Agronegócio

Datagro vê melhora na safra 22/23 de cana do CS, mas volume ainda abaixo de 20/21

Reuters
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Datagro vê melhora na safra 22/23 de cana do CS, mas volume ainda abaixo de 20/21
Colheita de cana em Jaboticabal

26 de outubro de 2021 - 12:15 - Atualizado em 26 de outubro de 2021 - 12:20

Por Roberto Samora e Marcelo Teixeira

SÃO PAULO/NOVA YORK (Reuters) – A próxima safra de cana do centro-sul (2022/23), a principal região produtora do mundo, deverá ter recuperação na comparação com o “desafiador” ciclo atual, afetado por seca, geadas e incêndios, mas ainda não atingirá o nível da temporada passada (2020/21), afirmou a consultoria Datagro em apresentação nesta terça-feira.

A Datagro apontou potencial de produção entre 530 milhões e 565 milhões de toneladas de cana para 2022/23, ante 518,6 milhões de toneladas projetadas para a safra atual 2021/22, quando a consultoria viu perdas da ordem de 90 milhões de toneladas, principalmente por problemas climáticos.

A safra atual, que está caminhando para o fim, compara-se a uma produção de 605,5 milhões de toneladas de 2020/21, segundo números da Datagro, em sua conferência internacional.

O presidente da Datagro, Plinio Nastari, reforçou que a perda de 2021/22 em volume “nunca foi vista”, citando uma temporada marcada por severa seca, que já foi seguida de anos de chuvas fracas, além de três geadas no último inverno.

As questões que impactaram a produção na temporada atual, portanto, ainda continuarão tendo efeitos no ano-safra seguinte, de abril a março.

“O volume de cana deve voltar aos patamares de 20/21 somente em 23/24. Então ainda não é o ano que vem”, disse Nastari.

No curto prazo, comentou ele, o foco do setor deverá ser a retomada do plantio de cana de 12 meses e os tratos culturais, à medida que as chuvas estão voltando em maiores volumes às lavouras.

Ele disse que a originação e custos de insumos e maquinários também são desafios. “Hoje tem uma dificuldade enorme para encontrar trator e colhedoras, implementos em geral”, afirmou, sem detalhar. “O foco vai continuar sendo controle de custos.”

Apesar de considerar a safra atual como uma das “mais desafiadoras da historia”, os preços têm sido compensadores e indicam que o setor poderá ter quatro anos de boas receitas, afirmou o analista.

“Não me lembro de ter visto quatro anos consecutivos de preços bons”, disse ele, lembrando que em geral cotações mais altas duram no máximo um ano e meio.

Ele disse ainda que o preço do açúcar em Nova York deve gravitar entre a cotação de “oportunidade” do etanol hidratado no Brasil (em açúcar bruto equivalente FOB Santos) e a paridade de exportação de açúcar na Índia FOB.

AÇÚCAR

Já a produção de açúcar do centro-sul em 2022/23 foi estimada pela Datagro entre 31,6 milhões e 33,7 milhões de toneladas, podendo avançar na comparação com o volume estimado para 2021/22, de 31,9 milhões de toneladas.

A Datagro ainda estimou produção total de açúcar na safra atual no maior exportador global em 34,9 milhões de toneladas, considerando uma fabricação de 3 milhões de toneladas no Nordeste.

Na safra passada (2020/21), o Brasil produziu 41,5 milhões de toneladas de açúcar, segundo a Datagro.

A produção de etanol de cana do Brasil cairá de 29,9 bilhões de litros em 20/21 para 26 bilhões de litros em 21/22, segundo o analista da Datagro, que não comentou sobre a projeção para 2022/23.

(Por Roberto Samora e Marcelo Teixeira)

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