Em tempos do politicamente correto, com uma imprensa livre e uma corrente progressista que influencia abertamente a mídia mundial ainda é muito estranho ler uma matéria no New Yorker, publicação do jornal The New York Times, que questiona a liberdade de expressão nos Estados Unidos da América do Norte.

Segundo o artigo do jornalista Andrew Marantz “A liberdade de expressão está acabando com a gente”, diz uma manchete da seção de opinião do New York Times

O jornalista argumentou em seu artigo  que o “discurso de ódio” leva à violência. Se você pensa que parou por aí enganasse, Marantz diz que a liberdade de expressão pode levar ao totalitarismo e até ao genocídio.

Para evitar esse terrível destino, Marantz diz em um determinado ponto de seu artigo que temos de repensar a Primeira Emenda, que deveria incluir a necessidade de o governo e as empresas privadas limitarem o “discurso de ódio”.

Ele concorda com um membro da União Norte-Americana pelas Liberdades Civis, que disse que, num futuro nem tão distante assim, a “proteção jurídica ao discurso de ódio parecerá ridículo”.

Segundo Marantz, alguns governos já tentaram proibir o “discurso de ódio”. Para ele países como Reino Unido da Grã Bretanha, França e Estados Unidos criminalizam o discurso de ódio, mas isso não reduziu a violência.

Ao longo da matéria o jornalista menciona que segundo a ONG Human Rights Watch “uma análise cuidadosa da experiência de muitos outros países (…) deixou claro que não há conexão, na prática, entre leis draconianas de criminalização do discurso e a diminuição da violência ou tensão étnica e racial”.

Ao afirmar que o discurso de ódio leva à violência em massa, a esquerda espera convencer os norte-americanos a abdicarem de seu direito à liberdade de expressão. A fim de tornar a ideia mais palatável, eles insistem em dizer que a liberdade de expressão é apenas um “valor”, e não um direito.

Na visão de Andrew Marantz um valor é algo perecível

Hoje a sociedade defende um determinado valor, mas com o passar do tempo tudo pode mudar, podendo defender outro. Por exemplo, quase todos os norte-americanos valorizam o casamento tradicional, mas hoje muitos valorizam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Os valores são determinados pela opinião pública – ou, sendo mais exato, pelas elites que informam, para não dizer que elas manipulam a informação.

Essa menção aos veículos de comunicação que informam ou manipulam a informação parece contraditório para um profissional que trabalha para um dos jornais mais importantes do mundo e que está claramente manipulando informações a fim virar a opinião pública contra a liberdade de expressão garantida pela primeira emenda da constituição norte-americana.

Para Marantz os direitos, por outro lado, não são negociáveis; eles pertencem aos indivíduos naturalmente; as sociedades são criadas para protegê-los.

A liberdade de expressão é um direito inalienável porque é a expressão do pensamento, e nossas mentes pertencem naturalmente a nós. Em outras palavras, direitos deveriam determinar o alcance da opinião pública, e não o contrário.

Mas, de acordo com o jornalista, a liberdade de expressão é apenas um valor e, “como todos os valores, ele deve ser defendido em conflito com outros, como a igualdade, segurança e a participação democrática”.

Antigamente, igualdade significava que todos os seres humanos têm os mesmos direitos — como direito ao voto, direito à propriedade ou direito à liberdade de expressão. Hoje, por outro lado, muitos dos defensores das restrições à liberdade de expressão dizem que “igualdade” significa “ igualdade psicológica” ou “igualdade de autorrespeito”.

Como os chamados grupos dominantes da sociedade norte-americana já têm autorrespeito ou “privilégios brancos” suficientes, os grupos minoritários supostamente oprimidos devem poder se libertar da opressão, determinar sua identidade e afirmar seu autorrespeito.

Os defensores da censura acreditam que a liberdade de expressão impede a liberação desses grupos, evitando que as identidades sejam criadas e prejudicando-as posteriormente. Isso é o que significa equiparar o discurso à violência.

Mas esse novo paradigma é uma via de mão única. Grupos supostamente oprimidos não devem apenas ser capazes de se expressarem livre e criticamente quanto ao grupo dominante; a libertação deles depende do discurso antagônico.

Uma das defensoras da censura, Mari Matsuda, escreveu que “expressões de ódio, repulsa e raiva contra membros de grupos historicamente dominantes por grupos historicamente submissos” não devem ser proibidas.

Na verdade, “o discurso de ódio que surge de uma experiência de opressão” deveria ser tolerado. A proibição do discurso de ódio acaba por gerar mais discurso de ódio – só que do “tipo certo”.

Em um determinado ponto Marantz afirma que, os norte americanos devem agir com civilidade em relação a  seus compatriotas, entretanto não se pode tirar direitos fundamentais de pessoas livres sem consequências.

Eu não sei vocês, mas eu encarei esse artigo como uma argumentação de alguém que se diz preocupado com o discurso de ódio contra os grupos mais desfavorecidos socialmente ao mesmo tempo que afirma que esses grupos têm o direito de serem hostis com os chamados grupos dominantes “opressores” e que a liberdade de expressão é um valor e não um direito e por isso deve ser revisto.

Isso é na minha opinião de uma perversidade repugnante

Talvez sabendo que a maioria da sociedade norte americana rejeita a visão progressista de uma forma geral fosse interessante para Andrew Marantz e ao jornal The New York Times, publicar um artigo que tocasse na população mais carente e grupos da sociedade que se sentem explorados por uma classe que consideram dominante que a liberdade de expressão era algo questionável.

Será que na visão da mídia progressista a democracia seria algo decadente e ditaduras de esquerda seriam o melhor caminho para a sociedade?

Confesso que isso me assusta muito e parece que depois da queda do comunismo na Europa, a sociedade não aprendeu e está caminhando para regimes totalitários de esquerda que só causam miséria, caos e genocídio.

Régis Rothfilber

Régis Rothfilber

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