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Giardíase: como prevenir

Pauline
Pauline Machado / Canal de Estimação Jornalista e Acadêmica de Medicina Veterinária
Giardíase: como prevenir

27 de janeiro de 2022 - 00:02

As doenças parasitárias gastrointestinais ocorrem em todo o mundo e são a principal causa de diarreia e má absorção nos animais e no ser humano. A giardíase, causada pelo protozoário Giardia lamblia, é considerada a doença parasitária intestinal mais comum que acomete os mamíferos. A prevalência da giardíase no ser humano varia entre 12 a 50% em países do mundo considerados em desenvolvimento (Santana, et al 2014), e esta prevalência é similar ou ainda maior nos animais, que são considerados reservatórios deste parasita. Devido à alta frequência desta doença em todo o mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu esta doença no grupo de doenças consideradas negligenciadas. 

Segundo o SIDAN, Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para a Saúde Animal, durante o período de pandemia, houve um aumento de 30% na adoção de pets. Neste cenário, e pela importância que os cães e gatos desempenham como reservatório para esta doença, é essencial o conhecimento sobre os fatores que estão envolvidos, principalmente na infecção e no diagnóstico deste patógeno.  Assim, reunimos algumas informações relevantes que darão suporte e direcionamento para médicos veterinários e tutores que desejam saber mais sobre a giardíase. 

O principal sinal clínico da infecção por Giardia é a diarreia, que pode conter ou não muco, e ocorrer de forma aguda, crônica, intermitente ou persistente. A diarreia pode ocorrer com frequência variada dependendo do estado de saúde animal, sendo que os casos mais graves estão relacionados à situações de imunossupressão. A adesão dos trofozoítos na vilosidade intestinal causam principalmente falhas na absorção dos nutrientes, o que resulta em perda de peso. Outros sinais clínicos que também podem ocorrer são: desidratação, dor abdominal, anorexia, flatulência e distensão abdominal. 

Um dos primeiros métodos desenvolvidos e ainda utilizados para o diagnóstico da giardíase é a técnica de flutuação, utilizando soluções salinas ou de sulfato de zinco. Apesar de amplamente utilizado, a identificação direta do patógeno nas fezes utilizando esta técnica apresenta baixa sensibilidade (entre 20 e 43%). Outras limitações e adversidades encontradas na utilização deste método é a necessidade de treinamento intenso, especialmente devido à similaridade morfológica com outros parasitas, como Trichomonas e também a depreciação acelerada dos instrumentos utilizados como o microscópio, o que ocorre devido à corrosão causada pela salina.  

Métodos indiretos, baseados na detecção de anticorpos também podem ser utilizados, no entanto a presença de anticorpos não possui associação clínica direta com a parasitemia, o que dificulta a sua correlação com a clínica do animal no momento do exame. 

A detecção de antígenos consiste em métodos baseados no reconhecimento de fragmentos específicos do patógeno, o que aumenta a especificidade do teste, e permite atingir até 100% de sensibilidade. Atualmente, o uso de métodos imunocromatográficos, também conhecidos como testes rápidos para o diagnóstico de doenças como a giardíase, permitiram o diagnóstico prático, rápido e eficiente em ambiente laboratorial e clínico, ou mesmo em consultas a domicílio.  

Pensando em oferecer um diagnóstico confiável e de qualidade, a Bioclin possui em seu portfólio o teste Giárdia Ag VET FAST, um teste imunocromatográfico para determinar a presença de antígenos de Giardia lamblia em amostras de fezes de cães. O método desenvolvido pela Bioclin é de fácil execução e o resultado é obtido em até 10 minutos.

O que  deve-se saber para obter o melhor resultado no  teste: 

  • É importante que a amostragem seja realizada em quatro pontos distintos da amostra de fezes, favorecendo a detecção do antígeno do protozoário. 
  • O excesso assim como a falta de amostra deve ser evitado, uma vez que podem entupir o dispositivos teste ou ainda reduzir a sensibilidade do mesmo. 
  • O processo de extração da amostra no diluente é uma etapa de grande essencial, e deve ser realizada com muita atenção. Para maximizar este processo, insira o swab no diluente e faça movimentos giratórios, esfregando-o contra a parede do tubo.
  • Após a extração das fezes no diluente, aguarde aproximadamente 5 minutos até a decantação do material particulado. Este processo evita o entupimento do dispositivo teste.
  • O tempo para obtenção do resultado deve ser contado apenas após a inserção do diluente + amostra no dispositivo teste.
  • Devido à eliminação intermitente da Giardia sp. nas fezes, apenas o diagnóstico positivo deve ser considerado como definitivo. Amostras com resultado negativo devem ser repetidas para confirmar o diagnóstico, principalmente quando a apresentação clínica da doença for compatível com a giardíase. 
  • Para o acompanhamento da eficácia do tratamento é indicada a avaliação da remissão dos sinais clínicos do animal, uma vez que a detecção do antígeno não indica a viabilidade do patógeno na amostra.

É importante lembrar que o diagnóstico final e o tratamento da giardíase é de responsabilidade do médico veterinário, especialmente porque deve considerar o conjunto de informações do histórico do animal e avaliação clínica juntamente com o resultado do teste.