Economia

Guedes diz ter assinado medida para fechar representação do FMI no Brasil

Para Guedes, o FMI vem errando previsões sobre a recuperação econômica do país

Reuters
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Guedes diz ter assinado medida para fechar representação do FMI no Brasil
Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento na CNI

15 de dezembro de 2021 - 20:29 - Atualizado em 15 de dezembro de 2021 - 20:30

Por Bernardo Caram

(Reuters) -O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou nesta quarta-feira ter assinado medida para o fechamento da missão no Brasil do Fundo Monetário Internacional (FMI), entidade que ele tem criticado por divergências em relação a projeções econômicas.

Em apresentação no evento “Moderniza Brasil”, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Guedes fez reclamações sobre a atuação do FMI e criticou o atual presidente do conselho do Credit Suisse no Brasil, Ilan Goldfajn, que foi recentemente nomeado diretor do órgão internacional.

O ministro disse que tomou a decisão de dispensar a missão do FMI no Brasil ao argumentar que o grupo vem errando previsões sobre a recuperação econômica do país.

Guedes disse que a missão veio para o Brasil para prever uma queda superior a 9% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, o que não se concretizou. “Estamos dispensando, assinei há uma semana, pode passear lá fora”, afirmou.

Em seguida, Guedes explicou em entrevista que já havia assinado o fechamento da missão, que chamou de “residente do FMI no Brasil”. Ele disse que a decisão vale a partir de junho de 2022, mas ponderou que o FMI pode manter o escritório no país se quiser.

De acordo com Guedes, a entidade se instalou no Brasil no passado, quando o país precisava de assistência para controle de Orçamento e câmbio. Para ele, a permanência não é mais necessária.

“Ficaram porque gostam, feijoada, jogo de futebol, conversa boa… E de vez em quando criticar um pouco e fazer previsão errada”, disse.

O ministro também afirmou que Ilan se ofereceu para ser presidente do Banco Central independente logo no início do governo, e que respondeu ao economista que se fosse para ficar um ou dois meses no cargo, não precisaria.

“(Ilan) é um ótimo brasileiro, boa pessoa, tudo isso. Ontem criticou a gente pesado, então estou devolvendo hoje. Já que vamos ter um brasileiro que conhece bastante o Brasil e critica bem a gente no FMI, não precisamos ter mais aqui dentro”, afirmou.

Procurado, o FMI informou que o departamento do Hemisfério Ocidental –onde Ilan será diretor– está de acordo com as autoridades brasileiras e planeja fechar o escritório de representação em Brasília até 30 de junho do ano que vem, quando termina o mandato do atual representante.

O órgão disse ainda que espera que o envolvimento de seu corpo técnico com as autoridades brasileiras continue.

(Por Bernardo Caram; edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

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