Agronegócio

Conab eleva safra de soja do Brasil; volta a divulgar balanço de oferta demanda

Reuters
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Conab eleva safra de soja do Brasil; volta a divulgar balanço de oferta demanda
Armazém com soja no porto de Santos (SP)

11 de novembro de 2021 - 20:04 - Atualizado em 11 de novembro de 2021 - 20:05

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – A safra de soja do Brasil 2021/22 foi estimada nesta quinta-feira em recorde 142 milhões de toneladas, apontou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ao elevar sua projeção ante os 140,75 milhões na previsão de outubro, com uma revisão para cima na área plantada.

Se for confirmada a projeção, a safra de soja do maior produtor e exportador global de soja deverá crescer 3,4% ante o ciclo 2020/21, segundo Conab.

Até o mês passado, estatal havia projetado uma área de 39,9 milhões de hectares. Agora a expectativa é de um plantio de 40,3 milhões de hectares. O ajuste foi feito à medida que as plantadeiras avançam nos campos brasileiros.

O relatório desta quinta-feira, que mede uma situação de momento da safra que só começa ser colhida ao final de dezembro em Mato Grosso, também foi marcado pelo retorno da publicação de uma tabela de oferta e demanda da soja, cuja divulgação havia sido suspensa há mais de um ano, em meio a uma revisão de dados.

A Conab ressalvou, contudo, que disponibilizou os quadros de oferta e demanda de soja para as safras 2020/21 e 2021/22, já que os de anos anteriores seguem em processo de revisão das estatísticas.

“Apesar da revisão dos dados de produção da Conab, ainda necessitamos finalizar a revisão dos dados históricos de consumo e, eventualmente, de outras variáveis do quadro, para garantir que o quadro das safras anteriores a ser publicado seja consistente, considerando a oferta total e a demanda total ano a ano”, disse.

Durante o período em que a Conab ficou sem publicar o quadro de oferta e demanda houve uma série de ajustes metodológicos. O primeiro, foi a revisão da produção anunciada em agosto de 2020, quando ocorreu uma reavaliação dos dados primários, fato que indicou a necessidade de um ajuste na produtividade das safras 2013/14 a 2019/20.

A propósito da oferta e demanda de 2021, a Conab estimou esmagamento de soja em 47,17 milhões de toneladas, com o volume de sementes e perdas calculado em 3,47 milhões de toneladas, o que resulta em um consumo total de 50,64 milhões de toneladas.

Já as exportações em 2021 foram estimadas em aproximadamente 84,42 milhões de toneladas, gerando um estoque final de 7,38 milhões de toneladas.

Para 2022, a Conab estima um consumo total de 50,67 milhões de toneladas (incluindo esmagamento, sementes e perdas), com o processamento industrial somando 47,06 milhões de toneladas.

Esse número considera “projeções conservadoras na produção de óleo de soja para 2022”, mas pode ser alterado caso haja um aumento de percentual do biodiesel no diesel e caso haja um avanço significativo no consumo de diesel em função de uma recuperação econômica maior do que a prevista atualmente, disse a Conab.

Já as exportações de soja em 2022 devem crescer para 89,92 milhões de toneladas, gerando um estoque de passagem estimado em 9,30 milhões de toneladas.

MILHO

A safra total de milho do Brasil 2021/22 foi estimada em 116,7 milhões de toneladas, com ligeiro ajuste ante os 116,3 milhões da previsão anterior, mas com aumento de 34,1% ante ciclo 2020/21, quando a seca e geada afetaram as produtividades.

Para a safra velha (2020/21), a companhia agora projetou a produção total em 87 milhões de toneladas, uma redução de 15,1% em relação à safra 2019/20.

“Esse ajuste ocorre diante da constatação em campo de uma significativa redução de produtividade daquela safra.”

As exportações em 2020/21 deverão cair para 20 milhões de toneladas, por conta do impacto da seca e geadas, subindo para 36,68 milhões em 2021/22, se o clima continuar favorável.

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