Arte e Cultura

Morre Sergio Paulo Rouanet, criador da lei de incentivo à cultura, aos 88 anos

O intelectual e filósofo lutava contra o Parkinson e faleceu neste domingo (03), no Rio de Janeiro

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Morre Sergio Paulo Rouanet, criador da lei de incentivo à cultura, aos 88 anos
Sérgio Paulo Rouanet, intelectual brasileiro que criou a lei Rouanet, de incentivo à cultura. (Foto: Divulgação / Instituto Rouanet)

3 de julho de 2022 - 12:30 - Atualizado em 3 de julho de 2022 - 15:03

(Reuters) – O acadêmico e diplomata Sergio Paulo Rouanet, que criou a lei que leva seu nome, morreu neste domingo (03) aos 88 anos, no Rio de Janeiro, de acordo com a Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele lutava contra o Parkinson.

Em sua carreira, Rouanet foi cônsul na Alemanha e ministro da Cultura, quando criou a lei de incentivo fiscal à cultura, em dezembro de 1991. Era ainda o oitavo ocupante da Cadeira nº 13 da ABL, eleito em 23 de abril de 1992, de acordo com o site da Academia.

“Sérgio Rouanet é exemplo de intelectual público, que colocou sua competência a serviço da cultura brasileira, sem abdicar dos valores éticos”, afirmou o presidente da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira.

Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais, ele ainda fez pós-graduação em Economia, em Ciências Políticas e em Filosofia, e doutorado em Ciência Política. Coordenou a série de livros “Correspondência de Machado de Assis”, editada pela ABL. Por suas traduções de livros de Walter Benjamin, ganhou a Medalha Goethe. Além de artigos para prestigiadas revistas brasileiras e internacionais, escreveu os seguintes livros: “O homem é o discurso – Arqueologia de Michel Foucault”, “Imaginário e dominação”, “Itinerários freudianos em Walter Benjamin”, “Teoria crítica e psicanálise”, “A razão cativa”, “Riso e melancolia”, entre outros.

O intelectual estreou no jornalismo cultural no “Suplemento Literário”, do Jornal do Brasil, escrevendo um artigo semanal para a coluna “Eles pensaram por nós”. A partir de novembro de 1996, passou a ser colunista do caderno “Ideias”, do Jornal do Brasil, substituindo o professor Alfredo Bosi e compartilhando uma coluna com os ensaístas Luiz Costa Lima, Silviano Santiago e Flora Süssekind. Seus artigos foram publicados em vários números das revistas “Tempo Brasileiro”, “Revista do Brasil”, “Estudos Avançados”, da USP, “Revista Brasileira”, da ABL, além de publicações internacionais.

Foi Secretário de Cultura da Presidência da República (1991-92), Assistente do Secretário Geral de Relações Exteriores (1957-58), Assistente do Chefe da Divisão de Produtos de Base, (1966-67), Chefe da Divisão de Política Comercial, (1974-76,) Chefe do Departamento da Ásia e Oceania, (1983-86). Fez parte da Embaixada do Brasil em Washington, como Terceiro Secretário (1959-61) e como Segundo Secretário (1961-62. Integrou também a Delegação do Brasil em Genebra, como Primeiro Secretário (1967-68) e fez parte do Consulado Geral do Brasil em Berlim, como Cônsul Geral (1993-1996).

A ABL deverá fazer uma Sessão da Saudade na próxima quinta-feira, dia 7 de julho, em homenagem ao diplomata e intelectual.

(Texto da agência Reuters, editado e complementado por Giselle Ulbrich, portal RIC Mais)