A decisão do STF sobre a prisão em segunda instância dividiu a população brasileira em “castas”.

De um lado os políticos com direito a foro privilegiado, grandes empresários, donos de empreiteiras, banqueiros, funcionários públicos de alto escalão e todo o resto daquela turma acostumada a praticar os famosos “crimes de colarinho branco” e que tem dinheiro suficiente para gastar fortunas com bons advogados, o que os permitiria ficar impetrando recursos em cima de recursos no STF, tornando a prisão algo impossível para esse tipo de criminoso.

Do outro lado todo o resto do povo brasileiro.

 

Não é preciso ser nenhum especialista em direito criminal para saber que as classes mais baixas não serão beneficiadas pela nova regra.

 

O pobre quando é suspeito de um crime, em muitos casos, já vai direto pra cadeia. Depois que discute na justiça se é culpado ou inocente.

Não existe “transito em julgado” pra quem vive na periferia, nas favelas e nos morros.

 

Os principais beneficiados pela decisão do Supremo são os condenados pela Lava Jato.

 

Com Lula puxando a fila, já começou a debandada dos presídios. Corruptos condenados estão a espera da liberdade, não merecida, mas que será concedida graças a decisão dos nobres ministros do STF.

Com a liberdade de Lula, o panorama da política nacional muda completamente.

A oposição, ou melhor, os partidos de esquerda, passam a ter um líder com alcance nacional para fazer frente ao governo. Vão incomodar muito mais do que fazem atualmente.

Por seu lado o Presidente Bolsonaro se fortalece politicamente com seu maior rival saindo da cadeia. Por mais bizarro que isso possa parecer.

Bolsonaro foi eleito principalmente por ter conseguido criar ao longo dos anos a imagem de líder do “antipetismo”. Poucos sabem enfrentar o PT, com Lula a frente, como ele. Agora vai jogar um jogo para o qual se preparou a vida inteira. Com a vantagem de ter toda máquina pública ao seu lado.

Os políticos que não gostam nem de Lula e nem do Bolsonaro também pretendem tirar proveito dessa nova realidade política.

Aqueles interessados em se lançar como a “terceira via” para eleição de 2022 já começam a arregaçar as mangas para tentar se firmar como alternativa para briga entre a esquerda x direita que vai monopolizar o noticiário nos próximos anos.

 

Ciro Gomes, João Dória, Luciano Huck, entre outros, podem até não falar em público. Mas estão felizes da vida com a possibilidade que se abre nessa disputa.

 

No fim das contas a decisão do Supremo acabou beneficiando não apenas os corruptos presos, mas também muita gente poderosa.

Alguém ficou surpreso com isso?

Leandro Requena

Leandro Requena

Compartilhe essa opinião:

Opiniões do colunista