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Rifferama Entrevista: Angra

Bittencourt é o único membro origial do Angra. Foto: Gui Caielli

Foto: Gui Caielli

Prestes a completar 25 anos, o Angra está consolidado como o grupo brasileiro de maior prestígio no exterior – ao lado do Sepultura. Uma das primeiras bandas que apostou no profissionalismo para explorar o mercado internacional, o quinteto, independente dos músicos que integram o projeto, virou sinônimo de qualidade.

A atual formação, que conta com o italiano Fabio Lione nos vocais desde 2013, sofreu um grande baque com a “saída” do guitarrista Kiko Loureiro, convidado para fazer parte do Megadeth. Marcelo Barbosa (Almah) assume as seis cordas no show desta sexta-feira (13), no John Bull, em comemoração aos 20 anos de lançamento do disco “Holy Land”. 

Rifferama conversou com o guitarrista Rafael Bittencourt, fundador e único membro original do Angra, que falou sobre a recepção dos fãs aos novos músicos, a atenção que a entrada de Kiko no Megadeth trouxe para a banda, e os planos para o futuro, que inclui reunir todos os integrantes que já fizeram parte do grupo para que os 25 anos de sucesso não passem em branco.

Rifferama – Como os fãs receberam o Fabio Lione e o Marcelo Barbosa? 

Rafael Bittencourt – A recepção está sendo muito boa. O público conhecia o Fabio por causa do Rhapsody. O público tem aceitado bastante essa nova fase, as novas músicas e videoclipes. E ele é carismático e tem um carinho pelo Angra. E os nossos fãs percebem isso. Não é somente um músico contratado. A questão do Marcelo é a seguinte. Não foram mudanças que escolhemos. Não mandamos o Edu (Falaschi) embora. O público entende. Ou é isso, ou parar. Eles preferem que continuemos em turnê.

Rifferama – A presença do Kiko no Megadeth deve ter sido boa para o nome do Angra, mas como está sendo tocar sem ele?

Rafael Bittencourt – Gerou bastante prestígio. É a primeira vez que um brasileiro participa de uma banda tão grande assim no heavy metal. É um orgulho. Quando se fala no Kiko citam o Brasil e um Angra. Mas também gerou um questionamento. É um período para provar se é legal ou não (sem ele). O Marcelo é competente, nosso repertório é de clássicos eternizados e não dependemos tanto da presença física do Kiko, mas os fãs sentem falta da imagem dele no palco e do carisma. Torcemos pelo sucesso dele.

Rifferama – O Alírio Netto, daqui de Florianópolis, foi cogitado quando o Edu saiu da banda? E você não pensou em ser o vocalista do Angra na época?

Rafael Bittencourt – Existem muitos vocalistas prontos para assumir o microfone do Angra. Na época da escolha, as gravadoras do Japão e da Europa queriam alguém que já fosse conhecido. Teríamos de trabalhar para convencê-los sobre esse novo timbre de voz. Foi uma questão de mercado e parcerias. Não fazemos nada sozinhos. Até cheguei a cogitar, mas não me senti preparado para sair em turnê e fazer um show inteiro. Os vocais não são a parte mais difícil do Angra. Teria de abrir mão um pouco da guitarra. No futuro, eventualmente, se o Fabio sair, posso cantar.

Rifferama – Um novo disco está nos planos? Qual o futuro do Angra? 

Rafael Bittencourt – É completamente incerto. O Megadeth deve gravar mais um disco, eles estão indo bem. Não existe perspectiva de o Kiko voltar agora. O Fabio também está ocupado com o Rhapsody of Fire. Não quero planejar nada. Não sei o quê exatamente, mas quero fazer algo especial para os 25 anos de carreira. Talvez uma festa com os fãs, convidar os antigos membros da banda, o André (Matos) e o Edu. Não quero deixar passar.

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Brasil Papaya e Enarmonika dividem o palco pela primeira vez juntos no Teatro Ademir Rosa (CIC)

Enarmonika na abertura do show de Warrel Dane. Foto: Thiago Rocha

Enarmonika no show de Warrel Dane.
Foto: Thiago Rocha

Enarmonika e Brasil Papaya são duas bandas que, apesar da enorme ligação entre os seus integrantes, nunca dividiram o mesmo palco. Nesta quarta-feira (13), a partir das 20h30, os músicos se apresentam juntos no espetáculo “Grandes Encontros”, no Teatro Ademir Rosa, do CIC (Centro Integrado de Cultura).

Formada em 2012, a Enarmonika, que mistura o erudito com o metal, conta com dois membros da Camerata – Daniel Galvão (violoncelo), Iva Giracca (violino), além da soprano Carla Domingues, que participa do Rock’n Camerata, projeto com os guitarristas e irmãos Renato e Dudu Pimentel, o baixista Baba Jr. e o baterista Alex Paulista, todos “papayanos”.

E as curiosidades não param por aí. Dudu Pimentel foi o guitarrista da Enarmonika nos primeiros shows, e Renato produziu o primeiro EP do grupo, “Duality” (2014). A banda, inclusive, foi criada durante uma turnê do concerto que faz releituras dos grandes clássicos do rock and roll, como disse Carla Domingues.

“A Brasil Papaya tem um papel muito importante desde o início. Vamos nos juntar para interpretar um repertório bastante conhecido, surpresa”, falou a vocalista em entrevista ao Rifferama. Cada grupo deve tocar em torno de 40 a 50 minutos o seu repertório de composições autorais e depois se apresentam juntos.

Outro momento marcante na trajetória dos músicos foi a participação no show de Steve Vai no Rock In Rio do ano passado. Iva Giracca e Dudu Pimentel mostraram o seu talento ao lado da lenda da guitarra, experiência que serviu para amadurecer o trabalho dos instrumentistas.

“Tenho uma carreira no canto lírico, cada um traz a sua vivência. A mescla é inevitável. Desde o início quisemos experimentar. E todas as experiências acabam influenciando no processo de composição. Investimos nas melodias que os instrumentos de corda proporcionam, buscando o peso da bateria e da guitarra”, declarou Carla.

Quarteto tem 23 anos de estrada. Foto: Antonio Rossa

Quarteto tem 23 anos de estrada.
Foto: Antonio Rossa

Com 23 anos de carreira, a Brasil Papaya está com um “feeling renovado”, segundo Renato Pimentel, por conta da apresentação com Vai, grande influência da banda. A expectativa do grupo é sair em turnê neste ano e, quem sabe, gravar o sucessor de “Esperanza”, lançado em 2006.

“Estamos sentindo uma ‘coceira’ de lançar um novo trabalho. Por incrível que pareça acabamos gravando um disco por década. Nosso primeiro foi gravado em 1996. Acho que está na hora de pensar em outro. As ideias são muitas. Estamos preparando uma nova turnê. O processo de tocar junto com a Camerata deu uma nova visão de como encarar a música”, afirmou.

O show da Brasil Papaya terá convidados especiais como Marcos Gaitero, que toca com Dudu Pimentel no Trio Ponteio, Adriano Miranda no saxofone e João Geraldo, o Big John (Camerata), na tuba. O local do evento também contribuiu para a alta expectativa.

“Participamos do Rock’n Camerata juntos desde 2008, mas nunca tocamos juntos um show autoral. Ter a oportunidade de juntar as duas bandas em um grande teatro é muito legal. O palco do CIC é um lugar mágico, em que a plateia está acima da banda. É uma visão diferente dos teatros atuais, uma espécie de volta aos teatros clássicos, tornando tudo mais desafiador, bem como a Brasil Papaya gosta”, concluiu.


Rifferama Entrevista: Cícero

Fotos: Mariana Caldas

Fotos: Mariana Caldas

Cícero Rosa Lins gosta de arriscar. “Canções de Apartamento”, seu primeiro disco solo, lançado em 2011, se espalhou de forma espantosa pela Internet. Sucesso de crítica, foi eleito o melhor álbum brasileiro do ano por diversas publicações. Grande revelação da chamada “nova MPB”, o compositor carioca seguiu por outro caminho em “Sábado” (2013).

Melancólico e minimalista, o trabalho dividiu opiniões dos fãs. Com “A Praia” (2015), Cícero, que completou 30 anos nesta quinta-feira (7), encontrou o caminho. Rodando o Brasil em turnê, o músico se apresenta hoje no Teatro Pedro Ivo. Neste fim de semana, ainda toca em Porto Alegre e Curitiba.

Em entrevista ao Rifferama, o compositor, que nunca esteve em Florianópolis, disse que não se prender a uma fórmula o faz sentir relevante artisticamente. E até mesmo como fã, gosta de quem, como ele, faz diferente. Cícero está ansioso para conhecer os fãs da Capital, que devem ter se identificado com “A Praia”.

- Quero fazer uma obra longa. Nunca fui dos que fazem a mesma coisa, se aperfeiçoam. Eu prefiro seguir adiante, fazer o caminho da descoberta. A Praia falou mais com esse tipo de gente menos melancólica, um astral mais “Canções”, e menos desencanada que o público de São Paulo, que gostou do “Sábado”. Acho que será muito maneiro.

Curiosamente, “A Praia” foi composto em São Paulo, onde o músico vive hoje, por, segundo ele, “uma mudança humana”. O novo disco e a nova casa trouxeram, além da questão pessoal, de amadurecimento, muitas oportunidades profissionais.

- Acho que foi crise de meia-idade. A ida para São Paulo estimulou mudanças de comportamentos. No Rio eu esperaria anos até as coisas acontecerem. Essa parte prática de carreira não tem nem comparação. Consegui tocar muito mais. Sempre fui mais de gravar. Nunca fui muito interessado em palco. Agora o show tem mais fidelidade com o disco.

Mesmo com mais de 170 mil fãs no Facebook e enorme alcance nas plataformas de distribuição de conteúdo digital, Cícero tem os seus três discos lançados em vinil. A vontade surgiu após uma reflexão de como a música é consumida hoje em dia.

- A solução que cheguei é de ocupar todas as mídias possíveis. Os CDs dos anos 1990 descascaram, ninguém mais baixa música. Está na nuvem, é um dado. O vinil daqui cem anos tocará igual. Não tenho fetiche de que o som seja melhor ou o vinil mais sofisticado. Reconheço que é mais confiável.

O compositor também faz questão de manter contato com os fãs nas redes sociais, que ele próprio administra. E Cícero prefere deixar que as pessoas conheçam o seu trabalho por si próprias do que pagar por anúncios que alterem o fluxo natural da cadeia produtiva.

- Tento me manter aberto ao que chega até mim, seja na rua, nos shows ou nas redes sociais. E alimento a minha obra. Nunca apareci na TV aberta, nunca toquei no rádio. Foram me seguindo, fazendo campanha para eu tocar nas cidades. A Internet foi mais do que uma ferramenta. Chegar de forma orgânica tem muito mais valor. Daqui dez anos vão ouvir “Tempo de Pipa” e descobrir que tenho uma discografia.

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Soulfly (Max Cavalera) se apresenta pela primeira vez em Florianópolis na turnê de “Archangel”

Arte: www.jduartedesign.com

Arte: J. Duarte

A última vez que Max Cavaleira chegou perto de Florianópolis foi em 1994, quando se apresentou com o Sepultura em Balneário Camboriú, no histórico show ao lado de Ramones e Raimundos, no extinto pavilhão da Santur.

Nesta quarta-feira (6), o lendário vocalista toca pela primeira vez na Capital de Santa Catarina, no John Bull, na turnê de divulgação de “Archangel”, 10º disco de estúdio do Soulfly.

Quando Max deixou o Sepultura, em 1996, nem o fã mais otimista esperava que o Soulfly chegasse tão longe. Maior nome do metal brasileiro, o músico conseguiu se manter relevante, tanto com a sua banda principal quanto em projetos paralelos.

Seja antes, com o Nailbomb, ou depois, com o supergrupo Killer be Killed, e o Cavalera Conspiracy, com o irmão e baterista Iggor. Após dez anos sem contato, eles resolveram as suas diferenças e gravaram três álbuns, o último em 2014 – “Pandemonium”.

Mesmo 20 anos depois da separação é impossível não sonhar com uma reunião. Afinal, se até Axl Rose voltou a dividir o palco com Slash e Duff McKagan (num 1° de abril!), os Cavalera, quem sabe, podem se juntar ao guitarrista Andreas Kisser e ao baixista Paulo Jr. novamente no futuro. O quarteto, que assombrou o mundo entre o fim da década de 1980 e o começo da década de 1990, deve muito – ou quase tudo – ao seu antigo frontman.

No Soulfly, Max Cavalera continuou fazendo a mistura de peso, groove e ritmos brasileiros consagrada em “Roots” (1996), disco seminal para a consolidação do new metal nos Estados Unidos. Com o passar dos anos, o vocalista decidiu apostar em um som mais extremo, mais próximo do death metal, e “Archangel”, lançado em agosto do ano passado, é um dos mais pesados do grupo.

A banda chegou a contar com dois dos filhos de Max. Igor Cavalera Jr. assumiu o posto de Tony Campos (Static-X) brevemente em 2015. Zyon, cujos batimentos cardíacos ainda no útero da sua mãe, Gloria, abrem a clássica “Refuse/Resist”, acompanha o pai desde 2013 na bateria, substituindo o grande David Kinkade (Borknagar). O guitarrista Marc Rizzo (Ill Niño), fiel escudeiro de Cavalera, e Mike Leon (baixo), completam o quarteto. Imperdível.


A arte indomável de Ricardo Ravel

Irmãos de alma e música. Foto: Lucas Romero

Ricardo Ravel e sua talentosa banda.
Foto: Lucas Romero

Quando escutei pela primeira vez “Marcha Misantropicalista”, no fim de 2015, senti que estava diante de um grande artista. E, de fato, o catarinense Ricardo Ravel, de 25 anos, é um compositor tão promissor quanto demonstra em “Santo Coração”. O disco, lançado oficialmente na Sexta-feira da Paixão, é um soco no estômago.

O álbum, por todas as pessoas envolvidas na sua concepção, ganhou ares de superprodução. Desde o registro, no estúdio The Magic Place, a cargo de Renato Pimentel, passando pelos companheiros de banda, igualmente talentosos, aos convidados. Ravel contou com a parceria de alguns dos grandes instrumentistas de Florianópolis como Jean Carlos (trompete), Luiz Gustavo Zago (piano) e Márcio Bicaco (percussão).

“Santo Coração” abre com “Lobo Ilusão”, poema do cineasta Gabriel N. Andreolli, que também é o coautor de “Escarlate” e dirigiu o clipe da belíssima “Carmesim”. O violão clássico de Ricardo Ravel é o personagem principal da obra, rotulada pelo próprio como música popular melodramática. A intervenção dos amigos na criação, no entanto, confere outras cores e sonoridades para este trabalho – o artista compôs sozinho apenas quatro das 11 canções do disco.

Júlio Miotto (guitarra e voz), Felipe Martínez (bateria e percussões) e Uther Baldissera (baixo) contribuem em quatro composições: a densa “Breve Devaneio Sobre a Paranoia”, “Tropical Taste of Summer”, “Los Cigarrillos Rotos” e sua pegada flamenca, além da supracitada “Marcha Misantropicalista”. O baterista também divide a autoria de “Âncora d’Alma” e da melancólica “Temporal”, um samba refinado. A peça instrumental “Gymnopédie n°1″ ,do francês Erik Satie (1866-1925), encerra a audição de forma primorosa.

Como escreveram nas redes sociais, “Santo Coração” é o espelho da alma de Ricardo Ravel. O disco é intenso, desafiador, verdadeiro e, sobretudo, surpreendente. As minhas expectativas quanto a este trabalho eram altíssimas e, felizmente, foram plenamente atendidas. Com um trabalho deste em mãos, desejar sucesso é dispensável. Que o tempo possa fazer justiça a esse álbum, desde já candidato a destaque de 2016.


Rifferama Entrevista: Selvagens à Procura de Lei

Os Selvagens estão juntos desde 2009. Fotos: Divulgação

Os Selvagens estão juntos desde 2009.
Fotos: Divulgação

Em 2013, os Selvagens à Procura de Lei, de Fortaleza (CE), conseguiram realizar o que a maioria dos grupos independentes sonha: lançar um disco por uma gravadora de grande porte – Universal Music. O segundo álbum, homônimo, colocou o quarteto entre as revelações do rock brasileiro.

Apesar do sucesso, “Praieiro”, mais novo trabalho da banda, disponibilizado em fevereiro, foi gravado por meio de um financiamento coletivo. Neste sábado, os Selvagens apresentam o novo repertório na Célula Showcase, ao lado de Blame e Califaliza. O Gram também estava escalado para o evento, mas não vem por problemas com a produção de São Paulo. Uma nova data em Florianópolis deve ser marcada.

Como o nome sugere, “Praieiro” traz uma sonoridade mais alegre, que se distancia um pouco da pegada do último disco. A distorção ainda aparece em composições como “Lua Branca” ou no solo inspirado de “Projeto de Vida”, uma das duas faixas em que o baterista Nicholas Magalhães canta. O Rifferama entrevistou a banda, que falou sobre o novo direcionamento, a mudança para São Paulo, entre outros assuntos.

Rifferama - Como está a repercussão do “Praieiro”? Como os fãs têm encarado essa mudança no direcionamento musical?

Caio Evangelista (baixo) - A repercussão está muito positiva. Desde o lançamento das primeiras músicas sempre buscamos explorar temas e sonoridades diferentes do que já havíamos feito. O rock sempre está presente nos Selvagens, pela liberdade de explorar qualquer caminho que quisermos desenvolver. No Praieiro caminhamos pelo reggae, pelo funk, soul. Esses ritmos tocados pelos Selvagens acabam criando uma identidade própria.

Rifferama - A mudança para São Paulo influenciou nesse sentido? O que mudou na vida de vocês, pessoalmente e como banda mesmo?

Caio - A mudança para São Paulo serviu para um amadurecimento na banda em todos os sentidos. Essa experiência possibilitou que conhecêssemos outras ideias, outras formas e pensamentos sobre como se leva a vida e o que significa toda nossa dedicação. Passamos a nos dedicar exclusivamente à música, o que trouxe um amadurecimento artístico.

Rifferama - No disco temos duas músicas cantadas pelo Nicholas. Foi uma decisão natural? Os fãs da banda sempre pediam por isso.

Nicholas Magalhães (bateria) - Foi uma decisão natural. Eu adoro cantar e senti necessidade de compor e somar junto a todos da banda no nosso novo disco.

Rifferama - Nos últimos anos o Nordeste revelou várias ótimas bandas de rock. Vocês acham que ainda existe preconceito com as bandas de rock vindas do dessa região?

Gabriel Aragão (guitarra) - Quando tocamos pela primeira vez em São Paulo percebemos que o que nos destacava era o justamente o fato de sermos uma banda de rock do Ceará e também por falar sobre o que rolava em Fortaleza nas letras. O Nordeste está cheio de bandas super criativas. Em Fortaleza existe uma cena muito forte de artistas e compositores que se renovou de 2000 para cá. É instigante fazer parte disso.

Rifferama - Já tocaram em Santa Catarina?

Gabriel - Sim. Em 2012 tocamos no John Bull (Florianópolis) abrindo para o Nada Surf. Foi um show muito especial para nós porque estávamos tocando as músicas do nosso segundo disco pela primeira vez. Também pudemos conhecer um pouco da cidade e acompanhar um pedaço do litoral na estrada, que achamos incrível. Dessa vez estamos de volta para tocar o Praieiro na Célula Showcase e tenho certeza que a energia será muito boa.


Mafra e Seben reescrevem hino de Florianópolis

Equipe que produziu o vídeo-canção. Fotos: Bruno Ropelato

Equipe que produziu o vídeo-canção.
Fotos: Bruno Ropelato

Em 2012, o Dazaranha regravou o “Rancho de Amor à Ilha” para homenagear o saudoso poeta Zininho (1929-1998), autor do hino de Florianópolis. Nesta quarta-feira (23), a Capital de Santa Catarina, que comemora os seus 343 anos de fundação, ganhou outra ode, menos romântica, mais verdadeira, mas ainda assim apaixonada pela cidade.

A composição, assinada por Jean Mafra e André Seben, conta com a participação especial de Gazu nos vocais. A suingada e roqueira “Rush de Amor à Ilha” também traz Cicero Bordignon (baixo, teclas e produção), Adriano Barvik (bateria) e Jean Gengnagel (programações). A gravação aconteceu no Estúdio Urbano e recebeu um clipe dirigido por Bruno Ropelato.

Mafra, que é paraense, mas escolheu Florianópolis para viver e construir uma carreira sólida como artista (Samambaia Sound Club, Bonde Vertigem, Mafra + Melo), reforça em “Rush de Amor à Ilha” o seu gosto por parcerias e também comprova o seu talento como letrista. Apesar dos versos afiados, o cantor disse que “nesse vídeo-canção tem muito amor. Pela cidade de Florianópolis e por quem faz dela um lugar melhor (afinal, a cidade somos nós que nela vivemos”.


A guitarra transcendental da Space Chicken

Arte: Felipe Oliveira Gall

Arte: Felipe Oliveira Gall

Felipe Oliveira Gall é daquele tipo raro de músico. Intuitivo, sensível, autodidata e, acima de tudo, inquieto. Prova disso é o EP “The Transcendental Object at the End of Time”, disponibilizado no último dia 4 de março em todas as plataformas digitais (Spotify, Deezer, iTunes, Google Play, entre outros).

O segundo trabalho da Space Chicken & the Eggs of Disaster, projeto em que faz de tudo, desde o conceito gráfico, passando pelas composições e execução, expande o rock instrumental apresentado em “Lucidity”, de 2014. As guitarras “aveludadas”, como o próprio classifica o som que tira do instrumento, estão aqui, mas são mais pesadas e viajantes.

A maturidade atingida em tão pouco tempo também assusta. Gall, conhecido entre os amigos como Frango, apelido que serviu de inspiração para o nome da banda, também tem no currículo a trilha sonora do game Heavy Metal Machines. Não espere solos neoclássicos. O foco do guitarrista são as melodias, que servem de base para aplicar o discurso que o EP traz. Menos técnica, mais sentimento.

“The Transcendental Object at the End of Time” é um tributo ao escritor e filósofo norte-americano Terence McKenna (1946-2000), que estudava, entre outras coisas, plantas alucinógenas. Falas do pesquisador foram inseridas para ilustrar as músicas com suas ideias, como na sensacional “Invisible Landscape”, título tirado de um livro de 1975 do autor. Recomendadíssimo.


Março independente na Célula Showcase

Warrel Dane abriu o mês de grandes shows. Foto: Thiago Rocha

Warrel Dane abriu o mês de março.
Foto: Thiago Rocha

A Célula Showcase se estabeleceu em Florianópolis como a casa da música autoral e independente de Santa Catarina. Neste mês, o espaço tem uma programação especial, com apresentações importantes e, principalmente, para todos os gostos.

Começando pela presença do vocalista Warrel Dane (Nevermore), que emocionou os fãs no último sábado (5) com um repertório baseado nos clássicos “Dreaming Neon Black” e “Dead Heart In a Dead World”.

Nesta sexta-feira (11) será a vez do quarteto Boogarins, de Goiânia, que teve o disco “Manual”, lançado em 2015, recomendado pelo New York Times. A abertura fica por conta da fantástica Orquestra Manancial da Alvorada. Ainda neste mês, fazem shows na Célula Wannabe Jalva, Selvagens à Procura da Lei e Gram, que voltou aos palcos após sete anos de hiato. E ainda tem a Razor Fest, com Red Razor, a estreia da nova formação da Khrophus e também Blakk Market.

O produtor cultural Geraldo Borges, responsável pela agenda da Célula Showcase, falou ao Rifferama sobre o calendário da casa. Tão importante quanto a qualidade das atrações citadas, Borges, que também é baixista da Blame, destacou a variedade de estilos e crescimento da cena autoral brasileira. O espaço dado aos grupos locais vale menção. Além da Blame, a Califaliza está escalada para tocar com Selvagens e Gram.

- Já tivemos shows muito bons, mas nesse mês teremos muito mais de bandas de fora que o normal, e várias sonoridades, o que mostra como está o cenário independente no Brasil, cada vez mais fortalecido. São extremos, mas todos caminhando juntos. Só consolida o espaço que é a Célula, um ponto independente do país aqui no Estado.

Programação

11 de março – Boogarins e Orquestra Manancial da Alvorada

19 de março – Razor Fest III – Red Razor, Khrophus e Blakk Market

25 de março – Wannabe Jalva + Grize

26 de março – Selvagens à Procura da Lei, Gram, Blame e Califaliza


Warrel Dane apresenta os grandes sucessos do Nevermore na Célula Showcase

Arte: Música Ofensiva

Arte: Música Ofensiva

Depois de trazer Kadavar, Radio Moscow (duas vezes), Jeremy Irons & the Ratgang Malibus, o portal Música Ofensiva investiu alto e contratou um dos vocalistas mais importantes do metal moderno para se apresentar em Florianópolis. Warrel Dane, atualmente em carreira solo, toca na Célula Showcase no dia 5 de março, com abertura da Enarmonika.

O vocalista sobe ao palco na véspera do seu aniversário de 55 anos, 33 deles dedicados ao heavy metal. Em 1983, Dane entrou para o Serpent’s Knight e gravou a demo “Released from the Crypt”, que foi a porta de entrada para o Sanctuary, que lançou o clássico “Into the Mirror Black”. A banda acabou em 1992, mas voltou em grande estilo em 2014 com o disco “The Year the Sun Died”.

Foi com o Nevermore, no entanto, que Warrel Dane se tornou um dos grandes nomes do estilo. O grupo de Seattle, que estreou em 1995, se destacou pelas letras profundas e alcance vocal de Dane, e também por contar com um guitarrista do quilate de Jeff Loomis. Até a separação, em 2011, foram sete álbuns, entre eles as obras-primas “Dreaming Neon Black”“Dead Heart In a Dead World”.

No ano passado, o vocalista executou o “Dead Heart” na íntegra. O que é arriscado no caso de Warrel Dane, que também tem um ótimo trabalho solo“Praises to the War Machine”, de 2008. Muitas das músicas preferidas dos fãs devem ficar de fora. Pesquisando o repertório dos últimos shows do vocalista, que terá uma banda brasileira de apoio, descobri que desde abril de 2014 ele não canta nenhum som que não seja do Nevermore. Espero ser surpreendido.

Os ingressos (físicos) estão à venda na loja Roots Records, no segundo lote, por R$ 50, e na plataforma Sympla. Saiba mais sobre o evento aqui.