Em época de coronavírus e afastamento social, apesar que no meu caso já se pode falar em confinamento, pois minha atividade de advogado esta praticamente parada. Os prazos foram suspensos, audiências canceladas e mínima possibilidade de atendimento e clientes. Acabo por utilizar os equipamentos e facilidades tecnológicas. Tudo praticamente virtual. Enfim, como dependemos desta máquina. 

No entanto, de tanto acompanhar as notícias, pois ainda me sinto muito perdido, acabei por saber que um preso de Londrina, o qual teve a possibilidade de cumprir o restante da pena em casa acabou por não aceitar a determinação legal.

Trata-se de um preso que foi condenado por crime sexual contra vulnerável e já teria cumprido doze anos de prisão, A conclusão é que condenado por uma pena alta em razão do crime cometido. Esse detento tem 65 anos de idade,  dentro da faixa de risco.

Apesar do advogado ter ingressado com o pedido de liberdade e o juiz ter deferido, o detento alegou que o advogado não lhe pediu autorização para ingressar com o pedido e fez uma declaração cujo teor foi que preso estaria mais protegido.

Quanto à proteção contra o coronavirus não saberia definir, mas existe uma recomendação do Ministério da Saúde e as mortes no mundo demonstram que pessoas acima dos sessenta anos estão numa faixa de risco. 

Infelizmente, aqueles que cumprem penas longas. por muitas vezes não querem sair do sistema, pois estão melhores na cadeia, inclusive, no regime semiaberto com trabalho. A situação, digamos sociológica deste detento é de muita dificuldade, em razão de sua idade e de seu currículo de 12 anos preso.

Problema de difícil solução quando o país se encontra em meio a uma guerra, nas é uma questão que existe antes da pandemia e irá se agravar quando pessoas saídas do cárcere estarão nas ruas desamparados, juntamente com a população trabalhadora. Espera-se que a violência não aumente.

O Brasil esta pagando pela sua falta de planejamento durante anos, quiçá desde o início de sua história moderna e agora esta tendo que correr atrás do prejuízo.

Marcelo Campelo

 

*As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a posição do portal RIC Mais.

Marcelo Campelo

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