Em tempos de previsões quase apocalípticas, confesso que me tornei um pouco avesso à ideia de fazer previsões tão diretas sobre o mundo dos negócios. Contudo, como sempre, gosto de analisar todo o contexto daquilo que estou observando e, como não consigo ficar quieto, acabo tecendo a minha opinião sobre o que está por vir.

 

Ao longo da última década, estive bastante inserido no mundo das startups, primeiro como um estudioso e entusiasta desse mundo, e, na sequência, como um insider, na condição de investidor, conselheiro e cofundador.

 

Os anos 2010 a 2019 marcaram a entrada das startups no “conhecimento popular”. Elas viraram assunto de discussão nos mais diferentes locais e muitas passaram a fazer parte do nosso cotidiano de forma avassaladora.

 

Ao longo dos últimos anos, o número de unicórnios (startups avaliadas em pelo menos 1 bilhão de dólares) cresceu exponencialmente e o Brasil ganhou as suas primeiras empresas a fazer parte desse seleto grupo. A democratização das novas tecnologias permitiu que negócios disruptivos surgissem a uma velocidade nunca antes vista, e podemos dizer que estamos apenas no começo de tudo isso.

 

A revolução criada por esses negócios exponenciais  irá causar impacto em todas as áreas da nossa vida, seja o entretenimento, seja a educação, seja a saúde. Como diria Jeff Bezos, “(…) Ninguém ainda sabe o impacto que a internet irá produzir. Ainda estamos no primeiro dia”.

 

Contudo, toda essa “democratização” das startups trouxe também alguns contrapontos. Dentre eles, existe o famoso mito do fundador jovem, criado a partir da ideia de que os fundadores das startups bem sucedidas são jovens com vinte e poucos anos, que largaram a faculdade na metade e lançaram um empreendimento bilionário que começou na garagem dos pais.

Muitas vezes, a mídia e o grande público focam demais nas exceções, como Mark Zuckerberg (Facebook) e Evan Spiegel (Snap), passando a ideia de que a maioria dos fundadores das startups mais bem avaliadas são, de fato, jovens, quando na verdade uma pesquisa do MIT já mostrou que a média da idade dos fundadores das startups de maior crescimento é de 45 anos. Bem longe dos 20 e poucos que as notícias nos fazem acreditar.

 

Outro contraponto a todo esse movimento das startups é a modinha dos “startupeiros”. De repente, parece que passar alguns anos em uma empresa tradicional ou buscar outras alternativas de carreira é algo quase “errado”.

 

Criou-se uma certa glamourização do ambiente de startups que passa a ideia de que fundar uma delas é algo cool e a única alternativa viável de futuro para as novas gerações. Ter uma startup é legal? Com certeza. Mas buscar uma carreira em uma grande empresa também pode ser extremamente compensador. Empreender não é nada fácil. Exige doses cavalares de preparo emocional, psicológico e técnico e não, isso não é para todo mundo.

 

Por fim, como o título desse artigo diz, eu acredito fortemente que 2020 marcará uma nova Era no mundo das startups pois acredito que algumas dessas convenções começarão, cada vez mais, a serem derrubadas.

 

Startup não é “coisa de jovem” e não é um tipo de empreendimento para todo mundo. Startup é um negócio como qualquer outro, que requer muito trabalho, muita estratégia, muita mão na massa e tem muitas, muitas chances de dar errado.

 

Claro, como essas tendências sempre demoram um pouco mais para se concretizar do que nossa percepção nos diz, é esperado que algumas dessas convenções ainda estejam em voga durantes os próximos anos. Mesmo assim, acredito fortemente que nós, como sociedade e profissionajs de negócio, teremos cada vez mais uma percepção muito mais realista em relação a esse mundo tão fascinante das startups.

 

Eu entraria aqui também em outro tópico, esse um pouco mais técnico, que diz respeito às valuations absurdas que temos visto nos últimos anos e o que REALMENTE significa ser uma startup de sucesso (e como isso vai mudar nos próximos anos), mas deixarei para elaborar melhor esses pensamentos em artigos posteriores.

Allan Costa

Allan Costa

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