometendo, mas explicou que a baixa contábil foi realizada devido aos planos de venda, vislumbrando ganhos adiante.

“Nós optamos pelo caminho mais conservador, de zerar o valor (do ativo). Aí, provavelmente, quando realizar a venda, você vai registrar o lucro, uma vez conhecido o preço real”, disse o executivo, durante teleconferência com analistas de mercado sobre os resultados trimestrais.

“Nós já tivemos algumas propostas indicativas para a venda do negócio, estamos aguardando para o início de novembro as propostas binding (vinculantes).”

Siani pontuou que a Vale se viu diante de duas opções: manter o ativo por mais 12 ou 24 meses, para que pudesse atingir a meta de produção, e demonstrar sua viabilidade no longo prazo, ou vendê-lo logo.

“Nós não queremos aguardar, por inúmeras razões, a Vale não quer mais ser dona de ativo de carvão”, ressaltou.

A mineradora tem traçado inúmeros compromissos, que visam objetivos ambiciosos relacionados ao meio ambiente e governança.

Siani pontuou que seria especulação falar em possível valores de venda neste momento. Mas adiantou que a empresa não deverá abrir mão de valor, embora esteja vendendo ainda um “plano e não uma realidade”.

“Provavelmente, uma possível venda vai ter o que a gente chama de ‘earn-out’, onde esse ‘earn-out’ provavelmente estará relacionado a preço… e também a volume”, afirmou.

Tal estrutura permitiria que a empresa possa ganhar parte do preço com base no desempenho do negócio após a aquisição, uma vez que a Vale acredita no potencial do ativo no longo prazo.

(Por Marta Nogueira e Gabriel Araujo)

tagreuters.com2021binary_LYNXMPEH9S0UK-BASEIMAGE