No último dia 23 perdemos aquele que eu considero o professor mais influente que já tive. O final de janeiro, aliás, foi um período de perdas intensas, já que em menos de 4 dias perdemos Kobe Bryant, um dos mais icônicos jogadores de basquete de todos os tempos…E Clayton Christensen, professor com o qual tive o prazer de estudar em 2010, na Harvard Business School. 

 

Christensen era um visionário. Ele foi o criador do termo Inovação Disruptiva (tão utilizado de forma equivocada nos dias de hoje), além de ter desenvolvido outras teorias extremamente importantes para o mundo dos negócios. Sua influência foi tanta que nomes como Reed Hastings, da Netflix, e Steve Jobs, da Apple, beberam da fonte de conhecimento de Christensen. 

 

Christensen começou a dar aulas em Harvard em 1992, após uma carreira como executivo e consultor, e ao longo dos anos se tornou um de seus professores mais importantes. Em 1995 ele publicou pela primeira vez sobre a chamada Disruptive Innovation, mostrando como empresas já estabelecidas perdiam mercado para novas empresas (bem antes da modinha das startups) mais rápidas, mais inovadoras e que começavam a ganhar mercado quase de forma incipiente. 

 

Outro de seus conceitos mais conhecidos veio no início dos anos 2000, o conhecido Job to be done, ou “trabalho a ser feito”. Segundo Christensen, todos nós temos, ao longo do nosso dia, diversos “trabalhos a serem feitos”. Podemos fazer esses trabalhos por nós mesmos ou contratar profissionais ou empresas para realizarem esses trabalhos por nós.

 

Se queremos fazer uma refeição, por exemplo, esse é o nosso trabalho a ser feito. Para realizar essa ação, temos diversas opções: pesquisar uma receita e cozinhar algo, sair de casa e ir comer em algum lugar, pedir comida por um aplicativo e assim por diante.

 

O contexto faz toda a diferença na ação que tomamos. E isso faz toda a diferença em como as empresas devem desenhar os seus produtos.

Essa teoria mudou de forma drástica como gestores encaravam seus produtos no cotidiano dos consumidores, prestando muito mais atenção na forma como podiam inserir suas soluções na dia-a-dia dos clientes, e não o contrário.

 

Contudo, mesmo tendo criado conceitos tão poderosos, a lição mais impactante que aprendi com Christensen não veio de seus livros de negócios, mas sim do livro How will you measure your life?. “Como você vai medir a sua vida?”

 

Em 2010, Christensen foi diagnosticado com câncer. Quando estive em Harvard, ele havia voltado a dar aulas há pouco tempo e ainda tinha dificuldades em elaborar as frases. Foi um momento emocionante e inesquecível. 

 

Quando recebeu o diagnóstico, Christensen relata que começou a repensar toda a sua vida. A partir daí, repensou toda a forma de medir a própria vida.

 

É comum que muitas pessoas meçam sua vida pelos prêmios que ganharam ou por quanto dinheiro acumularam. Christensen havia recebido diversos prêmios e condecorações ao longo da vida. E claro, como profissional de alto nível que era, provavelmente havia acumulado um bom patrimônio.

Mas a doença mudou toda a sua perspectiva. Ele revisitou o que havia de mais profundo em sua vida.

 

Qual seria a melhor maneira de mensurar a própria vida?

 

Christensen costumava dizer que era mais fácil se manter fiel aos seus princípios por 100% das vezes do que por 98%.

A ideia dele era que: se você abre exceção uma vez, é bem provável que abrirá mais vezes. E aí os seus princípios não serão mais princípios de verdade, apenas palavras bonitas. 

 

Essa era uma das lições que faziam parte dos princípios de Christensen. Dentre os outros, alguns princípios de negócios que, segundo ele, poderiam ser aplicados à vida, com questões como alocação de recursos e criação de cultura. 

 

Christensen nos deixou aos 67 anos. E, além do legado ligado ao mundo da inovação, ele deixou ensinamentos que podem mudar a forma como vivemos nossas vidas.

As métricas que realmente importam para medir uma vida, segundo ele, não deveriam ser coisas como prêmios ou patrimônio, mas sim o número de pessoas que pudemos ajudar, influenciar positivamente, ou contribuir com o seu desenvolvimento. 

 

Essa é a métrica que aprendi a usar. E, acredite, isso tem feito toda a diferença na minha vida.

 

A Christensen, seus ensinamentos e seu exemplo, o meu muito obrigado

 

Allan Costa

Allan Costa

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