Depois de uns dias em quarentena do mundo devido a um pequeno acidente caseiro eu volto a nossos artigos que tanto me alegram. E de largada em tempos de coronavírus 19, eu trago algo muito especial para todos. Um texto escrito pelo Médico Especialista em Psiquiatria, Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria, Mestre em Farmacologia, professor da Escola de Medicina da PUCRS e do Curso de Especialização em Psiquiatria e Residência Médica em Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS.

Minha intenção aqui é tratar das fases do ser humano no processo de confinamento durante a pandemia de coviv 19. Elas são : 1) NEGAÇÃO; 2) RAIVA; 3) BARGANHA; 4) DEPRESSÃO e 5) ACEITAÇÃO.

Bom,vamos a reprodução do texto.

MOMENTO DE PENSAR EM ELISABETH KLÜBLER-ROSS E AS FASES DA ELABORAÇÃO DO LUTO / Luiz Gustavo Guilhermano.
Elisabeth Kübler-Ross, M.D. (8 de julho de 1926 — 24 de agosto de 2004) foi uma psiquiatra que nasceu na Suíça e morreu nos EUA. Em 2007 ela foi eleita para o National Women’s Hall of Fame dos Estados Unidos.
A publicação de seu livro mais famoso em 1969 ON DEATH AND DYING (SOBRE A MORTE E O MORRER) marcou o rumo de seu trabalho, enriquecido posteriormente com contribuições de especialistas de uma área específica da profissão médica, a tanatologia. Nesse livro, ela identifica fases nos períodos que antecedem a morte e cria métodos para médicos, enfermeiros e familiares acompanharem e ajudarem um paciente terminal.
. Ela deu o impulso para a criação de sistema de asilos específicos para doentes nos Estados Unidos, que são estabelecimentos para internar e cuidar de pessoas em estágio terminal.
Klübler-Ross identificou as diferentes fases que ocorrem nos seres humanos diante do impacto psíquico de uma má notícia, perda, ou vivência frustradora, ou grave sofrimento. Os casos por ela estudados, foram de doenças terminais, câncer mais especificamente, mas se prestarmos atenção ocorrem em quaisquer más notícias, desde a notícia de que nosso filhinho que vai nascer é portador de uma mal formação, o indesejável furto do nosso automóvel, até as recentes notícias de que uma pandemia estava para chegar ao Brasil, ou de que temos que permanecer isolados em casa, passando por inúmeras privações e prejuízos em relação à nossa vida cotidiana habitual.
Os referidos estágios de Klübler Ross são: 1) NEGAÇÃO; 2) RAIVA; 3) BARGANHA; 4) DEPRESSÃO e 5) ACEITAÇÃO
No primeiro, de negação e isolamento, que geralmente vem com o diagnóstico, o paciente procura provar de todas as formas que houve um engano, necessitando de tempo para absorção da ideia. No segundo estágio, confirmado o diagnóstico, a raiva por interromper seus planos e a própria vida se mescla ao ressentimento e à inveja daqueles que estão saudáveis. A equipe precisa, por meio da empatia, entender esse período e contornar situações que fazem parte do choque pela nova condição e do processo em curso. É comum que as equipes evitem os pacientes. No terceiro estágio, o da barganha, há uma tentativa de adiar a morte como um prêmio por bom comportamento. Há promessas de novas atitudes e de mudanças de estilo de vida, na esperança de prolongar um pouco mais a sobrevivência. Arrependimentos por situações concretas ou fantasiosas vividas como pecados fazem que o adoecimento seja sentido como castigo pelo doente. A depressão no quarto estágio decorre não somente do impacto da doença sobre o indivíduo, mas sobre a família e as alterações sofridas por ela. Há o enfraquecimento financeiro, a necessidade de o outro cônjuge trabalhar e o afastamento dos filhos, que por vezes precisam ficar aos cuidados de parentes. A autora encontrou dois tipos de depressão: a reativa e a preparatória. Na primeira sugere uma abordagem multidisciplinar com apoio e orientação, especialmente na área social. O segundo tipo é o que ocorre quando o doente se dá conta de que perderá, em breve, tudo que ama. O último estágio, de aceitação, coincide com o período de maior desgaste físico. Nele, parece ser mais difícil viver do que morrer e os sentimentos desvanecem. É um período em que o paciente pode querer falar sobre seus sentimentos, mas precisa que haja pessoas disponíveis e preparadas internamente para esse contato. Pode haver uma sobreposição desses estágios e a autora afirma que em todos eles, mesmo para os pacientes mais realistas, há sempre uma ponta de esperança que não deve ser retirada com verdades cruéis ditas de forma direta.
Para não alongar muito façamos um exercício de analogia para a situação atual:

1) NEGAÇÃO – “Esse vírus é fraquinho, é uma gripezinha e não vai chegar ao Brasil”;

2) RAIVA, “Que merda que chegou ao Brasil, a culpa é dos comunistas chineses deviam ser destruídos. Que inveja dos países nórdicos e da Coréia que fizeram bem o tema de casa”;

3) BARGANHA- “se nos cuidarmos parcialmente, só os velhos isolados, com os jovens trabalhando e estudando vai dar para quebrar o galho e o impacto econômico será mínimo com poucas mortes e se morrerem serão só pessoas muito velhas ou imuno-deficientes . Será razoável!”;

4) DEPRESSÃO: “Chegou forte ao Brasil, estar tudo perdido, ficaremos sem futuro, não vamos ter esperança de mais nada, estamos arrasados, sem chances de qualquer coisa boa, Deus não era brasileiro”!

5) ACEITAÇÃO: “Tivemos grandes prejuízos, poderíamos ter cuidado melhor da nossa prevenção em saúde pública, erramos ao negligenciar em medidas e políticas sanitárias, faremos bem melhor numa próxima vez e esperamos que não esteja muito próxima, daremos mais atenção ao avisos de perigo. Porém, vamos nos reconstruir com um grande aprendizado”!

Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Elisabeth_K%C3%BCbler-Ross consutado em28/03/2020 20:00
Kuble r-Ross E. Sobre a morte e o morrer. Rio de Janeiro: Editora Martins Fontes; 1985. Selene Beviláqua Chaves Afonso 1 1 Serviço de Psicologia Médica, Instituto Fernandes Figueira, Fiocruz. https://pt.wikipedia.org/wiki/Elisabeth_K%C3%BCbler-Ross consutado em28/03/2020 20:00

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Régis Rothfilber

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