Incrível e inadmissível pensar que vivemos na era da imbecilidade, do retardo coletivo. De repente, tudo parece perdido, meio que a esmo, dançando num espaço e num tempo que só faz parte do imaginário coletivo. Cadê o concreto? Cadê o real? A política, com sua vasta distribuição de cargos e promessas sem alicerce, cada vez mais, neste País, é moeda de barganha. Muitos pobres tentam massacrar outros pobres. Ricos sem noção, só querem abocanhar uma fatia ainda maior de mercado, de comércio, de território e não abrem espaço para mais ninguém. E assim, tudo se esfacela, tudo vira fumaça.

E por falar em fumaça, nunca o fogo e a técnica da coivara como aprendemos na escola em tempos há muito idos, estiveram tão em voga como nos últimos tempos. Do nada, vimos tudo pegar fogo ao nosso redor, principalmente em se tratando de discussões acaloradas, regidas por labaredas estratosféricas da discórdia, do desentendimento. Um problema que vem de anos e que é a vergonha nacional, por tratar-se da destruição da nossa fauna e flora, tem virado motivo de desavenças, de acusações e de brigas pelo poder ou por saber quem está com a razão. E enquanto essa cortina de fumaça é criada, nossas regiões mais belas e vitais para cada um de nós, ardem num fogo que se assemelha ao do Juízo Final.

Há quem vista uma camisa hoje para dela se desfazer ao menor aperto em uma costura malfeita e vestir outra amanhã. Tudo é muito natural para quem não tem caráter. Tudo é da lei para os desavergonhados e antiéticos. É uma dança sem sentido essa. Há uma grande multidão advogando em causa própria, pensando única e exclusivamente em seus interesses e no próprio bolso. E o povo? Bem, o povo se digladia com ferramentas domésticas, com unhas e dentes e no fim, troca de camisa com uma facilidade impressionante, não se importando se a vestimenta que há pouco esteve no corpo do outro, está suada, rasgada, enfumaçada, fétida.

Volto a insistir que num tempo desses, é inadmissível qualquer tipo de retrocesso. Parar e pensar, se faz necessário, para só então, agir. Mas não noto empenho, foco em ações que venham ao encontro dos interesses salutares das pessoas, das comunidades, do planeta, em si. Eu percebo sim, o início de uma guerra de comadres, um bate-boca sem sentido e que não leva a lugar algum. Aliás, leva sim: ao abismo, à burrice coletiva, ao caos desnecessário, à chacota internacional.

Vivemos no mesmo planeta (até prova em contrário), respiramos o mesmo ar, mas em defesa de ideias, de ideais puramente doentios, de poder, de ganância, jogamos tudo para o alto e torcemos para que o fogo tome conta de tudo, para que destrua o que há de bom, de belo, de necessário em nosso redor. Desprezamos a vida a cada dia que passa e isso é a pior de todas as ideias. É imbecilidade pura e simples.

Em meus sonhos (que não são de Ícaro), eu ainda penso que há espeço à inteligência, ao entendimento, ao amor.

O que faz bem para todos, deve prevalecer. As boas ideias, as soluções para os problemas, a vontade de deixar o entorno cada vez mais bonito, alegre, harmônico e, sobretudo, habitável, deve ser o objetivo a nos incentivar.

Em meio a esta cortina de fumaça, procuro desembaçar meus olhos e olhar para além do óbvio, do pragmático e buscar no horizonte, novas razões, novas oportunidades. Assim, com certeza poderemos sonhar sem medo nem receio, com um mundo onde o coletivo e a verdade sejam, de fato, promessas básicas de uma existência por assim dizer, mais humana.

Jossan Karsten

Jossan Karsten

Compartilhe essa opinião:

Opiniões do colunista