Economia

Ibovespa fecha em alta e acumula ganho na semana com guarida do Fed

Reuters
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Ibovespa fecha em alta e acumula ganho na semana com guarida do Fed
Bolsa de valores de São Paulo

27 de agosto de 2021 - 18:30 - Atualizado em 27 de agosto de 2021 - 18:31

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, assegurando desempenho positivo na semana, endossado por comentários do chair do Federal Reserve, que afastaram por ora os riscos de o banco central dos Estados Unidos começar a reduzir os estímulos à economia norte-americana mais cedo do que o previsto.

Falando no simpósio de Jackson Hole, Jerome Powell disse que a economia dos EUA continua a progredir em direção às condições estabelecidas pelo Fed para reduzir seus programas emergenciais da era da pandemia, mas não apontou o momento de qualquer mudança efetiva na política monetária além de “este ano”.

Ele sinalizou que o Fed permanecerá cauteloso em qualquer eventual decisão de elevar os juros à medida que tenta levar a economia de volta ao pleno emprego, dizendo que deseja evitar controlar uma inflação “transitória” e potencialmente desencorajar o crescimento do emprego no processo

Sobre a decisão potencialmente iminente do Fed de começar a reduzir suas compras mensais de ativos, Powell disse concordar com a maioria de seus colegas que um aperto poderia ser apropriado “este ano”.

Na visão do departamento de Economia do Bradesco, Powell reforçou a estratégia de início de normalização da política monetária dos EUA, com um tom moderado em relação à inflação (reconhecendo forças desinflacionárias) e ao mercado de trabalho, indicando que medidas não serão tomadas agora.

“Talvez mais importante do que a data do início do tapering será a velocidade com que o Fed reduz suas compras, que deverá ser gradual e dissociada ao ajuste dos juros”, acrescentou.

A performance do Ibovespa na semana também refletiu busca por barganhas, após o índice acumular até a última sexta-feira declínio de cerca de 3% em agosto, contaminado pela tensão político-institucional e percepção de aumento de riscos fiscais, bem como preocupações com a inflação e a crise hídrica no país.

Na visão do gestor de renda variável da Western Asset, Cesar Mikail, o mercado brasileiro ainda está bem descontado em relação ao resto do mundo, comportamento que ele atribui em boa parte aos ruídos políticos no país.

Enquanto o Ibovespa ainda acumula declínio no mês, o norte-americano S&P 500 sobe 2,6%, em tendo renovado máximas históricas nessa semana.

“Ainda há uma neblina que não pode ser ignorada no ambiente político e fiscal”, afirmou o líder da mesa de renda variável da Blue3, Antonio Pedrolin, avaliando, contudo, que há sinalizações mais recentes buscando amenizar algumas preocupações que têm afetado negativamente a bolsa paulista.

Ele citou como exemplo declarações do presidente da Câmara dos Deputados, reiterando que o teto dos gastos não será rompido para pagar o Auxílio Brasil, programa social que o governo do presidente Jair Bolsonaro pretende criar para substituir o Bolsa Família, ou por outra razão.

E o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçou que está havendo um descolamento entre a percepção dos investidores e os avanços ocorridos no Brasil, inclusive na área fiscal, e defendeu que o país precisa se comunicar com eficiência para ganhar credibilidade.

Após a semana anterior terminar com um tom bastante pesado, com incertezas políticas e dúvidas quanto à trajetória fiscal de médio e longo prazo do país, observou-se um batalhão de declarações minimizando esse risco fiscal, destacou o diretor de investimentos da BS2 Asset, Mauro Orefice.

Isso, avaliou, somou-se a uma melhora no exterior, com diminuição das incertezas a partir das declarações do Powell, referendando uma melhora dos ativos brasileiros de modo geral.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa subiu 1,65%, a 120.677,60 pontos, acumulando alta de 2,22% na semana. Em agosto, ainda recua 0,92%, mas no ano sobe 1,4%.

O índice Small Caps subiu 1,72%, a 2.917,13 pontos, com alta de 2,9% na semana, mas queda de 1,53% no mês. Em 2021, sobe 3,36%.

O volume negociado no pregão nesta sessão somou 23,7 bilhões de reais.

DESTAQUES DO IBOVESPA DO ACUMULADO DO MÊS:

– EMBRAER ON sobe 27,38%, fortalecida pelo primeiro lucro trimestral recorrente em mais de três anos divulgado em agosto e expectativa de seguir avançando em seus resultados e dobrar o faturamento no médio prazo. A fabricante de aviões também anunciou novos acordos envolvendo sua subsidiária Eve, de mobilidade aérea urbana.

– CPFL ENERGIA ON avança 14,49%, ainda embalada pelo salto de 143,6% no lucro do segundo trimestre, para 1,126 bilhão de reais, em meio à retomada no consumo de eletricidade, apesar do aumento recente das preocupações com a crise hídrica.

– SUZANO ON valoriza-se 14,48%, encontrando respaldo em percepções de analistas de que o pior pode ter ficado para trás em termos de pressão no preço de celulose. A rival KLABIN UNIT sobe 9,24%.

– CSN ON perde 17,66%, com o setor de mineração e siderurgia apresentando desempenho negativo em agosto, em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade dos preços do minério de ferro e do aço, em meio a sinais de estabilização na recuperação econômica, principalmente na China. Para alguns analistas, a queda representa uma oportunidade de compra.

– LOJAS AMERICANAS PN cai 16,08%, ainda sofrendo com ajustes no valor do papel após a combinação de parte de ativos com a B2W, que resultou na Americanas. Nos últimos pregões, pesaram a divulgação do balanço do segundo trimestre, bem como ruídos e anúncio de aquisição pela Americanas, previsão de sinergias com a fusão e programa de recompra de ações.

– ULTRAPAR ON perde 15,99%, trabalhando em mínimas desde maio de 2020, na esteira da recepção negativa ao resultado do segundo trimestre. Nem o acordo para vender 100% de sua unidade de químicos especiais Oxiteno para o grupo tailandês Indorama por 1,3 bilhão de dólares foi suficiente para encorajar uma recuperação.

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

– Índice financeiro: -1,81%

– Índice de consumo: -1,42%

– Índice de Energia Elétrica: +3,12%

– Índice de materiais básicos: -2,16%

– Índice do setor industrial: +1,49%

– Índice imobiliário: -6,09%

– Índice de utilidade pública: +3,17%

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