Cotidiano

Fim do rodízio d’água: dias perdidos de trabalho e canequinha para economizar; veja histórias

Com o nível dos reservatórios em 80%, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) determinou o fim do rodízio de água na região

Mônica
Mônica Ferreira / Estagiária com supervisão de Adriana Justi
Fim do rodízio d’água: dias perdidos de trabalho e canequinha para economizar; veja histórias
(Foto: Reprodução/Pixels)

20 de janeiro de 2022 - 17:49 - Atualizado em 20 de janeiro de 2022 - 17:55

O rodízio de água da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) causou prejuízo para muitas pessoas, que tiveram que se adaptar com a escassez.

O doceiro Luiz Carlos, de 60 anos, por exemplo, que tem como principal fonte de renda a venda de doces, não conseguia lavar as panelas para fazer o seu trabalho por conta da falta d’água. Carlos mora em um quintal com quatro casas e, com o sistema de rodízio, a caixa d’água não era suficiente. Diante do problema, o trabalhador criou um reservatório próprio para não perder dias de trabalho.

“Fiz uma caixa de água pequena para não correr o risco de ficar sem trabalhar. Deixava a outra para ajudar mais os vizinhos que tem filhos e família grande”,

relatou o doceiro.

O Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (SAIC) alcançou a meta de 80% do nível dos reservatórios nesta quarta-feira (19). O número foi estabelecido pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e determina o fim do rodízio de água na região.

A suspensão do rodízio será feita nesta sexta-feira (21) e a população já se sente aliviada, pois as dificuldades e prejuízos foram muitos. O RIC Mais entrou em contato com algumas pessoas que relataram como foi o período e o que precisaram adaptar.

Canequinha – a melhor aliada

A cozinheira Maria Aparecida de Oliveira, de 59 anos, é moradora do bairro Tatuquara e teve dificuldades em casa e no trabalho. Com cinco integrantes na família, uma caixa de água não era suficiente. Para ela, a maior dificuldade foi a limpeza da casa e higiene pessoal. “Tivemos que racionalizar bem o uso da água porque a família é grande e não foi fácil”, contou.

No trabalho, “a louça acumulava e tínhamos que lavar panelas grandes de canequinha”, disse. Maria também argumentou que muitas vezes foi para a faculdade sem tomar banho e fedendo a gordura, pois não tinha água para tomar banho. “Teve um momento que precisamos comprar garrafas de água para conseguir tomar banho, estava impossível”, desabafou.

“Agora estou ficando aliviada! Quero que volte ao normal para fazermos um uso consciente”, finalizou.

“Perdemos vários clientes”

Patrick Baptista é dono de uma academia localizada no bairro Cajuru, para ele o rodízio deixou muitos prejuízos. “Foi difícil, muitos clientes reclamaram e perdemos vários clientes também. Não chegamos a fechar, mas tivemos problemas”, contou.

De acordo com o rapaz, os prejuízos foram com gastos em bomba elétrica para um armazenamento de água, mesmo assim faltava.

“Era completamente inviável”

Para o estabelecimento “Rua Pagu”, que fica no bairro Juvevê, o rodízio repercutiu na questão financeira dos funcionários. “Você não consegue abrir o estabelecimento, não abrindo você não fatura e isso vai te levando para uma situação cada vez mais complicada economicamente”, disse Fabíola Nespolo, funcionária do local.

O rodízio coincidiu com o momento da pandemia, o primeiro fator que nos colocou em bastante cautela é que sem água era completamente inviável de operar porque talvez em um outro cenário não pandêmico, a gente poderia se organizar para estocar água ou algo assim, mas como estamos falando de um cenário de pandemia que a gente precisa higienizar as mãos o tempo e ter um cuidado muito maior que já é necessário em um ambiente de bar.

contou a funcionária.

De acordo com a funcionária, o estabelecimento perdeu oportunidades de abrir para eventos grandes por conta da falta de água. “A gente teve que em um momento investigar na compra de uma caixa de água bem superior para tentar fazer com que as coisas fluíssem melhor”, contou. 

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