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Laudo confirma que cachorrinha de médico morreu por agressão, diz Polícia Civil

Durante a manhã desta quarta-feira (12), um mandado de busca e apreensão também foi cumprido no apartamento onde o médico mora; cão Bento foi retirado do tutor e encaminhado a uma ONG da cidade

Aline
Aline Cristina / Repórter
Laudo confirma que cachorrinha de médico morreu por agressão, diz Polícia Civil
Foto: Reprodução/Câmera de segurança

12 de janeiro de 2022 - 11:58 - Atualizado em 12 de janeiro de 2022 - 13:48

O laudo da clínica veterinária que fez a necropsia da cachorra Capitu, animal doméstico do médico anestesista de Cascavel, confirmou que a cachorrinha foi agredida. A informação foi confirmada pelo Delegado-adjunto Fernando Zamoner.

“A veterinária emitiu um parecer inicial de como chegou o animal, depois disso o corpo foi encaminhado para uma universidade para que lá fosse feito o exame de necropsia, inclusive já recebemos as imagens, Em princípio foi sim constatado a agressão no animal. A partir de agora o médico veterinário que fez essa análise vai emitir o laudo de necropsia, para apontar as marcas de lesão que o animal apresentava.”

Fernando Zamoner-Delegado-adjunto

Veja o laudo:

O laudo aponta ainda que, ao abrir o crânio da cachorrinha, foram constatadas áreas hemorrágicas multifocais. O resultado do exame foi que houve hemorragia intracraniana severa por traumatismo cranioencefálico.

Durante a manhã desta quarta-feira (12), um mandado de busca e apreensão também foi cumprido no apartamento, onde o médico, de 30 anos, mora, na Rua São Luiz, no Bairro Cancelli.

(Bento, animal que foi retirado do tutor, juntamente com o representante ONG Sou Amigo)

O mandado expedido pelo Juiz da 3ª Vara Criminal de Cascavel determina que “Bento”, o outro cão do médico, da raça Spitz Alemão, seja recolhido e entregue aos cuidados da ONG de da cidade, Sou Amigo.

Mobilização

Vários representantes de ONG’s e também defensores da causa realizaram uma protesto no pátio da Delegacia de Polícia Civil, no começo da tarde desta quarta-feira (12), pedindo por justiça.

Com faixas ele demonstraram a indignação em relação a morte da cachorrinha Capitu. O médico, suspeito da agressão e morte do animal, irá passar por audiência de custódia durante a tarde, que irá definir se ele responde pelo crime em liberdade.

(Foto: Raul Stanazio/RICtv)

Sobre o caso

Além das imagens que foram gravadas por testemunhas, imagens do circuito de segurança do prédio onde o médico mora foram divulgadas. O profissional, suspeito de agredir até a morte o próprio animal de estimação, aparece nas imagens, com Capitu nos braços, aparentemente desacordada.

Após a agressão, o profissional de 30 anos, levou o animal a uma clínica veterinária que fica a cerca de 500 metros de seu apartamento, no entanto a cachorrinha não resistiu e morreu. Aos policiais ele confessou a prática do crime e foi detido.

Em coletiva na manhã de terça-feira (11) a polícia informou que o anima foi agredido por ter feito de “xixi” no local errado.

” As informações preliminares dão conta que ele teria usado um pedaço de pau para agredir o animal. O médico relatou que estava a cinco meses, mais o menos, com o cachorro e que teria tentado corrigir, o cão após ele fazer xixi em lugar errado. Ele informou que estava treinando o animal, e por não ter obedecido, ficou estressado com o fato, deu um golpe no cão que convulsionou. Mas o vídeo aponta uma série de golpes contra esse animal.”

Diego Astori Capitão Polícia Militar

médico foi preso em flagrante por maus-tratos animal, sem direito de fiança. Em depoimento, ele negou que tenha agredido a cachorrinha e disse que ela aparentemente sofreu uma convulsão por estresse após ser corrigida por fazer xixi no lugar errado

“Eu não bati no animal, que é a minha cachorra, rolou um estresse, eu fui corrigir e eu bati no chão. Ela por si só é escandalosa. Eu tinha limpado, ela fez xixi, eu fui levar para colocar de castigo, mas de pegar no colo, ela já grita e faz xixi, sozinha. Independente de estar brigando ou não. Aí, ela começou a fazer coco e gritar. Aí, eu fui limpar ela e levei para colocar de castigo. Ela continuava gritando, esperneando e eu bati no chão com um chinelo. Aí, ela teve uma convulsão, pareceu talvez uma convulsão, meio que se desfaleceu. Nessa hora, eu liguei para a veterinária, que é veterinária do meu outro cachorro, dos dois, desci com ela reanimando e cheguei para a veterinária”,

disse o médico.

Vida profissional

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Paraná, informou que irá apurar o caso.

O CRM-PR tomou conhecimento da denúncia pela imprensa e aguarda comunicação da autoridade competente para conhecimento dos fatos e possível relação com desvio de conduta ética de profissional médico. Haverá sim instauração de procedimento apuratório.

Nota CRM-PR

De acordo com a Clínica de Anestesiologia do Oeste do Paraná (Caop), a qual o médico era associado, eles não compactuam com nenhum tipo de violência, mas afirmam que é necessário que seja feita uma investigação rigorosa sobre o caso. Além disso, informam que, caso seja provada a culpabilidade, serão tomadas todas as medidas legais dentro da empresa, para que não se perpetue a impunidade.

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