O Jardim Social é um dos mais tradicionais bairros de Curitiba.

Nele moram aproximadamente 6 mil pessoas. Quase a mesma população de cerca de 1240 municípios brasileiros. Ou seja, existem mais de mil cidades no Brasil com quase o mesmo número de habitantes do nobre bairro curitibano.

Se o Jardim Social se tornasse um município independente, teria direito a toda estrutura de poder que uma cidade possui. 

Os moradores com direito a voto, cerca de 4 mil pessoas, teriam que eleger um prefeito para ser o gestor municipal. Um vice-prefeito o acompanharia na prefeitura. Que teria de ser criada, com todos os funcionários públicos necessários para funcionar bem.

O prefeito eleito teria que formar sua equipe de trabalho. E assim secretários seriam nomeados. Um para a saúde, outro para a educação, o do trabalho, e assim por diante. Cada um deles com seu assessor, afinal de contas ninguém consegue fazer tudo sozinho.

Todo o trabalho do poder executivo seria fiscalizado pela Câmara Municipal.

Que também teria que ser criada, com a contratação de mais alguns funcionários, para dar condições de trabalho aos vereadores da cidade. Que seriam eleitos pelo povo, para representar os moradores na tomada de decisões do município.

Todo esse pessoal que trabalha na prefeitura e na câmara municipal engrossaria as fileiras dos servidores públicos do município. Se juntam a professores, enfermeiros, cozinheiras e todos os outros necessários para fazer uma cidade funcionar.

No fim das contas o número fica tão grande que o governo se torna o maior empregador municipal. E a folha de pagamento se torna um problema financeiro gigantesco, pois a cidade é pequena, arrecada pouco e custa caro manter os serviços essenciais funcionando.

Em pouco tempo as contas vão pro vermelho. O prefeito então vai para a capital do estado pedir socorro ao seu deputado, que por sua vez apela ao governador por uma ajuda financeira para sua base eleitoral. E tem início o “toma lá, dá cá” na Assembleia Legislativa Estadual.

O problema é que o governador também está sem dinheiro. Pois além de todos os custos para manter o estado funcionando, ele ainda precisa de dinheiro para socorrer os prefeitos dessas pequenas cidades, que sem a ajuda dele literalmente fecham as portas.

E nessa hora o governador recorre aos deputados federais e senadores do seu estado, que vão a Brasília falar com ministros e com o próprio Presidente da República pedir ajuda financeira. O “toma lá, dá cá” assume proporções nacionais. E o presidente acaba socorrendo o governador, em troca de algum favor futuro.

E sabe quem paga tudo isso

O contribuinte brasileiro. Que acaba pagando desde o salário do prefeito, secretários e servidores das cidades com 5 mil habitantes, até os valores envolvidos nas trocas de favores que os políticos fazem trancados em seus gabinetes.

Ontem o ministro Paulo Guedes apresentou no congresso um projeto que acaba com isso. 

A proposta é incorporar essas 1240 cidades com menos de 5 mil habitantes, que não conseguem sequer funcionar sozinhas, a outras municípios próximos, diminuindo toda essa estrutura desnecessária de governo, que consome recursos que fazem falta na saúde, educação, segurança etc. otimizando a gestão pública dos estados e do país.

É uma proposta tão boa, tão necessária, tão óbvia que já deveria ter sido executada em governos passados. Não faz o menor sentido ela nunca ter saído do papel.

Será que agora vai?

Leandro Requena

Leandro Requena

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