Algumas vezes, conversando com familiares, amigos e colegas de trabalho, já observei um tipo comum de discurso, principalmente daqueles que não estão no meio do empreendedorismo ou da tecnologia.

Esse tipo comum de discurso segue algo como: “Como eu gostaria de poder voltar no tempo e ter começado a Microsoft”. E no lugar de Microsoft, dependendo de quem fala, você pode incluir também Amazon, Google ou Facebook. No lugar das empresas, alguns falam também em tecnologias específicas, como o computador pessoal ou os smartphones.

No mundo de hoje, é natural que pensemos que tudo o que tinha de ser inventado já o foi. A tecnologia já é tão onipresente em alguns aspectos de nossas vidas que não percebemos a armadilha que esse tipo de discurso traz.

Perceba que, quando alguém se refere à época na qual Amazon, Google ou Microsoft foram fundados, está dizendo que gostaria de ter enxergado esse tipo de oportunidade e ter abraçado-a antes de qualquer outra pessoa, podendo fundar um negócio revolucionário.

Tirando o fato de que esses negócios não chegaram ao tamanho que chegaram simplesmente por serem boas ideias, achar que todas as grandes revoluções tecnológicas já aconteceram é ter uma visão muito simplista sobre a tecnologia e sobre o nosso futuro. É raro que pensemos nisso, mas se você parar para pensar, a internet, enquanto veículo comercial, existe há aproximadamente 30 anos (desde a invenção da linguagem HTML e a publicação do primeiro site na World Wide Web, no início dos anos 90).

Como diria Jeff Bezos: “Ainda há muito a ser inventado. Muita coisa nova ainda vai acontecer. Ninguém ainda faz ideia do impacto que a internet produzirá e se dá conta do fato de que, em muitos aspectos, estamos apenas no primeiro dia”.

Quando se deparar com algum pensamento nostálgico, do tipo “gostaria de ter aproveitado melhor as grandes revoluções que vivemos nas últimas décadas”, pense nas oportunidades que estão aparecendo hoje e que você pode não estar vendo, justamente por pensar que tudo já foi inventado.

Vivemos em uma época de abundância. Abundância que só irá crescer daqui para frente.

Estamos prestes a entrar em uma nova Era. É possível imaginar que diversas pessoas, lá em 2050, estejam conversando e reproduzindo aquele mesmo discurso que costumo ouvir de vez em quando.

É natural pensarmos que não há mais espaço para novas invenções ou inovações autênticas. Mas é sempre bom lembrar que novas tecnologias sempre trazem novos problemas. E esses novos problemas são resolvidos a partir de novas tecnologias. E esse ciclo sempre se repete. As tecnologias que surgiram há algumas décadas e deram início a esses negócios revolucionários mudaram os mercados e a sociedade. Como o ciclo nunca termina, elas abrem oportunidades para novos problemas a serem resolvidos.

Novas tecnologias já começaram a emergir, como blockchain, inteligência artificial e realidade virtual e aumentada. Mas como gosto de dizer, tecnologia é meio, não fim. Se você quer estar à frente daquilo que está por vir nos próximos anos, o foco não deve ser a tecnologia, mas sim as pessoas.

Pensar simplesmente nessas tecnologias por elas mesmas pode desviar o nosso foco, que deveria estar em como e por que elas serão tão revolucionárias. Blockchain não é revolucionário simplesmente por que está no hype. Tem o potencial de ser revolucionário por permitir a descentralização de processos, transferências e decisões. A descentralização é uma das grandes tendências para as próximas décadas. É nisso que você deve focar se quiser estar à frente.

A Amazon utilizou doses e mais doses de tecnologia para entregar conveniência e grandes experiências aos seus clientes – embora esteja enfrentando, em tempos recentes, o desafio do gigantismo, que tem feito a qualidade de alguns de seus serviços decair. Essa cultura customer-centric já é uma das mais poderosas tendências de negócios da atualidade.

As próximas décadas trarão oportunidades como nunca antes vistas. Quem se mantiver com o pensamento de que está tudo inventado e de que não existem oportunidades a serem exploradas, sofrerá. Aqueles que souberem adotar a tecnologia como meio para ampliar as grandes tendências, baseadas no comportamento das pessoas, têm um caminho potencialmente primoroso nas próximas décadas.

Allan Costa

Allan Costa

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