Temáticas relacionadas à vida familiar

Nessa coluna, pretende-se abordar temáticas relacionadas à vida em família. Apesar de cada família ser única em seus padrões e relacionamentos, compreende-se que a vida familiar perpassa por ciclos. Por exemplo, a independência dos filhos, a formação do casal, a família sem filhos, a família com filhos pequenos, com filhos adolescentes, com filhos adultos, com o “ninho vazio”, e com pais idosos. Em cada um desses ciclos, a vida familiar transita por processos emocionais. Neles são elaboradas novas formas de conviver em família, na medida em que são requeridas mudanças que favoreçam o crescimento de todos os membros familiares.

A vida familiar e os processos emocionais

Envolver-se nos processos emocionais, e promover as mudanças requeridas em cada ciclo da vida familiar, nem sempre são mobilizações tranquilas. No entanto, é possível famílias evoluírem sem se desestruturarem, mesmo passando por algumas crises. Isso acontece em situações em que os membros familiares estão abertos à evolução da vida familiar, numa percepção de que é preciso se reestruturar diante das mudanças, numa abertura ao diálogo e numa interação familiar positiva. Por outro lado, famílias que se mostram rígidas e fechadas ao aprendizado, podem estar ameaçadas à desestruturações e disfuncionalidades preocupantes. Geralmente seus membros não elaboram de forma funcional os processos emocionais em transição e se mostram resistentes a assumirem as tarefas necessárias para cada novo ciclo da vida familiar.

Disfuncionalidades familiares

Famílias que se estruturam disfuncionalmente, em meio aos ciclos da vida familiar, apresentam posturas evasivas diante dos conflitos e comunicação reativa e intrincada. Além disso revelam rigidez na imposição das regras, fronteiras emaranhadas e/ou desligadas, triangulações relacionais, inversão de papéis, superproteção, permissividade ou negligência parental e relação conjugal conflitiva.

Respondendo positivamente aos conflitos

Famílias funcionais enfrentam seus conflitos, respondendo positivamente aos desafios e crises. Também desenvolvem uma comunicação dialógica e honram e efetivam os compromissos assumidos. Estabelecem fronteiras claras entre os subsistemas (especialmente entre o subsistema conjugal e o parental, e entre o parental e o filial), equilibram harmoniosamente os afetos e limites na educação dos filhos e demonstram amor e apreciação uns aos outros.

Famílias perfeitas, obviamente não existem, nem mesmo famílias sem crises.

O que diferencia um sistema familiar com maior ou menor funcionalidade é a forma como cada família enfrenta os seus desafios ao longo do ciclo da vida familiar.

Partindo dessa percepção sobre a vivência familiar, pretende-se, nessa coluna, contribuir com informações e reflexões para uma melhor compreensão das relações familiares. Caros leitores, sejam muito bem vindos à essa coluna. Que possa instigá-los à percepções que contribuam para uma vida melhor em família.

Clarice Ebert

Clarice Ebert

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