Economia

Fed enfrenta teste à medida que oferta, demanda e “paciência” colidem

Reuters
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Fed enfrenta teste à medida que oferta, demanda e “paciência” colidem
Fachada do Federal Reserve, em Washington

27 de outubro de 2021 - 10:24 - Atualizado em 27 de outubro de 2021 - 10:25

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) – A capacidade dos membros do Federal Reserve de ignorar a alta inflação está sendo testada e agora as autoridades navegam entre suas próprias percepções de paciência e risco, em meio a uma economia norte-americana prejudicada por cadeias de suprimentos restritas, contratações lentas e forte demanda do consumidor.

A combinação de gargalos de oferta e um aumento na renda familiar alimentado pela ajuda do governo relacionada à pandemia elevou o índice de preços PCE dos EUA, uma medida importante da inflação, para uma máxima em 30 anos em agosto em comparação com o mesmo período no ano anterior.

As autoridades ainda esperam, em grande parte, que o ritmo dos aumentos de preços diminua sem que o Fed intervenha no processo com elevação dos juros básico mais cedo e com maior agressividade do que o esperado.

No entanto, esse julgamento agora depende de uma corrida, de fato. Os gargalos –como o congestionamento de 100 navios no complexo portuário Los Angeles-Long Beach, na Califórnia– desaparecerão antes que as famílias esgotem os estimados 2 trilhões de dólares em economias excedentes acumuladas durante a pandemia? E isso acontecerá antes de os recentes aumentos de preços aparecerem nas expectativas públicas sobre a inflação futura?

Este último pode já estar começando. Um índice do Fed de expectativas para a inflação monitorado por autoridades do banco central dos EUA subiu por cinco trimestres consecutivos, uma sequência sem precedentes. Em 2,06%, o índice está acima da meta de 2% do Fed e provavelmente subindo. As expectativas do consumidor também aumentaram. O Conference Board informou na terça-feira que sua pesquisa de expectativas para a inflação ao consumidor de um ano para outubro atingiu 7,0%, o maior patamar desde julho de 2008.

Os mercados de títulos, também prevendo mais inflação, estão precificando um início mais cedo e um ritmo mais rápido para os aumentos dos juros pelo Fed.

“No início, a paciência era fácil”, disse o diretor do Fed Randal Quarles, na semana passada. “O dilema fundamental que enfrentamos… é este: a demanda, aumentada por estímulos fiscais sem precedentes, tem superado uma oferta temporariamente interrompida.”

No entanto, a “capacidade fundamental” da economia permanece intacta, e as autoridades do Fed querem manter os juros baixos pelo tempo possível para permitir o crescimento do emprego.

“Restringir a demanda agora, para alinhá-la a uma oferta temporariamente interrompida, seria prematuro”, disse Quarles, mas “meu foco está começando a se voltar mais completamente … para se a inflação começará a cair”.

(Por Howard Schneider)

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