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Scalene volta a Florianópolis para o Rock’n Park

Foto: Breno Galtier

Foto: Breno Galtier

Fui a dois shows do CPM 22. Em 2002, na saudosa Lupus Beer, e em 2004, quando concordei em ir ao Planeta Atlântida por causa do Sepultura. Época boa para o rock. No ano seguinte, o CPM, principal atração do Rock’n Park, festival que acontece neste sábado (2), no Devassa on Stage, teve a música mais tocada nas rádios do Brasil.

Além do CPM 22, o cast do evento terá a Band Nud, de São Paulo, o Scalene, e o Invvicta, grupo de metalcore de Florianópolis. Apesar de não ser atração principal, o Scalene é o grande destaque do Rock’n Park. O quarteto de Brasília (DF), que lança o primeiro DVD da carreira em julho, se apresentou na Capital no ano passado, logo após a participação no Superstar.

O guitarrista Tomas Bertoni esteve na Escola de Música Rafael Bastos no dia 20 de junho, onde palestrou sobre o mercado independente no Brasil. Foram quase duas horas de informações valiosas sobre o caminho do Scalene até o sucesso e a atuação da sua produtora cultural, a Rockin’ Hood. O Rifferama teve a oportunidade de entrevista-lo pela terceira vez (confira aqui e aqui os posts de 2013 e 2015). Tomas falou sobre as novidades da banda e a participação no Rock’n Park.

Rifferama - O DVD “Ao Vivo em Brasília”, gravado na Arena Lounge (estádio Mané Garrincha), tem três músicas inéditas. O Scalene está preparando um novo disco?

Tomas Bertoni – Nem lançamos o DVD e a galera quer saber o que vem depois. Não compomos o suficiente para ter essa noção. Nos divertimos no processo e, com certeza, ficará com mais influências de música brasileira. Não vamos virar o Nação Zumbi, mas estamos conhecendo muita coisa nova e empolgados com os CDs da Elza Soares, Metá-Metá… tem uma coletânea muito boa no Spotify que se chama “Rough Guide to Psychedelic Samba”. Estamos explorando esse universo, que influenciará no sentido de como encaramos os arranjos. Ficará mais percurssivo. O Scalene muda muito, mas sempre mantendo a identidade e referências.

Rifferama – Quais são os planos para o lançamento do DVD?

Tomas Bertoni - Lançamos o making of no dia 20 (de junho). Dia 27 saiu Vultos, um single ao vivo, algo que nunca tínhamos feito. Ela tem uma vibe diferente nos versos, mas é bem pesada. No dia 6 de julho terá uma première no Cinema de Rua, em São Paulo. Depois faremos uma transmissão única no dia 16 de julho, no Youtube. Vamos passar o DVD e esse link vai sumir. Também terá um lançamento exclusivo no Spotify (só o áudio). Entre os dias 15 e 18 os DVDs chegam às lojas. Também estará disponível no iTunes. Pirateiem se quiserem, mas assistam pelo menos uma vez em boa qualidade, por favor. Fizemos com muito carinho e ficamos bem satisfeitos com o resultado.

Rifferama - Geralmente se associa o lançamento de DVDs a artistas renomados. Qual o tamanho do Scalene hoje no cenário brasileiro?

Tomas Bertoni - Não considero o Scalene uma banda grande. No âmbito do rock, talvez, mas falando no mainstream nacional, o próprio DVD é um produto contundente para nos fazer continuar crescendo, mostrar o nosso show com uma estrutura inflada. Enxergo o Scalene numa espécie de “meiostream”, que no Brasil na prática não existe. Não temos casas de show para 800 a mil pessoas para rodar o Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos têm. Nossa banda teria muito mais condições de existir por lá. Estamos satisfeitos, de certa forma vivendo um sonho. O próprio caminho já é parte do prazer da coisa, por mais que seja difícil, estamos felizes com as repercussões, a posição que estamos e o bem que fazemos para o mercado, a renovação que está acontecendo.

Rifferama - Como está a expectativa para voltar a Florianópolis? Vocês gostam de tocar em festivais?

Tomas Bertoni - Acabamos de tocar no João Rock (Ribeirão Preto) com Supercombo e Far From Alaska. É sempre divertido e gratificante. O CPM 22 é uma banda mais antiga e será bom para nos divulgar para uma galera que não nos conhece, como também será bom para eles também. Levaremos um público que nunca viu ou não vê um show do CPM há dez anos. Falta isso no rock. O Victor e Leo colocaram a Paula Fernandes para abrir dezenas de shows deles, uma prática que o rock faz nos EUA e na Europa. Aqui não é feito por falta de condições, às vezes, e um pouco de falta de vontade e sagacidade. Nos cruzamos na estrada, respeitamos pra caramba eles, mas não conhecemos a galera. Estamos empolgados.


Rifferama Entrevista: Dazaranha

Foto: Mauro Goulart

Foto: Mauro Goulart

O dia 10 de fevereiro de 2016 ficará marcado para sempre na história da música de Santa Catarina. Nesta data, o Dazaranha anunciou a saída de Gazu, voz e imagem da banda desde 1992. Passados quatro meses do rompimento, a nova formação, que agora conta com os guitarristas Moriel Costa e Chico Martins dividindo os vocais, tem muitos planos para o futuro.

Ainda neste ano, o Daza lança o seu sexto álbum de estúdio. Em entrevista exclusiva para o Rifferama, Moriel, principal compositor do grupo, falou sobre este novo momento do Dazaranha, que completa 25 anos de estrada em 2017.

Rifferama – Como o púbico está recebendo essa nova fase, nova formação e novo repertório do Dazaranha?

Moriel Costa – Eu sou Figueira e tenho necessidade que o meu time jogue bem. E quem gosta do Dazaranha tem essa necessidade. O público prefere acreditar num Daza que vem renovado, com uma nova formação, do que a gente desistir. A nova fase é a mais sensível e delicada da nossa carreira, precisa ter responsabilidade. Somos mantenedores do nosso público, e a saída que temos é ser feliz, melhorar a relação entre nós, aprender com tudo o que vivemos e estamos vivendo e atender a necessidade das pessoas de ouvirem música catarinense.

Rifferama – Você e o Chico já cantavam, têm discos solo, mas como foi encarar o microfone da banda?

Moriel Costa – O Chico tem mais técnica, mais qualidade, eu interpreto as minhas músicas do meu jeito, ou seja, sou mais esforçado do que realmente um vocalista. Tu tens propriedade porque já toca música há muito tempo, então tu encaras. O que o público muitas vezes quer é te ver sorrindo e cantando do jeito que for pra ele. Os fãs são exigentes, mas a exigência principal é que tu estejas inteiro e feliz ali.

Rifferama – Como está o processo de produção do novo disco?

Moriel Costa – Algumas músicas já existiam, mas a maioria é muito recente, vou te dizer que é um trabalho que está sendo tratado com muito carinho. Estamos sendo responsáveis com aquelas obras, agora se vão longe ou não isso não importa, o que importa é que estamos as tratando como se deve tratar uma música. Horas, ritmo, melodia, harmonia, “bota mais dois pontos no beat, sobe o tom, a parte dois tira, repete a parte três, acaba com essa música, ela não é boa e vamos para a próxima”. Isso que é legal.

Rifferama – Quando uma banda passa por uma mudança existe aquela vontade de mostrar um novo trabalho. Vocês estão se sentindo assim?

Moriel Costa – Isso é o nosso novo momento, temos que fechar esse ciclo do disco. É daí que nasce um novo momento para nós. Hoje não temos o produto, um disco para falar dessa nova imagem. Estamos vindo com novo site, novas fotos, novas músicas, novas redes sociais, nova gestão. Basicamente é pau no ombro e “taca-le o pau”.

Rifferama – Como vai soar esse novo disco? Estão preparados para as críticas?

Moriel Costa – Ele tem um funk, acho que ele tem uns reggaes também. Ele vem como o Dazaranha sempre se demonstrou, com algumas faces. Não que esteja atirando para todos os lados, mas entendendo que as músicas vêm e elas têm que ser feitas do jeito que ficaram. Gravamos até o final de junho, tem aquele tempo do produtor (Carlos Trilha), mas acredito que no início de agosto esteja pronto. São mais uns 20 dias para prensar. Se a banda for realmente o que está se propondo, pode reprovar porque vamos fazer outro, mas acho que não vão. Vamos ter uma aceitação do público. Eu acredito muito no próximo disco. Acredito muito, muito, muito. Tem umas quatro ou cinco músicas que são encantadoras. Elas falam o que a galera quer ouvir.

Rifferama – Quais são os planos para os 25 anos do Dazaranha?

Moriel Costa – Vamos fazer um DVD comemorativo, juntando a nossa discografia. Sem dúvida é o ano de restabelecer as coisas profissionalmente e comercialmente. Nos aceitamos numa condição de estar nos reestruturando, reafirmando. É bacana.

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Bruno Manfra lança disco e livro de poesia no TAC

Foto: Antonio Rossa

Foto: Antonio Rossa

O poeta Bruno Mafra seguiu à risca a receita para gravar um belo álbum. Cercou-se de ótimos músicos para dar vida as suas composições, gravadas no estúdio OPA! Music, do produtor Felipe Melo.

“Sobre o Voo dos Elefantes” será lançado nesta terça-feira (31), em show do Projeto TAC 7:30. Manfra, que é natural de Lins (SP), mas radicado em Florianópolis, distribuirá gratuitamente o livro de poesias “O Rio que Naquele Espelho Vi”.

A primeira coisa que chama a atenção neste disco é a quantidade de talentos que o artista conseguiu reunir. Manfra tocou violão, guitarra, baixo, caxixi e sintetizador, mas tem a companhia de músicos como Rafael Calegari no baixo, Neto Fernandes na bateria, Carlos Schmidt no trombone, Jean Carlos no trompete, Igor de Patta nos teclados, Meliza Machado nos vocais, entre outros nomes de peso do mercado autoral catarinense.

“Sobre o Voo dos Elefantes” é um trabalho muito bem acabado. Leve, agradável e delicado. Passeia com elegância entre diversos estilos – MPB, rock, jazz e blues são os mais aparentes. Como não sorrir ouvindo “Peça nova” ou “Sobre a chuva”, que ganhou clipe dirigido por Antonio Rossa? É um álbum que merece ser apreciado por todas as (boas) sensações que provoca. Pena que nem sempre o público sabe reconhecer quando está diante de um grande artista como Bruno Manfra.


Novos caminhos para a Ponto Nulo no Céu

Felipe, Dijjy, Lucas e Fau: Nova PNNC Foto: Filipe Nevares

Felipe, Dijjy, Lucas e Fau: Nova PNNC
Foto: Filipe Nevares

“Pintando Quadros do Invisível”, segundo álbum da Ponto Nulo no Céu, lançado no dia 28 de abril, pode ser encarado de duas formas. Quem escutou “Brilho Cego”, de 2011, percebeu a mudança estética, resultado da troca nos integrantes – apenas o vocalista Dijjy Rodriguez permaneceu da formação que gravou o debut, obra-prima do metalcore nacional.

Os novos fãs conheceram um grupo que ainda mantém uma identidade, mas aposta em influências modernas, transformando a sua música em algo mais acessível para alcançar um público maior e diverso, mesmo que não tenha sido de forma intencional.

A principal virtude de ambos os trabalhos está no conteúdo lírico. A capacidade de Dijjy para escrever letras pertinentes à realidade parece inesgotável. Frases como “Se, ao invés do ego, toda prece evocasse a limpeza de qualquer linha que trace fronteiras imaginárias nos mapas, impedindo que liberdade por ali passe…”, mais importante do que emocionar, faz pensar. Vale destacar também que, além da consciência social, a PNNC não tem medo de se posicionar publicamente sobre o que acontece no país.

Os irmãos Taboada, Felipe (guitarra) e Lucas (bateria), ex-Prólogo, e o baixista Fau levaram o som da Ponto Nulo no Céu para outra dimensão. Algumas passagens são ainda mais pesadas do que em “Brilho Cego”. A falta de solos é compensada pela habilidade do guitarrista, que criou grandes riffs e texturas para as composições. O groove conferido pela cozinha também tem papel fundamental na cara que este álbum ganhou. Mas a principal diferença está nos vocais. Os guturais aparecem em menor escala, para não dizer que foram abolidos, motivo de críticas por parte dos fãs mais antigos. A mudança favoreceu ao vocalista, que comprovou a sua versatilidade como cantor e também valorizou as letras que escreveu.

As participações em “Pintando Quadros do Invisível” podem ser chamadas mesmo de especiais e demonstram o prestígio da banda no cenário nacional. Começando por DJ A.N. (Experimento Vinte) em “Por Entre os Dedos”. A dupla Keops e Raony, do Medulla, canta em “Sob o Mesmo Sol”. O guitarrista Vini Castellari (Project 46) faz o único solo do disco, em “Dormência”. A Project 46 também aparece em “De São Paulo a Xangai”, com Caio MacBeserra nos berros. O saxofonista Julian Brzozowski (Orquestra Manancial da Alvorada) toca em “O Sonho é uma Ilha” (que outro!), um encerramento surpreendente para este álbum, que foi mixado e masterizado por Adair Daufembach em Los Angeles (EUA).

Sempre que uma banda altera o direcionamento musical existe uma divisão entre o público. Quem acompanha o grupo desde o começo (lá em 2007) tem todo o direito de torcer o nariz, mas a nova Ponto Nulo no Céu é muito mais arte e relevante. E o caminho, que sempre foi cheio de obstáculos, será aberto com os dois pés com a qualidade deste disco, que põe a PNNC entre as maiores da cena independente do Brasil.


Rifferama Entrevista: Angra

Bittencourt é o único membro origial do Angra. Foto: Gui Caielli

Foto: Gui Caielli

Prestes a completar 25 anos, o Angra está consolidado como o grupo brasileiro de maior prestígio no exterior – ao lado do Sepultura. Uma das primeiras bandas que apostou no profissionalismo para explorar o mercado internacional, o quinteto, independente dos músicos que integram o projeto, virou sinônimo de qualidade.

A atual formação, que conta com o italiano Fabio Lione nos vocais desde 2013, sofreu um grande baque com a “saída” do guitarrista Kiko Loureiro, convidado para fazer parte do Megadeth. Marcelo Barbosa (Almah) assume as seis cordas no show desta sexta-feira (13), no John Bull, em comemoração aos 20 anos de lançamento do disco “Holy Land”. 

Rifferama conversou com o guitarrista Rafael Bittencourt, fundador e único membro original do Angra, que falou sobre a recepção dos fãs aos novos músicos, a atenção que a entrada de Kiko no Megadeth trouxe para a banda, e os planos para o futuro, que inclui reunir todos os integrantes que já fizeram parte do grupo para que os 25 anos de sucesso não passem em branco.

Rifferama – Como os fãs receberam o Fabio Lione e o Marcelo Barbosa? 

Rafael Bittencourt – A recepção está sendo muito boa. O público conhecia o Fabio por causa do Rhapsody. O público tem aceitado bastante essa nova fase, as novas músicas e videoclipes. E ele é carismático e tem um carinho pelo Angra. E os nossos fãs percebem isso. Não é somente um músico contratado. A questão do Marcelo é a seguinte. Não foram mudanças que escolhemos. Não mandamos o Edu (Falaschi) embora. O público entende. Ou é isso, ou parar. Eles preferem que continuemos em turnê.

Rifferama – A presença do Kiko no Megadeth deve ter sido boa para o nome do Angra, mas como está sendo tocar sem ele?

Rafael Bittencourt – Gerou bastante prestígio. É a primeira vez que um brasileiro participa de uma banda tão grande assim no heavy metal. É um orgulho. Quando se fala no Kiko citam o Brasil e um Angra. Mas também gerou um questionamento. É um período para provar se é legal ou não (sem ele). O Marcelo é competente, nosso repertório é de clássicos eternizados e não dependemos tanto da presença física do Kiko, mas os fãs sentem falta da imagem dele no palco e do carisma. Torcemos pelo sucesso dele.

Rifferama – O Alírio Netto, daqui de Florianópolis, foi cogitado quando o Edu saiu da banda? E você não pensou em ser o vocalista do Angra na época?

Rafael Bittencourt – Existem muitos vocalistas prontos para assumir o microfone do Angra. Na época da escolha, as gravadoras do Japão e da Europa queriam alguém que já fosse conhecido. Teríamos de trabalhar para convencê-los sobre esse novo timbre de voz. Foi uma questão de mercado e parcerias. Não fazemos nada sozinhos. Até cheguei a cogitar, mas não me senti preparado para sair em turnê e fazer um show inteiro. Os vocais não são a parte mais difícil do Angra. Teria de abrir mão um pouco da guitarra. No futuro, eventualmente, se o Fabio sair, posso cantar.

Rifferama – Um novo disco está nos planos? Qual o futuro do Angra? 

Rafael Bittencourt – É completamente incerto. O Megadeth deve gravar mais um disco, eles estão indo bem. Não existe perspectiva de o Kiko voltar agora. O Fabio também está ocupado com o Rhapsody of Fire. Não quero planejar nada. Não sei o quê exatamente, mas quero fazer algo especial para os 25 anos de carreira. Talvez uma festa com os fãs, convidar os antigos membros da banda, o André (Matos) e o Edu. Não quero deixar passar.

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Brasil Papaya e Enarmonika dividem o palco pela primeira vez juntos no Teatro Ademir Rosa (CIC)

Enarmonika na abertura do show de Warrel Dane. Foto: Thiago Rocha

Enarmonika no show de Warrel Dane.
Foto: Thiago Rocha

Enarmonika e Brasil Papaya são duas bandas que, apesar da enorme ligação entre os seus integrantes, nunca dividiram o mesmo palco. Nesta quarta-feira (13), a partir das 20h30, os músicos se apresentam juntos no espetáculo “Grandes Encontros”, no Teatro Ademir Rosa, do CIC (Centro Integrado de Cultura).

Formada em 2012, a Enarmonika, que mistura o erudito com o metal, conta com dois membros da Camerata – Daniel Galvão (violoncelo), Iva Giracca (violino), além da soprano Carla Domingues, que participa do Rock’n Camerata, projeto com os guitarristas e irmãos Renato e Dudu Pimentel, o baixista Baba Jr. e o baterista Alex Paulista, todos “papayanos”.

E as curiosidades não param por aí. Dudu Pimentel foi o guitarrista da Enarmonika nos primeiros shows, e Renato produziu o primeiro EP do grupo, “Duality” (2014). A banda, inclusive, foi criada durante uma turnê do concerto que faz releituras dos grandes clássicos do rock and roll, como disse Carla Domingues.

“A Brasil Papaya tem um papel muito importante desde o início. Vamos nos juntar para interpretar um repertório bastante conhecido, surpresa”, falou a vocalista em entrevista ao Rifferama. Cada grupo deve tocar em torno de 40 a 50 minutos o seu repertório de composições autorais e depois se apresentam juntos.

Outro momento marcante na trajetória dos músicos foi a participação no show de Steve Vai no Rock In Rio do ano passado. Iva Giracca e Dudu Pimentel mostraram o seu talento ao lado da lenda da guitarra, experiência que serviu para amadurecer o trabalho dos instrumentistas.

“Tenho uma carreira no canto lírico, cada um traz a sua vivência. A mescla é inevitável. Desde o início quisemos experimentar. E todas as experiências acabam influenciando no processo de composição. Investimos nas melodias que os instrumentos de corda proporcionam, buscando o peso da bateria e da guitarra”, declarou Carla.

Quarteto tem 23 anos de estrada. Foto: Antonio Rossa

Quarteto tem 23 anos de estrada.
Foto: Antonio Rossa

Com 23 anos de carreira, a Brasil Papaya está com um “feeling renovado”, segundo Renato Pimentel, por conta da apresentação com Vai, grande influência da banda. A expectativa do grupo é sair em turnê neste ano e, quem sabe, gravar o sucessor de “Esperanza”, lançado em 2006.

“Estamos sentindo uma ‘coceira’ de lançar um novo trabalho. Por incrível que pareça acabamos gravando um disco por década. Nosso primeiro foi gravado em 1996. Acho que está na hora de pensar em outro. As ideias são muitas. Estamos preparando uma nova turnê. O processo de tocar junto com a Camerata deu uma nova visão de como encarar a música”, afirmou.

O show da Brasil Papaya terá convidados especiais como Marcos Gaitero, que toca com Dudu Pimentel no Trio Ponteio, Adriano Miranda no saxofone e João Geraldo, o Big John (Camerata), na tuba. O local do evento também contribuiu para a alta expectativa.

“Participamos do Rock’n Camerata juntos desde 2008, mas nunca tocamos juntos um show autoral. Ter a oportunidade de juntar as duas bandas em um grande teatro é muito legal. O palco do CIC é um lugar mágico, em que a plateia está acima da banda. É uma visão diferente dos teatros atuais, uma espécie de volta aos teatros clássicos, tornando tudo mais desafiador, bem como a Brasil Papaya gosta”, concluiu.


Rifferama Entrevista: Cícero

Fotos: Mariana Caldas

Fotos: Mariana Caldas

Cícero Rosa Lins gosta de arriscar. “Canções de Apartamento”, seu primeiro disco solo, lançado em 2011, se espalhou de forma espantosa pela Internet. Sucesso de crítica, foi eleito o melhor álbum brasileiro do ano por diversas publicações. Grande revelação da chamada “nova MPB”, o compositor carioca seguiu por outro caminho em “Sábado” (2013).

Melancólico e minimalista, o trabalho dividiu opiniões dos fãs. Com “A Praia” (2015), Cícero, que completou 30 anos nesta quinta-feira (7), encontrou o caminho. Rodando o Brasil em turnê, o músico se apresenta hoje no Teatro Pedro Ivo. Neste fim de semana, ainda toca em Porto Alegre e Curitiba.

Em entrevista ao Rifferama, o compositor, que nunca esteve em Florianópolis, disse que não se prender a uma fórmula o faz sentir relevante artisticamente. E até mesmo como fã, gosta de quem, como ele, faz diferente. Cícero está ansioso para conhecer os fãs da Capital, que devem ter se identificado com “A Praia”.

- Quero fazer uma obra longa. Nunca fui dos que fazem a mesma coisa, se aperfeiçoam. Eu prefiro seguir adiante, fazer o caminho da descoberta. A Praia falou mais com esse tipo de gente menos melancólica, um astral mais “Canções”, e menos desencanada que o público de São Paulo, que gostou do “Sábado”. Acho que será muito maneiro.

Curiosamente, “A Praia” foi composto em São Paulo, onde o músico vive hoje, por, segundo ele, “uma mudança humana”. O novo disco e a nova casa trouxeram, além da questão pessoal, de amadurecimento, muitas oportunidades profissionais.

- Acho que foi crise de meia-idade. A ida para São Paulo estimulou mudanças de comportamentos. No Rio eu esperaria anos até as coisas acontecerem. Essa parte prática de carreira não tem nem comparação. Consegui tocar muito mais. Sempre fui mais de gravar. Nunca fui muito interessado em palco. Agora o show tem mais fidelidade com o disco.

Mesmo com mais de 170 mil fãs no Facebook e enorme alcance nas plataformas de distribuição de conteúdo digital, Cícero tem os seus três discos lançados em vinil. A vontade surgiu após uma reflexão de como a música é consumida hoje em dia.

- A solução que cheguei é de ocupar todas as mídias possíveis. Os CDs dos anos 1990 descascaram, ninguém mais baixa música. Está na nuvem, é um dado. O vinil daqui cem anos tocará igual. Não tenho fetiche de que o som seja melhor ou o vinil mais sofisticado. Reconheço que é mais confiável.

O compositor também faz questão de manter contato com os fãs nas redes sociais, que ele próprio administra. E Cícero prefere deixar que as pessoas conheçam o seu trabalho por si próprias do que pagar por anúncios que alterem o fluxo natural da cadeia produtiva.

- Tento me manter aberto ao que chega até mim, seja na rua, nos shows ou nas redes sociais. E alimento a minha obra. Nunca apareci na TV aberta, nunca toquei no rádio. Foram me seguindo, fazendo campanha para eu tocar nas cidades. A Internet foi mais do que uma ferramenta. Chegar de forma orgânica tem muito mais valor. Daqui dez anos vão ouvir “Tempo de Pipa” e descobrir que tenho uma discografia.

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Soulfly (Max Cavalera) se apresenta pela primeira vez em Florianópolis na turnê de “Archangel”

Arte: www.jduartedesign.com

Arte: J. Duarte

A última vez que Max Cavaleira chegou perto de Florianópolis foi em 1994, quando se apresentou com o Sepultura em Balneário Camboriú, no histórico show ao lado de Ramones e Raimundos, no extinto pavilhão da Santur.

Nesta quarta-feira (6), o lendário vocalista toca pela primeira vez na Capital de Santa Catarina, no John Bull, na turnê de divulgação de “Archangel”, 10º disco de estúdio do Soulfly.

Quando Max deixou o Sepultura, em 1996, nem o fã mais otimista esperava que o Soulfly chegasse tão longe. Maior nome do metal brasileiro, o músico conseguiu se manter relevante, tanto com a sua banda principal quanto em projetos paralelos.

Seja antes, com o Nailbomb, ou depois, com o supergrupo Killer be Killed, e o Cavalera Conspiracy, com o irmão e baterista Iggor. Após dez anos sem contato, eles resolveram as suas diferenças e gravaram três álbuns, o último em 2014 – “Pandemonium”.

Mesmo 20 anos depois da separação é impossível não sonhar com uma reunião. Afinal, se até Axl Rose voltou a dividir o palco com Slash e Duff McKagan (num 1° de abril!), os Cavalera, quem sabe, podem se juntar ao guitarrista Andreas Kisser e ao baixista Paulo Jr. novamente no futuro. O quarteto, que assombrou o mundo entre o fim da década de 1980 e o começo da década de 1990, deve muito – ou quase tudo – ao seu antigo frontman.

No Soulfly, Max Cavalera continuou fazendo a mistura de peso, groove e ritmos brasileiros consagrada em “Roots” (1996), disco seminal para a consolidação do new metal nos Estados Unidos. Com o passar dos anos, o vocalista decidiu apostar em um som mais extremo, mais próximo do death metal, e “Archangel”, lançado em agosto do ano passado, é um dos mais pesados do grupo.

A banda chegou a contar com dois dos filhos de Max. Igor Cavalera Jr. assumiu o posto de Tony Campos (Static-X) brevemente em 2015. Zyon, cujos batimentos cardíacos ainda no útero da sua mãe, Gloria, abrem a clássica “Refuse/Resist”, acompanha o pai desde 2013 na bateria, substituindo o grande David Kinkade (Borknagar). O guitarrista Marc Rizzo (Ill Niño), fiel escudeiro de Cavalera, e Mike Leon (baixo), completam o quarteto. Imperdível.


A arte indomável de Ricardo Ravel

Irmãos de alma e música. Foto: Lucas Romero

Ricardo Ravel e sua talentosa banda.
Foto: Lucas Romero

Quando escutei pela primeira vez “Marcha Misantropicalista”, no fim de 2015, senti que estava diante de um grande artista. E, de fato, o catarinense Ricardo Ravel, de 25 anos, é um compositor tão promissor quanto demonstra em “Santo Coração”. O disco, lançado oficialmente na Sexta-feira da Paixão, é um soco no estômago.

O álbum, por todas as pessoas envolvidas na sua concepção, ganhou ares de superprodução. Desde o registro, no estúdio The Magic Place, a cargo de Renato Pimentel, passando pelos companheiros de banda, igualmente talentosos, aos convidados. Ravel contou com a parceria de alguns dos grandes instrumentistas de Florianópolis como Jean Carlos (trompete), Luiz Gustavo Zago (piano) e Márcio Bicaco (percussão).

“Santo Coração” abre com “Lobo Ilusão”, poema do cineasta Gabriel N. Andreolli, que também é o coautor de “Escarlate” e dirigiu o clipe da belíssima “Carmesim”. O violão clássico de Ricardo Ravel é o personagem principal da obra, rotulada pelo próprio como música popular melodramática. A intervenção dos amigos na criação, no entanto, confere outras cores e sonoridades para este trabalho – o artista compôs sozinho apenas quatro das 11 canções do disco.

Júlio Miotto (guitarra e voz), Felipe Martínez (bateria e percussões) e Uther Baldissera (baixo) contribuem em quatro composições: a densa “Breve Devaneio Sobre a Paranoia”, “Tropical Taste of Summer”, “Los Cigarrillos Rotos” e sua pegada flamenca, além da supracitada “Marcha Misantropicalista”. O baterista também divide a autoria de “Âncora d’Alma” e da melancólica “Temporal”, um samba refinado. A peça instrumental “Gymnopédie n°1″ ,do francês Erik Satie (1866-1925), encerra a audição de forma primorosa.

Como escreveram nas redes sociais, “Santo Coração” é o espelho da alma de Ricardo Ravel. O disco é intenso, desafiador, verdadeiro e, sobretudo, surpreendente. As minhas expectativas quanto a este trabalho eram altíssimas e, felizmente, foram plenamente atendidas. Com um trabalho deste em mãos, desejar sucesso é dispensável. Que o tempo possa fazer justiça a esse álbum, desde já candidato a destaque de 2016.


Rifferama Entrevista: Selvagens à Procura de Lei

Os Selvagens estão juntos desde 2009. Fotos: Divulgação

Os Selvagens estão juntos desde 2009.
Fotos: Divulgação

Em 2013, os Selvagens à Procura de Lei, de Fortaleza (CE), conseguiram realizar o que a maioria dos grupos independentes sonha: lançar um disco por uma gravadora de grande porte – Universal Music. O segundo álbum, homônimo, colocou o quarteto entre as revelações do rock brasileiro.

Apesar do sucesso, “Praieiro”, mais novo trabalho da banda, disponibilizado em fevereiro, foi gravado por meio de um financiamento coletivo. Neste sábado, os Selvagens apresentam o novo repertório na Célula Showcase, ao lado de Blame e Califaliza. O Gram também estava escalado para o evento, mas não vem por problemas com a produção de São Paulo. Uma nova data em Florianópolis deve ser marcada.

Como o nome sugere, “Praieiro” traz uma sonoridade mais alegre, que se distancia um pouco da pegada do último disco. A distorção ainda aparece em composições como “Lua Branca” ou no solo inspirado de “Projeto de Vida”, uma das duas faixas em que o baterista Nicholas Magalhães canta. O Rifferama entrevistou a banda, que falou sobre o novo direcionamento, a mudança para São Paulo, entre outros assuntos.

Rifferama - Como está a repercussão do “Praieiro”? Como os fãs têm encarado essa mudança no direcionamento musical?

Caio Evangelista (baixo) - A repercussão está muito positiva. Desde o lançamento das primeiras músicas sempre buscamos explorar temas e sonoridades diferentes do que já havíamos feito. O rock sempre está presente nos Selvagens, pela liberdade de explorar qualquer caminho que quisermos desenvolver. No Praieiro caminhamos pelo reggae, pelo funk, soul. Esses ritmos tocados pelos Selvagens acabam criando uma identidade própria.

Rifferama - A mudança para São Paulo influenciou nesse sentido? O que mudou na vida de vocês, pessoalmente e como banda mesmo?

Caio - A mudança para São Paulo serviu para um amadurecimento na banda em todos os sentidos. Essa experiência possibilitou que conhecêssemos outras ideias, outras formas e pensamentos sobre como se leva a vida e o que significa toda nossa dedicação. Passamos a nos dedicar exclusivamente à música, o que trouxe um amadurecimento artístico.

Rifferama - No disco temos duas músicas cantadas pelo Nicholas. Foi uma decisão natural? Os fãs da banda sempre pediam por isso.

Nicholas Magalhães (bateria) - Foi uma decisão natural. Eu adoro cantar e senti necessidade de compor e somar junto a todos da banda no nosso novo disco.

Rifferama - Nos últimos anos o Nordeste revelou várias ótimas bandas de rock. Vocês acham que ainda existe preconceito com as bandas de rock vindas do dessa região?

Gabriel Aragão (guitarra) - Quando tocamos pela primeira vez em São Paulo percebemos que o que nos destacava era o justamente o fato de sermos uma banda de rock do Ceará e também por falar sobre o que rolava em Fortaleza nas letras. O Nordeste está cheio de bandas super criativas. Em Fortaleza existe uma cena muito forte de artistas e compositores que se renovou de 2000 para cá. É instigante fazer parte disso.

Rifferama - Já tocaram em Santa Catarina?

Gabriel - Sim. Em 2012 tocamos no John Bull (Florianópolis) abrindo para o Nada Surf. Foi um show muito especial para nós porque estávamos tocando as músicas do nosso segundo disco pela primeira vez. Também pudemos conhecer um pouco da cidade e acompanhar um pedaço do litoral na estrada, que achamos incrível. Dessa vez estamos de volta para tocar o Praieiro na Célula Showcase e tenho certeza que a energia será muito boa.